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  • Boletim dos Artesãos - Campeonato Mítico IV em Barcelona

    Boletim dos Artesãos - Campeonato Mítico IV em Barcelona

    por artesaosdomagic em 29/07/2019 - 204 Visualizações, 0 Comentários.

    Olá e sejam bem-vindos a mais um Boletim dos Artesãos, que provê a você tudo o que de mais importante aconteceu no mundo do Magic na última semana. E é claro que o assunto principal de hoje não poderia deixar de ser o Campeonato Mítico IV, que aconteceu em Barcelona, com os formatos Draft de Modern Horizons na parte de Limitado e Modern na parte de Construído. Então vamos logo saber o que aconteceu em mais um dos torneios de mais alto nível de Magic: the Gathering.



    O Domínio de Hogaak



    Após o Anúncio de Banidas & Restritas das últimas semanas, que baniu a Ponte das Profundezas, que você também pôde acompanhar por aqui, muitos achavam que o deck Hogaak Bridgevine demoraria no mínimo algum tempo para se recuperar, afinal a Ponte era uma carta muito importante no deck e que o fornecia um poderoso combo com o potencial de acabar com o jogo antes que os oponentes tivessem oportunidade de responder.



    No entanto, logo no começo dos testes para o Campeonato Mítico IV as equipes foram percebendo que um 8/8 com Atropelar no Turno 2 ainda era o bastante para ganhar jogos no Modern e o deck estava longe de ser fraco. Nos dias que antecediam o torneio vimos cada vez mais jogadores anunciarem que o deck seria sua escolha para a parte de Construído do torneio.



     



    A expectativa da grande presença do deck foi confirmada e até superada já no Dia 1 do torneio, quando Hogaak foi responsável por mais de 1/5 dos decks inscritos (21,4% com 98 jogadores), um número incrivelmente alto num formato como o Modern. O resto do campo não deixaria o deck dominar sem oposição, no entanto, e a Linha de Força do Vácuo  foi a carta mais jogada no campeonato entre decks principais e sideboards, numa clara tentativa de resposta. Além disso, com os jogadores tão bem preparados para o que enfrentariam talvez o deck não tivesse tanto sucesso.




    Metagame do Dia 1
    Metagame do Dia 1




    Não foi isso que aconteceu e o deck continuou dominante no Metagame do Dia 2, com 24,2% em 70 jogadores, o que significa uma taxa de conversão, isto é, a porção de jogadores com o deck que conseguiram se classificar para o segundo dia de competição, de 71,4%, a melhor entre os decks com, pelo menos, cinco competidores.




    Metagame do Dia 2
    Metagame do Dia 2




    Note que a taxa de conversão não diferencia competidores com campanha 4-4 dos competidores 8-0, se você se classificou para o Dia 2 você está dentro, e, ademais, ela também inclui a performance no Limitado, o que não é o ideal quando se está tentando diagnosticar um formato Construído. Assim, para uma conclusão mais clara tivemos que esperar o fim das rodadas de suíço e ver o quanto venceu cada deck.



    E não deu outra, Hogaak ainda estava no topo. O deck mais popular do campeonato também obteve uma das maiores taxas de vitórias, ganhando 56,2% de suas partidas. Entre os decks com cinco ou mais jogadores somente outro deck teve uma taxa mais alta: o Hogaak Dredge, uma variação dos decks Dredge com ao menos três cópias de Hogaak.



    O domínio só não foi mais completo porque o deck só conseguiu uma vaga no Top 8 do torneio, embora tenha sido um dos melhores decks no campo. Além disso, o deck não está finalizado e tam bastantes peças flexíveis, então pode ser refinado ainda mais. Os clamores pelo banimento já começaram, então vamos aguardar o que acontecerá com o deck.



    Quem espera ansiosamente por essa resolução são os outros decks que estão ou tem pretensão de alcançar o topo do formato, como o Izzet Phoenix, até pouco o melhor deck do Modern, o Humanos, o Urza ThopterSword e o Jund.



    A Conquista de Thoralf Severin



    Como dito antes, apenas um jogador conseguiu chegar ao Top 8 com Hogaak, Martin Müller. O resto do Top 8 foi formado por Alvaro Fernandez Torres, com Hardened Scales, Sean Gifford, com Eldrazi Tron, Manuel Lenz, com Urza ThopterSword, David Mines, com Jund, Juan José Rodríguez López, com Mono-Red Phoenix, Thoralf Severin, com Tron e Zhiyang Zhang, com Jund. Um Top 8 muito diverso, contrariando o domínio que expomos acima.



    O deck de Thoralf era o mais tradicional Tron que se poderia pedir. Nada de pequenos Eldrazis, nada de Karn, o Grande Criador, apenas os confiáveis Karn Liberto, Ulamog, a Fome Interminável e Ugin, o Dragão Espírito. Em verdade Severin inscreveu quase a mesma lista que havia usado alguns meses atrás em Londres, a única diferença sendo uma cópia de Véu do Verão no sideboard. A escolha não se baseava apenas em ser um deck mais confortável e conhecido pelo jogador, no entanto, se tratando de uma jogada de Metagame. Prevendo um campo com a forte presença de Hogaak, Severin escolheu um deck que também tinha partidas favoráveis contra os decks que os outros jogadores poderiam trazer para combater a ameaça do cemitério.



     



    A estratégia deu muito certo, levando Thoralf Severin ao Top 8 com grandes chances de vencer o campeonato e o jogador se aproveitou de sua experiência com deck para vencer o Jund duas vezes seguidas na fase eliminatória, contra David Mines e depois Zhiyang Zhang. Seu oponente na final seria Alvaro Torres, que com um deck com jogadas intrincadas, mas incrivelmente rápido, o Hardened Scales, venceu Martin Müller e Sean Gifford.



    A final, então, seria um tipo de jogo diferente para Severin. Em vez de um jogo de atrito ele teria que fazer o seu melhor para estabelecer os terrenos de Urza o mais cedo possível e impedir que o oponente atacasse para letal. E ele fez isso muito bem vencendo as duas partidas pré-sideboard. Torres até ensaiou uma reação vencendo o jogo três, mas Ulamog mostrou toda sua força como um titã eldrazi, vencendo dois jogos, incluindo um em que era a única resposta levaria a vitória e o quarto jogo, e deu o título do campeonato a Thoralf Severin.



    Thoralf Severin campeão do MCIV



    Definidos os Finalistas do Team Series



    Além do evento principal individual também tínhamos a disputa por equipes que definiria os finalistas que competirão pelo título de equipes no MagicFest Las Vegas ainda esse ano e várias equipes tinham chances de alcançar as duas vagas.



    No final as duas equipes classificadas foram Hareruya Sword — formada por Kelvin Chew, Jérémy Dezani, Javier Dominguez, Grzegorz Kowalski, Andrea Mengucci, e Lee Shi Tian —  e Team Ultimate Guard —  formada por Andrew Cuneo, Reid Duke, Jon Finkel, William Jensen, Paul Rietzl e Matt Sperling.




    Equipe Hareruya Sword
    A equipe Hareruya Sword obteve primeiro lugar no Team Series




    Com tantos nomes grandes entre as formações das duas equipes podemos esperar uma disputa de alto nível pelo título.



    E isso finaliza o Boletim dessa semana. Muitas coisas aconteceram que têm o potencial para transformar o Modern, então vamos ver como os jogadores reagem e o formato evolui a partir desse ponto. E você, o que acha que vai acontecer com o Hogaak? Ficou feliz em ver o Tron no topo de um campeonato de alto nível? E qual outro deck do Campeonato Mítico mais te impressionou? Sinta-se livre para nos contar usando a seção de comentários. Você também pode nos alcançar por nossa página no Facebook ou Twitter. Obrigado pela leitura.



    Thiago Santos dos Artesãos do Magic


  • Boletim dos Artesãos - Trono de Eldraine e Metapaisagem no Standard

    Boletim dos Artesãos - Trono de Eldraine e Metapaisagem no Standard

    por artesaosdomagic em 22/07/2019 - 431 Visualizações, 1 Comentários.

    Bem vindos a mais um Boletim dos Artesãos, trazendo o que de mais importante aconteceu no mundo do Magic na última semana. Semana esta que foi agitada, pois todos estavam ansiosos para saber o que Mark Rosewater iria revelar em seu painel na San Diego Comic-Con no sábado e ele não nos decepcionou e nos deu importantes informações sobre o futuro próximo do jogo. Mas isso não foi tudo, também tivemos um novo deck causando impacto no Standard pelas mãos de um dos melhores jogadores da atualidade. Então vamos às novidades!



    Trono de Eldraine



    Finalmente foi revelado o nome da última coleção de Magic de 2019, a famosa coleção de outono, nos EUA, nossa primavera, e ela se chama Trono de Eldraine e se passará no plano de Eldraine. Mark Rosewater foi muito claro quando explicou as inspirações do plano dizendo que Eldraine é uma "mistura de Camelot com contos de fada", com um desenvolvimento top-down, ou seja, a coleção foi estruturada em torno desse conceito criativo, e estará cheio de referências a essas duas fontes, o que foi plenamente confirmado pelas artes reveladas até agora, com cavaleiros, reinos, bruxas, sereias e até um homem-biscoito.



    Além disso, temos algumas informações sobre os planeswalkers que estarão presentes em Trono de Eldraine. Foi confirmado que estaremos no plano natal dos gêmeos Rowan Kenrith e Will Kenrith, que conhecemos em Battlebond, e ambos estarão presentes, sendo que Rowan será o rosto do set. Haverá ainda um terceiro planinauta em Trono de Eldraine e temos confirmação de que este será um personagem novo.



    Rowan Kenrith é a cara de Trono de Eldraine



    O pré-lançamento de Trono de Eldraine será nos dias 28-29 de setembro, o que significa que o lançamento da coleção será dia 4 de outubro. Não sabemos ainda quando começam os previews, mas vamos aguardar ansiosamente.



    Project Booster Fun



    O prato principal do painel de Mark Rosewater foi outro, no entanto, e ele apresentou uma algumas mudanças no método de distribuição das cartas do jogo físico chamado "Project Booster Fun". A primeira mudança é que a Wizards foi reestruturada para um formato de estúdios, cada um responsável por uma parte do Magic, como o estúdio para o Jogo Físico, para os Jogos Digitais e para Franquias, por exemplo. E assim que o estúdio de Jogo Físico foi estruturado eles se debruçaram na tarefa de melhorar a experiência de abrir um booster de Magic, para assim melhorar a experiência de um jogo como um todo.



    O objetivo principal de um booster de Magic é mesmo o jogo Limitado, mas nem todas as pessoas abrem boosters com isso em mente, elas abrem boosters por outros variados motivos, como montar uma coleção, um deck ou procurar uma carta específica, e nem sempre são satisfeitos, o que pode gerar uma sensação ruim. Além disso um dos maiores fatores que tornam abrir booster divertido é a incerteza do que se pode encontrar no interior e a surpresa de conseguir uma carta muito boa ou premium. No entanto, desde o fim das Obras Primas as cartas mais cobiçadas do Magic não podiam ser encontradas em boosters comuns, caso dos Box Toppers de Ultimate Masters e dos planeswalkers das Edições Míticas. Esses são os problemas que deveriam ser solucionados.



    Para isso a Wizards está tornando suas cartas com tratamento premium mais acessíveis. O primeiro passo foi aumentar a proporção de foils nos boosters, o que já ocorreu em M20. O segundo passo é colocar os tratamentos premium que até agora eram restritos dentro dos boosters, e isso foi feito com as cartas com arte extendida, como os Box Toppers, e planeswalkers sem borda, como os das Edições Míticas. Além disso um novo tratamento foi criado, chamado cartas Showcase. Nessas cartas a arte e a moldura estarão estilizados para sintonizar mais com o set, uma inspiração tirada direto das Obras Primas. A partir de Trono de Eldraine todas essas cartas poderão ser encontradas em boosters e todos eles disponíveis em versões foil e não-foil.



    Os tipos de tratamento premium



    Para resolver o outro problema a solução foi criar novos tipos de boosters. O booster comum que se achava até hoje será chamado de Booster de Draft e ele continua como está, com o adicional da possibilidade de conter planeswalkers sem borda e cartas Showcase. O segundo tipo de booster é um que estava sendo testado e teve grande sucesso, os Boosters Temáticos. Neles você encontra 35 cartas em torno de um mesmo tema, o que facilita montar decks por exemplo, com 1 ou 2 raras/míticas e um número variável de comuns e incomuns, sendo que sempre haverão mais comuns. O revés é que nenhum dos tratamentos premium estão disponíveis nestes booster.



    O último tipo de booster, que é realmente novo, é o Booster de Colecionador. Ele foi feito para os jogadores que querem encontrar as cartas mais únicas de cada lançamento e somente neles estarão presentes as cartas com arte extendida, uma por booster. Além delas eles terão 1 rara/mítica foil, 9 comuns/incomuns foil, 3 cartas dos outros tratamentos premium (planeswalkers sem borda e cartas Showcase), 1 token foil e 1 carta auxiliar, espaço destinado às cartas mecanicamente únicas da coleção, como as promocionais de Buy-a-Box e cartas exclusivas de Decks de Planeswalker.



    Os tipos de booster



    Incentivo ao Brawl



    Finalizando o nosso bloco sobre a próxima coleção, uma outra novidade que Trono de Eldraine traz é um novo impulso ao Brawl, formato singleton da Wizards que é uma intercessão entre o Standard e o Commander, mas que permite planinautas como seus generais. O formato finalmente está chegando ao Magic Arena em sua forma 1 contra 1, num momento oportuno, logo após a rotação. Além disso a Wizards anunciou como um novo produto decks pré construídos do formato. Trono de Eldraine terá 4 versões destes decks, cada um com 60 cartas, sendo 7 delas mecanicamente únicas (que poderão ser encontradas nos Boosters de Colecionador) e também uma Roda de Vida, um contador de vida em forma de carta.



    Metapaisagem no Standard



    A staple do Modern Metapaisagem conquistou o Standard ontem no GP Denver pelas mãos de ninguém menos que Luis Scott-Vargas, jogador que está sempre na conversa de melhores jogadores de Magic da atualidade. A carta esteve presente no formato por quase dois anos sem sequer ser considerada para decks do topo do formato, mas tudo mudou com o lançamento da Coleção Básica de 2020.

     



    O objetivo do deck é parecido com o deck Scapshift do Modern, mas com algumas alterações. O terreno que permite que o deck funciona não é Valakut, o Pináculo Derretido, mas sim Campo dos Mortos, e a condição de vitória não é mais dano direto, mas sim ataques de Zumbis. O ojetivo geral é chegar a sete terrenos ou mais para que use a Metapaisagem e se busque o Campo e mais seis outros terrenos de nome único, o que inicia a produção de tokens.



    Uma outra interação interessante do deck é o uso de Teferi, Manipulador do Tempo. Neste deck ele não é apenas usado como uma jogada de Turno 3 que é poderosa demais para se dispensar. Na verdade ele é uma peça chave do combo, permitindo que o jogador ameace vitória mesmo nos turnos do oponente. Além dele vemos Krasis Hidroide que pode ser tanto uma condição de vitória reserva, quanto uma forma de se proteger contra decks agressivos, ou ainda chamariz, limpando o caminho de possíveis contra-mágicas que impediriam o combo.



    O deck parece muito interessante de jogar e também de assistir. É uma pena que não houve cobertura em vídeo para o evento, como não há há algum tempo para a ampla maioria dos GPs.



    Assim terminamos o Boletim dessa semana, com muita informação para assimiliar. De todo modo o que você achou de Trono de Eldraine? E das mudanças nos boosters? E tem Campeonato Mítico essa semana, quais seus palpites? Sinta-se livre para nos contar usando a seção de comentários. Você também pode nos alcançar por nossa página no Facebook ou Twitter. Obrigado pela leitura.



    Thiago Santos dos Artesãos do Magic


  • Liga Impetus 13/07/2019 - Decks no TOP8

    Liga Impetus 13/07/2019 - Decks no TOP8

    por Amilskul em 18/07/2019 - 194 Visualizações, 0 Comentários.

    Fala galera,



    Nesse artigo você encontra todos os decks do TOP8 da Liga Impetus realizada em 13/07/2019.



    E se quiser ler o report feito pelo campeão, só clicar no link!



    O Grande Campeão



     



    Segundo Colocado



     



    Terceiro e Quarto Colocados



     



     



    E pra fechar o Top8



     



     



     



     



     



    Espero que tenham gostado da Liga Impetus e fiquem ligados que a próxima etapa já está no forno!



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  • Boletim dos Artesãos - Banimentos e a Estréia de M20

    Boletim dos Artesãos - Banimentos e a Estréia de M20

    por artesaosdomagic em 15/07/2019 - 255 Visualizações, 0 Comentários.

    Olá e sejam bem-vindos a mais um Boletim dos Artesãos, que entrega a você o que de mais importante ocorreu no mundo de Magic: the Gathering na última semana. E nessa edição temos muitos formatos se adaptando a um novo paradigma seja por banimentos ou pelo lançamento da coleção mais recente, a Coleção Básica de 2020, então vamos logo saber o que aconteceu.



    Banimentos no Modern



    Na segunda-feira passada ocorreu mais um Anúncio de Banidas & Restritas, e foi um dos mais aguardados dos últimos tempos já que o Hogaak BridgeVine não saía da boca do povo, você até pôde ler um pouco sobre o deck aqui mesmo em boletins anteriores. Além disso esse é o anúncio que precede o Campeonato Mítico IV, físico, cujo formato será justamente o Modern, onde o deck dominava.



    Bom, a expectativa de fato se cumpriu e uma das peças chaves do deck, que inclusive está evidenciada no próprio nome dele, foi banida do Modern, a Ponte das Profundezas. A justificativa não poderia ser mais clara: o Hogaak BridgeVine era um deck que vencia muito, mais de 60% de suas partidas no Magic Online, muito rápido e com poucas partidas desfavoráveis, o que foi confirmado pelos dados da Wizards. Além disso, seu crescimento em popularidade, pegando um pouco do medo do Dredge, obrigava os oponentes a carregar pacotes imensos de cartas anti-cemitério, às vezes até mesmo no deck principal.



    Carta Ponte das Profundezas



    A Wizards conta que várias cartas foram consideradas para o banimento além da Ponte, como o Altar of Dementia  e o próprio Hogaak, Arisen Necropolis, mas que a Ponte era a carta mais provável de se ver numa posição problemática novamente. Por não custar mana e simplesmente precisar de ser enviada ao cemitério para começar a criação de Zumbis, a carta seria uma preocupação a cada lançamento que tivesse sinergia com o cemitério, eventualmente se tornando poderosa de novo.



    Sem os Zumbis providos pela ponte para convocar Hogaak o deck vê seu combo para “millar” seu oponente, isto é, colocar todas as cartas do grimório em seu cemitério, muito enfraquecido, talvez até fraco demais para o formato. O deck já existia antes há algum tempo, até mesmo versões antes da Ponte ser descoberta, mas vai precisar ser retrabalhado para que mantenha sua posição no topo do formato.



    Banimentos no Commander



    Também na segunda-feira passada tivemos também um Anúncio de Banidas, assim como uma atualização no Documento de Filosofia do Commander e, pegando muitos de surpresa, tivemos uma mudança na Lista de Banidas e Restritas do formato, com Motor do Paradoxo e Iona, Escudo de Emeria, banidos e Servo do Pintor desbanido. A última mudança desse tipo havia acontecido há um bom tempo, em 2017, quando Leovold, Emissary of Trest foi banido e Protean Hulk desbanido.



    O Commander é primariamente um formato casual e multi-jogadores reconhecido e sancionado pela Wizards, mas comandado por um grupo independente chamado de Comitê de Regras, que decide, entre outras coisas, as cartas que serão banidas no formato. De uma forma geral as cartas que o comitê vê como uma ameaça à experiência positiva de Commander que eles vizualizam são banidas. E para esclarecer qual é a visão desse grupo para o formato, de tempos em tempos o Documento de Filosofia do Commander é atualizado.



    No Documento o Comitê reforça a natureza casual do Commander, já na primeira frase: “Commander é um formato para a diversão”. Nele os jogadores se unem numa forma de contrato social em que a experiência de todos é considerada nas jogadas feitas e na forma em que se constrói o deck. Também é reforçado que a Lista de Banidas do formato não busca regular as variantes competitivas nem o nível de força das cartas e decks, e sim, visa a experiência geral do formato. Ele finaliza dizendo que o formato pode ser quebrado, com jogadas abusivas, mas eles acreditam que o jogo é mais divertido se isso não acontece.



    Quanto aos banimentos, o Paradox Engine é uma carta que pode ser incrívelmente quebrada mesmo em decks que não se dedicam a ele, tendo um potencial imenso para gerar combos e recursos imensuráveis a partir de um campo que, a priori, seria inofensivo. O custo de inserí-lo no deck é basicamente nulo, já que ele usa de cartas que você é naturalmente incentivado a jogar, e ele pode ser jogado em qualquer combinação de cores, por ser um artefato incolor. Por isso Motor do Paradoxo foi banido. 



    Iona, Shield of Emeria , é uma carta que gera uma experiência negativa assim que entra em campo de batalha essencialmente proibindo os oponentes de usarem seus decks, especialmente se eles forem mono-coloridos, sem o benefício de uma aplicação positiva no jogo, isso é tudo que ela faz. Seu custo de mana elevado não é um empecilho nem ajuda a balancear seu uso, já que sabemos a facilidade que é reanimá-la para o campo de batalha.



    O desbanimento de Painters Servant  se deu, pois o comitê avalia agora que há mais formas de usar a carta de uma maneira criativa e divertidas do que de maneiras abusivas.



    Motor do Paradoxo e Iona banidos, Servo do Pintor desbanido



    A Estréia de M20



    E a Coleção Básica de 2020 foi oficialmente lançada e já tivemos alguns eventos para testar este novo formato tanto no Arena quanto no físico. A expectativa é que a coleção consiga fazer boas alterações no cenário do Metagame que até agora era controlado por planinautas, se não em decks, pelo menos em cartas chaves.



    No entanto, se olharmos apenas o vencedor do Fandom Legends, torneio semanal que acontece na Twitch pelo Magic Arena, ficaríamos bastante decepcionados. Brian Braun-Duin foi o campeão com o deck Esper Hero, deck já bem conhecido que foca no Hero of Precinct One  e cartas multi-coloridas na forma de remoções e planeswalkers. As únicas cartas da nova coleção usadas por Braun-Duin foram duas cópias Temple of Silence em sua base de mana.



    Já seu oponente na final, Javier Dominguez, mergulhou de cabeça em M20 e estava jogando com um Temur Elementais, que foi basicamente criado só com cartas novas. A peça chave do deck é Risen Reef  que, com os outros elementais do deck acaba gerando uma vantagem de cartas imensa além de um ramp incrível, o que justifica os 24 terrenos do deck. Depois o deck pode fechar o jogo com um Omnath, Locus of the Roil , que pode entrar antes, fortalecendo os elementais, ou depois, dando dano direto, ou um poderoso planeswalker como Chandra, Awakened Inferno  e Nissa, Força Vital .

     



    O deck também apareceu no Star City Games Open de Worcester, ficando em terceiro lugar. A prata e o ouro ficaram com outros decks conhecidos, mas estes não ficaram intocados como o Esper Hero. O Mono-Blue Aggro de Ross Meriam adotou o Spectral Sailor  como mais um de seus Flying Men  e também um uso para os terrenos no fim do jogo. Do sideboard pode sair também Cerulean Drake , para ajudar em partidas contra os decks vermelhos.



    O Drake, no entanto não foi o suficiente, já o Mono-Red Aggro foi o grande vencedor do torneio, pilotado por Aaron Barich. Ela leva em seu deck de novidade Ember Hauler  como mais uma ameaça que entra cedo e pode ser sacrificada por dano direto. Além disso temos em seu deck Chandra's Spitfire  que pode gerar quantidades imensas de dano mesmo em um campo vazio. Do sideboard temos Fry , que pode lidar com aqueles planeswalkers irritantes do oponente, e Chandra, Acólita da Chama .



    E assim terminamos mais um Boletim dos Artesãos. Os formatos já começam a se ajustar às mudanças e poderemos ver um novo Metagame surgindo a partir delas. O que você achou do banimento no Modern? E no Commander? E acha que esse novo deck de elementais de M20 chega longe no Standard? 



    Sinta-se livre para nos contar usando a seção de comentários. Você também pode nos alcançar por nossa página no Facebook ou Twitter. Obrigado pela leitura.



    Thiago Santos dos Artesãos do Magic


  • Um Nexus da Pesada!

    Um Nexus da Pesada!

    por Corso em 14/07/2019 - 406 Visualizações, 4 Comentários.

    E aí pessoal, eu sou o Marcos Corso, jogo magic desde 1998, mas competitivo há 04 anos, quando comecei a participar de Grand Prix (Magic Fest) e Qualificatórios, e agora o nosso querido Magic Arena, onde neste dia 13 de julho tivemos a 3ª Etapa Classificatória da Liga Impetus e pude me sagrar campeão, após 06 rodadas do suíço mais um top 08 espetacular! Um grande evento muito bem organizado e com excelentes jogadores!





    O deck que escolhi foi o Simic Nexus (calma, não é aquele que joga infinito turnos e não faz nada), com Nissa, Who Shakes the World  e a temática Elemental como forma de rampar e de ganhar tempo contra decks focados em criaturas. Assim, cartas como Leafkin Druid e Risen Reef  ajudavam a rampar ou gerar card advantage, e cartas como Cavalier of Thorns entrava para estabilizar o jogo e gerar valor em uma eventual troca, visto que você pode trazer bombas como Krasis Hidroide do seu cemitério.



    Além da temática elemental, que serve de ramp e consegue equilibrar o jogo contra decks aggros, o deck possui a shell de Nexus of Fate  + Tamiyo, Field Researcher, que consegue filtrar seu deck em busca das respostas e após um tempo você consegue fazer dois, três, quatro Nexus enquanto agride seu oponente com uma Hidra gigante ou desenvolve o board por meio da geração de mana extra da Nissa.



    O Plano de Sideboard é bem tranquilo. Geralmente sai as 4 Growth Spiral e entram cartas para proteger as peças principais como Veil of Summer, ou para segurar o jogo ou gerar vantagem como Ripjaw Raptor e Mass Manipulation  (esta excelente contra controle para roubar o Teferi, Time Raveler), ou então para lidar com aquilo que pode ser muito prejudicial, como Aether Gust  e Cerulean Drake, ótimas contra Mono Red, Phoenix, Wilderness Reclamation e outras ameaças.



    Abaixo vou falar um pouco de cada partida do Suíço, deixando o enfoque maior para o TOP 8.



    Rodada 1: vs Mono Blue Tempo (2-0)



    Uma partida bem interessante, onde G1 tomei diversos counters, oponente me deixou a um de vida e não conseguiu finalizar o jogo depois que fiz uma Hidra 5/5, onde estabilizei o board, encontrei Tamiyo, Field Researcher e consegui virar uma game quase perdido. G2 o oponente mulligou e não conseguiu desenvolver o board, enquanto a temática elemental se sobrepôs, gerando muita vantagem e dominando o jogo.



    Rodada 2: vs Simic Flash (2-1)



    Uma das piores matches de se jogar contra, pois seu oponente só joga no seu turno, ou anulando suas principais spells, ou fazendo criaturas com evasão como Spectral Sailor ou que geram valor como Nightpack Ambusher que gera uma ficha de lobo 2/2 em todo turno do oponente quando ele não fizer mágicas. Assim ele vai desenvolvendo o board no seu turno, enquanto na mão tem respostas para quase todas as suas mágicas. G1 meu oponente teve um certo flood, o que me possibilitou desenvolver o jogo e ganhar fazendo vários Nexus of Fate. G2 meu oponente veio com uma mão muito boa e jogou sem deixar margem para conseguir responder suas spells com Veil of Summer ou Aether Gust . G3 meu oponente teve de mulligar a 4 e quase conseguiu voltar pro jogo, mas aí consegui encaixar uma hidra gigante e gerou muita vantagem e um corpo que ele não conseguiu responder com Merfolk Trickster ou Unsummon.



    Rodada 3: vs Simic Flash (0-2)



    Lista um pouco diferente da anterior, porém com mais anulações, como Frilled Mystic e Syncopate, que fez uma grande diferança no G1, quando tive um Cavalier of Thorns anulado pra x=1, o que me possibiltaria estabilizar o board e começar a agredir meu oponente. G2 tive de mulligar a 05 e não tiver minhas 03 primeiras mágicas do game anuladas, sendo que em seguida o oponente fez um Nightpack Ambusher e aí sentou em cima dele com suas anulações e bounces, dominando o jogo. Este deck tem ganhado grande notoriedade e vem sendo utilizado pelos profissionais em níveis altíssimos de competitivo. Assim, sugere-se estudar uma variedade de sideboard para se defender melhor nesta partida, talvez Spell Pierce e Essence Scatter pro early game e um Commence the Endgame pra fazer no passe e gerar vantagem.



    Rodada 4: vs Jeskai Super Friends (2-0)



    Aqui foram dois games bem tranquilos. G1 oponente fez um Deafening Clarion no começo que até deu uma sobrevida, mas já havia comprado muitas cartas então consegui retomar o jogo e finalizar a partida com os elementais da Nissa. G2 enquanto eu rampava, meu oponente fazia planeswalkers, como Narset, Parter of Veils , Teferi, Time Raveler e Sarkhan the Masterless  porém, vindo do sideboard um Mass Manipulation pra x=2 foi suficiente pro oponente conceder na hora.



    Round 5: vs Naya Feather (2-0)



    Uma partida que bem estranha de jogar, pois se o Naya conseguir ter um início sólido e aumentar o corpo dos seus bixos, como o Tenth District Legionnaire e deixar uma Feather, the Redeemed protegida, dificilmente você consegue evoluir o board em tempo de fazer diversos Nexus of Fate para retomar a partida. Neste caso específico, G1 meu oponente estava com larga vantagem até que consegui fazer uma Hidra pra x=5, ganhar um pouco de vida e ter um blocker pra Feather. G2 um ramp cedo me levou a ter um Cavalier of Thorns no early, estabilizar o board enquanto meu oponente não conseguia achar suas criaturas, gastando seus recursos para matar minhas Nissas, até que consegui manter uma na mesa, fazer uma Hidra gigante e um Nexus of Fate pra selar o caixão. Destaque pra Aether Gust que pode ser uma boa resposta contra Domri's Ambush e outras cartas de vantagem do oponente, fazendo um 2 por 1 e ganhando tempo.



    Rodada 6: vs Simic Nexus (1-2)



    Aqui um mirror, mas a versão do oponente era com Wilderness Reclamation, Search for Azcanta // Azcanta, the Sunken Ruin e Root Snare , ou seja o Nexus combo, focado em flipar Azcanta, achar muitas cartas enquanto desvira seus lands e continua cavando o deck atrás dos Nexus of Fate. G1 meu oponente acabou errando nos cálculos e em vez de fazer mais um Nexus, optou por comprar cartas, e na volta consegui dar letal nele. G2 e G3 o deck dele funcionou como é pra funcionar, prevenindo danos, flipando Azcanta e consegui anular minhas maiores ameaças, depois com uma Tamyio selou as vitórias.



    TOP 8



    Quartas de Final: vs Simic Nexus (2-0)



    A revanche! Diferente dos G2 e G3 da rodada anterior, aqui o deck do meu oponente não conseguiu evoluir em ambos games, o que me deu tempo para desenvolver a mesa e imprimir muito dano e card advantage. Foram dois games bem apertados, onde a Nissa, Who Shakes the World fez toda a diferença ao meu lado.





    Semi-final: vs Ancetral Blade (2-0)



    O clássico MonoWhite com algumas alterações, como Ancestral Blade e Raise the Alarm. G1 o oponente desenvolveu muito rápido o board com a Aspirante a Marchadora Celeste, Marechal de Benália e Loxodonte Venerado, enquanto um Tomik, Advoquista Distinto me impedia de transformar os meus lands em elementais 3/3 com a Nissa, Who Shakes the World. Pelo chão eu conseguia me defender, porém a Aspirante batia 4 por vez pelo ar, até que me deixou com 4 pontos de vida e consegui encontrar um Krasis Hidroide, que me deu vida, cartas e um corpo pra me defender da Aspirante. A partir daí, estbilizei o jogo onde meu late game é muito superior ao do oponente, pois enquanto ele comprava drops 1 eu comprava Tamyio, Cavaleiros e Nexus of Fate. G2 o jogo se desenvolveu de forma muito semelhante, porém meu oponente não conseguia me atacar, em razão de eu ter rampado cedo e ir fazendo um Cavalier of Thorns atrás do outro, situação que me gerou muita vantagem. O toque final foi um Mass Manipulation pra x=2 roubando a única criatura com voar e um Marechal.



    Final: vs Orzhov Vampires (2-1)



    Uma partida memorável.



    O Orzhov do opnente é um deck que tem uma lista bem resiliente, cheia de recursos e cartas como Legion LieutenantSorin, Imperious Bloodlord e Knight of the Ebon Legion conseguem impactar muito o board, crescendo rapidamente o poder da mesa e o Sorin é um grande finisher gerador de vantagem, pois consegue colocar um Champion of Dusk turno 3 comprando de 2 a 3 cartas.



    No Game 1 fui atropelado pelo oponente. Neste game apenas fiz ramps e não encontrei nada pra ao menos ganhar tempo, como um Cavaleiro ou uma Hidra e morri fazendo 2 Nexus seguidos pra tentar encontrar alguma coisa, mas sem êxito algum. Enquanto isso meu oponente com um Adanto Vanguard e um Sorin, Imperious Bloodlord conseguiu evoluir o dano, enquanto sacrificava outros drops baixos pra matar meus Risen Reef, que poderiam ajudar a desenvolver o board.



    No Game 2 um jogo onde meu oponente não conseguiu pressionar muito e eu consegui estabilizar logo. Meu oponente trouxe Duress e tirou logo cedo uma Tamiyo, Field Researcher minha, me deixando apenas com um Nexus na mão e muito ramp na mesa. Em seguida entrou o Sorin, Imperious Bloodlord e já conseguiu matar um mana dork meu. Mas do topo deck veio uma Nissa, Who Shakes the World que deu um fôlego. Enquanto isso, meu oponente seguia sacrificando vampiros e matando meus mana dorks. Meus ataques basicamente eram no Sorin do oponente para não deixar o jogo desequilibrar. Até que um Risen Reef seguido de um Cavalier of Thorns geraram bastante valor e meu oponente concedeu, sabedor que eu tinha um Nexus of Fate na mão ainda para finalizar a partida em seguida.



    O Game 3 foi um jogo de muita emoção. Acabei abrindo duas mãos horríveis e tive de mulligar a 05, o que é extramemente ruim com um deck que tem remoções e descartes. Meu oponente abre com um Adanto Vanguard seguido de uma Legion Lieutenant, enquanto eu faço 02 Leafkin Druid, onde um acaba morto e meu oponente titubeia em matar o outro antes de eu receber a prioridade no turno 04. Assim, consegui descer um Cavalier of Thorns, dar um ramp, mas logo foi removido pelo oponente. Seguido meu oponente faz mais uma Aspirante a Marchadora Celeste e eu faço outro Cavalier of Thorns e continuo rampando e tentando estabilizar o jogo, com 06 de vida. No turno do meu oponente ele comprou land apenas, me atacou e optei por matar a Aspirante e ir a 02 de vida, sabendo que poderia ser finalizado por um Sorin a qualquer momento. O jogo segue com eu fazendo uma Nissa, Who Shakes the World e um Risen Reef enquanto meu oponente compra outro Adanto e lands. Aí em algumas trocas talvez equivocadas do meu oponente, acabou perdendo o fôlego, pagando muita vida pra manter os Adantos vivos enquanto tentava me agredir e a Nissa acabou fazendo o que faz de melhor: ser implacável.



    E assim eu ganhava meu primeiro torneio de Magic Arena, que não veio de sorte, veio de muita dedicação, estudo e amor por esse jogo espetacular, que já me gerou muitas amizades e alegrias.



    Destaque especial do Deck é o Cavalier of Thorns! Juntamente com a Nissa, Who Shakes the World é o MVP do Deck. Além do ramp e da possibilidade de trazer uma bomba do cemitério, tem um corpo gigante, rampa e é um elemental, o que gera valor junto com Risen Reef. Nexus of Fate passa a ser uma carta de menor relevância, mas quando utilizada no momento certo pode gerar muita vantagem ou proporcionar a estabilidade necessária para encaminhar o jogo. Gostei muito do deck e pretendeo desenvolver ele durante esta Season, já que em agosto teremos o IV Mithyc Championship Qualifier pelo Arena, e é preciso estar bem treinado e focado.



    Vou ficando por aqui! Um prazer poder compartilhar essa experiência e espero poder ajudar sempre a comunidade do Magic a crescer e se solidificar.



    Abraço!


  • Boletim dos Artesãos - Fim dos Pro Points e Red Bull Untapped

    Boletim dos Artesãos - Fim dos Pro Points e Red Bull Untapped

    por artesaosdomagic em 08/07/2019 - 222 Visualizações, 1 Comentários.

    Olá e sejam bem vindos a mais um Boletim dos Artesãos, com o que de mais importante aconteceu no mundo do Magic: the Gathering na última semana. Depois do turbilhão de novidades que foi a sequência de lançamentos de Guerra da Centelha, Modern Horizons e da Coleção Básica de 2020, o Magic finalmente deu uma desacelerada e essa semana foi bem calma. Mas isso não significa que não aconteceu nada digno de nota, então vamos logo às notícias.



    Definidos os Finalistas do Red Bull Untapped



    Esse fim de semana ocorreram os Qualificatórios físicos para o Red Bull Untapped em Florença, na Itália, e Bruxelas, na Bélgica. Juntando esses resultados aos Qualificatórios do Arena que ocorreram semana passada já temos os 8 competidores que lutarão em Londres, dia 4 de agosto, por uma vaga no Campeonato Mítico de Richmond.



    Diferentemente dos Qualificatórios no Arena, que ocorreram de forma não presencial e num formato que já não é mais relevante hoje, o Standard de Guerra da Centelha, os Qualificatórios físicos foram transmitidos e nos trazem muito mais dados interessantes sobre o Modern, formato usado, mas que podem ou não ser relevantes, a depender do anúncio de Banidas e Restritas.



    Em ambos as cidades, Bruxelas e Florença, tivemos o deck Hogaak Bridgevine, já comentado num boletim anterior, com a maior fatia do Metagame, em torno de 16%, então parte da história do campeonato era saber se o deck conseguiria transformar sua performance em resultados nestes eventos. Fechando os três decks mais jogados em ambos os classificatórios tínhamos o U/W Control como segundo deck mais popular e o Izzet Phoenix fechando o trio.



    Em Florença, Hogaak, Necrópole Erguida não teve muito sucesso, já que o deck era pilotado por apenas 2 integrantes do Top 8, sendo um deles o jogador da MPL Andrea Mengucci, e ambos foram derrotados nas quartas-de-final para oponentes que jogavam com variações do combo Devoted Druid. Outro jogador da MPL estava presente no evento e também se classificou para as fases eliminatórias, dando à Liga uma taxa de conversão de 100% no torneio. Javier Dominguez pilotava um Izzet Phoenix e teve bastante mais sorte que seu companheiro ao enfrentar os Devoted Druid, vencendo não somente as partidas, mas se sagrando campeão do torneio.

     



    Em Bruxelas o Bridgevine foi um pouco melhor representado no mata-mata, mas não muito, com 3 competidores confiando no deck para vencer o campeonato, sendo um deles outro jogador da MPL, Piotr Glogowski, deixando para trás outros 4 competidores da Liga que não tiveram a mesma sorte. Piotr jogou partidas muito difíceis contra dois U/W Control em sequência, passando para a semi-final, mas ficando por aí. O deck que acabou levando o campeonato foi um antigo conhecido do Modern, o Jund, pilotado por Anton de Smet.

    Deck Jund - Modern

    Anton De Smet 1° Lugar Qualificatório Red Bull Untapped Bruxelas

    Autor: artesaosdomagic

     



    Os oito finalistas dos Qualificatórios se enfrentarão em Londres no Arena com Standard Melhor-de-3 (Bo3). Boa sorte aos competidores! Você vai poder assistir tudo dia 4 de Agosto pelo canal da Red Bull no Twitch.



    Classificados para as finais do Red Bull Untapped



    Fim de Uma Era



    Nas últimas semanas, os Pro Points, fruto do antigo sistema de Pro Players Club, que foi substituído esse ano pela MPL, foram finalizados. Embora tenha passado por mudanças durante seu período de validade o Pro Players Club era como os melhores jogadores de Magic eram organizados desde 2005, então é natural que haja algum sentimento de perda ao vê-lo sendo deixado de lado, ainda mais quando há algumas incertezas sobre o modelo atual.



    Ao ver os maiores detentores de Pro Points de todos os tempos temos um gostinho da grandiosidade do Magic nesse período. Em primeiro lugar ficou o japonês Shuhei Nakamura, que está no Hall da Fama e possui seis Top 8s em Pro Tours e 32 Top 8s em GPs, com sete vitórias, o jogador com mais sucesso neste tipo de torneio. O segundo lugar ficou com o francês Raphael Levy, que também está no Hall da Fama e foi o capitão da equipe francesa que conquistou a Copa do Mundo de Magic em 2013. Além disso ele possui três Top 8s em Pro Tours e 23 Top 8s em GPs, com seis vitórias.



    O terceiro lugar ficou com ninguém menos que Jon Finkel, estadunidense jogador do Hall da Fama que é celebrado como um dos dois melhores jogadores de Magic de todos os tempos, junto com Kai Budde, com 16 Top 8s em Pro Tours e três vitórias. O quarto é o jogador mais apontado para fechar o trio de melhores jogadores de Magic de todos os tempos, que também está no Hall da Fama e detém a posição de jogador de mais sucesso em termos de premiação, com12 Top 8s em Pro Tours, duas vitórias e 24 Top 8s em GPs, também duas vitórias, o brasileiro Paulo Vitor Damo da Rosa.



    Classificação dos maiores detentores de Pro Points na história



    Esperamos que o novo modelo de Jogo Organizado seja tão grande como seu antecessor e continue nos mostrando e premiando jogadores de alto nível, assim como os citados acima.



    Qualificatórios do Arena para o MC V



    Já foram reveladas as informações do Qualificatório do Arena para o Campeonato Mítico V, a ser realizado de 18 a 20 de outubro em Long Beach, Califórnia. A estrutura geral do classificatório permanece a mesma usada anteriormente, com dois dias de competição para os jogadores que ficaram entre os 1000 melhores do Mítico na plataforma tanto no Construído quanto no Limitado, desta vez nas temporadas 1, 2 e 3 de Guerra da Centelha, correspondendo aos meses de Maio, Junho e Julho.



    Logo dos Classificatórios para Campeonato Mítico do Arena 2019



    Os jogadores classificados competirão usando o formato Standard Melhor-de-3. No Dia 1 os competidores jogarão até atingirem 10 vitórias ou 2 derrotas, com os melhores 128 passando para o Dia 2, sendo que os critérios de desempate, caso sejam necessários, são respectivamente maior ranque no Magic Arena, segundo maior ranque, menor número de derrotas no Dia 1 e finalmente momento das derrotas no Dia 1, com quem perdeu mais tarde se classificando.



    No Dia 2 serão sete rodadas de um suiço modificado, com os jogadores de campanha 5-0 e 5-1 se classificando, os de três derrotas eliminados, e ambos sendo retirados da competição à medida que ela avança. Os decks usados devem ser os mesmos do Dia 1.



    Se você está na dúvida se é mesmo possível sair do Magic Arena para o cenário competitivo mundial, lembre que Matias Leveratto, campeão do Campeonato Mítico III em Las Vegas, se classificou através da plataforma.



    A Espera pelo Anúncio de Banidas e Restritas



    Hoje ocorre mais um anúncio de Banidas e Restritas e todos estão ansiosos para saber o que será do Modern. Com os decks baseados no cemitério e que oferecem condição de vitória tão cedo como turno 2, liderados pelo Hogaak Bridgevine, ganhando tanto destaque muitos esperam um banimento para enfraquecê-los. Outros acham que os resultados apresentados não são fortes o bastante para que um banimento seja necessário. Dependendo de quando você esteja lendo é provável que você já saiba o resultado, então nos diga, o que achou?



    E assim finalizamos mais um Boletim dos Artesãos. O que você espera dos próximos campeonatos do Arena, Red Bull Untapped e Campeonato Mítico V? E o futuro do Modern com mais esse anúncio de Banidas e Restritas? Sinta-se livre para nos contar usando a seção de comentários. Você também pode nos alcançar por nossa página no Facebook ou Twitter. Obrigado pela leitura.



    Thiago Santos dos Artesãos do Magic


  • Yawgmoth, o mais temível vilão da história do Magic!

    Yawgmoth, o mais temível vilão da história do Magic!

    por lfgcampos em 02/07/2019 - 248 Visualizações, 0 Comentários.



    O Pai das Máquinas. O Inefável. O Lorde das Trevas. O Oculto. O Senhor dos Ermos. Todos esses nomes se referem ao mesmo personagem, um dos mais fortes da história se não o mais forte, chamado Yawgmoth.



    Uns acreditam que ele é um Monstro capaz de inflamar campos com o ollhar, outros que ele é um Senhor com poderes imensuráveis mas para ele apenas uma palavra o define: Deus.



    Yawgmoth, Thran Physician nasceu como um mero mortal durante o reinado dos Thran, o mais avançado povo de Dominária. Por volta de 2000 a 5000 anos antes do nascimento do planinauta Urza, Academy Headmaster, Yawgmoth devotou sua vida à medicina e à arte da cura. Ele acreditava que o corpo humano era um intrigado construto orgânico e que cada doença ou defeito físico era causado por bactérias ou vírus, e não por espíritos malignos. Entretanto, sua genialidade veio junto de uma insaciável sede por poder e da crença de que ele sozinho deveria conquistar tudo.



    As ideias de cura de Yawgmoth eram tão revolucionárias que o levaram a ser exilado pelo Império Thran. A decisão do império era irrevogável e o seu destino estava traçado. Após seu exílio, Yawgmoth vagou por diferentes reinos levando a desgraça onde quer que fosse. Dentre os povos que provaram do seu poder estavam os anões, elfos, minotauros, gatos guerreiros, viashinos e humanos.



    Mas isto foi apenas o começo. Sua vingança contra os Thran era tudo o que importava. Chegaram aos ouvidos de Yawgmoth de que o gênio Glacian, um dos culpados por seu exílio, estava morrendo devido a uma doença que nenhum curandeiro pôde identificar. Yawgmoth percebeu que seu banimento seria revogado se ele descobrisse a causa da doença e a curasse. Ele sorriu e dirigiu-se para a metrópole Thran de Halcyon.



    Yawgmoth fora recebido por Rebbec, arquiteta chefe e esposa do doente inventor. Halcyon não era apenas uma próspera metrópole. A cidade inteira era energizada por uma revolucionária invenção conhecida como powerstones (pedras do poder). Estas powerstones, uma vez carregadas, permaneciam eternamente funcionando.



    Para Yawgmoth, encontrar a cura não significava salvar a vida de Glacian, mas sim dominar o império. Ele sairia como um ancião, um monarca, uma divindade.



    O revolucionário maldito que havia atacado Glacian havia feito isso com uma powerstone falha, construída imperfeitamente por suas mãos pouco capazes. Ele fora resgatado da Caverna dos Condenados e trazido para a enfermaria junto de Glacian, a mando de Yawgmoth. Meses depois ele conseguiu decifrar a causa da doença. Phthisis, como ele a chamava, era causada pelo contato direto com as powerstones. Com o tempo, as perigosas radiações das powerstones enfraqueciam o sistema imunológico humano, levando à mortal doença de que padecia Glacian e outros por todo o império. Yawgmoth compartilhou essa revelação com Rebbec, Glacian e Gix, que também estava infectado.





    Rebbec estava temerosa. Glacian era só acusações. Yawgmoth estava enraivecido. Gix simplesmente gargalhou e tempo depois fugiu, furioso. Yawgmoth e Rebbec compartilharam suas descobertas com o conselho legislativo de Halcyon. Glacian sugeriu que uma votação fosse feita para decidir sobre um novo exílio para Yawgmoth.



    Yawgmoth permaneceu calmo. Ele requisitou um grupo de curandeiros e estudantes para o estudo da phthisis. Os Thran votaram e Yawgmoth conseguiu o que requisitava. Mas não foi tão fácil assim, pois se a pesquisa de Yawgmoth não mostrasse resultados, ele seria banido novamente. Dias depois os curandeiros de Yawgmoth haviam desenvolvido um possível tratamento para a doença. Mesmo que o tratamento não curasse a phthisis, ele ao menos prevenia que ela se espalhasse. Mas essa pesquisa teria que esperar.



    Uma rebelião havia começado. Gix havia retornado com uma horda dos Malditos, todos jurando destruir Halcyon por seus crimes contra eles. Os guardas de Halcyon tentaram conter os Malditos com pouco sucesso. Yawgmoth encarou isso como uma oportunidade velada. Ele capturou um rebelde para testar se o novo tratamento iria funcionar. Os curandeiros ficaram surpresos com os resultados. O tratamento não apenas parou a doença, mas também começou a revertê-la. O rebelde capturado não havia sido curado, mas ele estava em condições melhores. Entretanto, o enfermo não teve oportunidade de agradecer Yawgmoth. A futura divindade o assassinou logo após o tratamento ser administrado.



    Yawgmoth pegou uma liteira voadora e foi ao Templo Thran, onde encontrou  Gix e seus fiéis rebeldes. Yawgmoth prometeu a Gix o tratamento se ele parasse o ataque. Após Gix injetar o soro em si mesmo e perceber os resultados favoráveis, ele concordou com a barganha de Yawgmoth.





    Yawgmoth foi imediatamente elevado à posição de herói local. Ele havia encontrado o tratamento para a doença que estava arruinando os Thran. Ele havia parado a rebelião dos Malditos. E trabalhou para encontrar a cura não apenas para a população Thran, mas também para os, um dia odiados, Malditos. A cidade inteira o acolheu em seus corações. Ele iria se banquetear com esses corações, um por um. O tratamento estava sendo administrado para todos os enfermos, tanto Thran quanto Malditos.



    Glacian, que já estava severamente deteriorado pela doença, mal era afetado pelo tratamento. A doença havia começado a afetar a mente de Glacian, para a tristeza de sua mulher. Rebbec era cada vez mais repelida por seu amado e empurrada para os braços de Yawgmoth. Porém nos anos que se passaram Yawgmoth não foi capaz (provavelmente não quis) de encontrar a cura. O tratamento administrado aos enfermos se tornava cada vez mais ineficaz. A maioria dos curandeiros da cidade estava sob o controle de Yawgmoth que não se importava mais com a doença.



    Durante uma refeição noturna com Rebbec, o arrasado Glacian confrontou Yawgmoth. A mente de Glacian parecia estar dividida ao meio, parcialmente devido à phthisis, parcialmente devido à sua própria genialidade. Ele revelou seus planos de abrir portais para novos mundos, mundos infinitos que estavam dormentes dentro de cada powerstone carregada. A ideia podia ser insana, mas, ao mesmo tempo, parecia completamente plausível.



    Yawgmoth teve pouco tempo para entender o significado dessa descoberta antes de Glacian o interromper com a repetição de suas ideias, sem perceber que já havia manifestado-as. Rebbec ficava cada vez mais preocupada com a saúde de seu marido e Yawgmoth ficava cada vez mais preocupado com Rebbec. No entanto, meses mais tarde, Rebbec se sentia pronta para entregar-se voluntariamente para Yawgmoth. Mas o jogo estava terminando rápido demais. A única preocupação genuína que Yawgmoth tinha era com si próprio.



    Um dia, tudo mudou. Yawgmoth começou sua longa viagem, saindo de seu estado mortal para o de uma divindade. Ao inspecionar a forma doente de Glacian, Yawgmoth percebeu que uma espécie de feiticeiro estava visitando o gênio. Yawgmoth encontrou uma mulher com imenso poder conversando com o enfermo Glacian. Essa mulher, Dyfed, declarou abertamente ser uma planinauta, alguém que podia manejar a magia como se fosse um deus.



    Yawgmoth não acreditou, para aborrecimento de Dyfed. A deusa levou Yawgmoth para o distante plano de Phyrexia para mostrar a ele que falava a verdade. As coisas não podiam estar melhores para Yawgmoth. Ele havia conseguido a lealdade de uma cidade inteira. Logo, ele buscaria controle sobre toda a existência...






    Esse texto eu já havia escrito há muito tempo e apenas revivi ele depois do ótimo vídeo criado no canal da Wizards!



  • Boletim dos Artesãos - Pauper Unificado, Histórico e GPs

    Boletim dos Artesãos - Pauper Unificado, Histórico e GPs

    por artesaosdomagic em 01/07/2019 - 271 Visualizações, 0 Comentários.

    Olá e bem-vindos a mais um Boletim dos Artesãos, trazendo o que de mais importante aconteceu no mundo de Magic: the Gathering nesta última semana. No Boletim de hoje temos mudanças em formatos amados, criação de novos formatos e mais um uptade ao Jogo Competitivo, desta vez ao calendário de GPs do último quarto deste ano. Então vamos a eles!



    Pauper Finalmente Unificado



    Depois de muitos anos e muitos pedidos por parte dos jogadores o Pauper finalmente teve suas versões físicas e digitais unificadas em um único formato, o que inclui a regra de legalidade, ou seja, as cartas disponíveis para jogo, e a lista de Banidas e Restritas.



    Se você por algum motivo não conhece o formato, o Pauper foi criado primeiramente no Magic Online (MOL), sendo um formato que só permitia o uso de cartas da raridade Comum da plataforma, e logo conseguiu uma comunidade bastante ativa. A Wizards, no entanto, não o considerava um formato oficial de Magic, tanto que, por algum tempo, uma das poucas maneiras de se jogar Pauper na plataforma era pelas ligas casuais.



    Isso não impediu que o formato continuasse ganhando adeptos e eventualmente fizesse seu pulo para o Magic físico, mas nesse ponto um empecilho surgiu: deveria se considerar apenas as cartas Comuns no MOL ou incluir as do jogo físico também? E a Banlist, deveria ser mudada? Acabou que essa decisão era tomada individualmente por cada evento, com a maioria deles permitindo também o uso de cartas que só eram Comuns no jogo físico. Isso criou uma divisão clara entre o Pauper Físico, em que cartas como Granada Goblin eram permitidas, e o Pauper jogado no MOL.



    Mas isso finalmente acabou com o anúncio da última quinta-feira, pois a Wizards, além de decidir unificar as duas versões, deu ao Pauper o estado de formato oficial de Magic, o que significa que ele pode ser usado em qualquer evento sancionado, seja em lojas locais ou em campeonatos grandes.



    Para que isso seja possível a legalidade do Pauper está sendo expandida para incluir qualquer carta que tenha sido produzida como Comum em qualquer produto, seja ele físico ou digital. Isso criará uma entrada de mais de 400 cartas que não estão ainda no MOL. Essas cartas serão gradualmente adicionadas à plataforma com prioridade aos pedidos da comunidade, então, se você quer jogar com alguma carta o mais rápido possível, envie seu pedido para MagicOnlineFeedback@wizards.com.



    Quanto à lista de Banidas e Restritas, três cartas foram preventivamente banidas: Sinkhole, Hymn to Tourach e High Tide. O formato será acompanhado para averiguar se mais banimentos serão necessários, mas o plano é deixar o formato evoluir e os jogadores se acostumarem com o novo estado do formato antes de fazer qualquer mudança.



    Sinkhole, High Tide e Hymn to Tourach banidas no Pauper



    O Histórico está Chegando



    Quinta-feira passada foi mesmo um dia recheado de novidades, pois além do anúncio do Pauper, tivemos também mais um Estado do Beta do Magic Arena, antecedendo a atualização do dia 2 de Julho, que incluirá a Coleção Básica de 2020 na plataforma. No entanto, mesmo com alguns anúncios que entram em ação já semana que vem, que você pode ler no artigo oficial ou em nosso Twitter, o que chamou mais a atenção dos jogadores foi a preparação que a plataforma está fazendo para enfrentar a rotação, quando Ixalan, Rivais de Ixalan, Dominária e a Coleção Básica de 2019 deixarão o Standard.



    Essa será a primeira vez que o Arena verá coleções saírem do Standard, já que a última rotação coincidiu com a transição entre Beta Fechado e Beta Aberto, que limpou a conta de todos os usuários. Com a promessa de que nenhuma limpeza será feita no futuro próximo do Magic Arena, há a necessidade de se criar uma forma de os jogadores usarem suas cartas que não são legais no Standard. Para isso um novo formato será criado e ele foi chamado de Histórico.



    O Histórico será o formato não-rotacional do Arena, permitindo que o jogador use qualquer carta que esteja presente na plataforma, exceto as que estão na lista de Banidas e Restritas, que será independente, mas ainda não foi revelada. A princípio ele será, como dissemos, apenas uma forma de os jogadores usarem suas cartas, então será oferecido de forma casual, tanto nas opções Melhor-de-3 e Melhor-de-1, e associado aos outros formatos casuais da plataforma, como Singleton, Momir e Pauper. Ou seja, nada de ranqueado para o formato.



    A princípio o formato será quase que exatamente como o Standard atual, a única mudança sendo a inclusão da coleção de outono deles, nossa primavera, de codinome “Archery”, sendo que nenhuma outra coleção será adicionada ao Arena por enquanto. As coleções dos blocos de Kaladesh e Amonkhet, que já estão programadas na plataforma e puderam ser usadas no Beta Fechado, terão que esperar mais um pouco até seu retorno, pois os desenvolvedores veem que o Histórico já será um formato “pesado” em seu início e é melhor dar tempo para que ele evolua. Enquanto a adição dessas coleções é uma questão de tempo, não há planos para a inserção de sets mais antigos que isso.



    O anúncio pegou muitos de surpresa por ser feito com tanta antecedência da rotação, mas de todo modo já era esperado, já que os usuários estavam ansiosos em saber o que aconteceria com suas cartas quando o evento chegasse, e recebeu reações mistas, sendo que mesmo antes de ser lançado, o Histórico já recebe sua cota de críticas.



    A maioria delas é direcionada a natureza casual do formato. Os jogadores apontam que não haverá incentivo algum em jogar o Histórico, sendo que ele será tão parecido com o Standard e este último te dará recompensas infinitamente superiores, incluindo um caminho para a classificação para um Campeonato Mítico. Outra crítica forte é quanto a decisão de não incluir nenhuma outra coleção ao formato imediatamente, visto que o Standard será um formato estável e resolvido nas vésperas da rotação e a inclusão de apenas uma coleção, a “Archery”, provavelmente não terá impacto suficiente para mudar isso.



    Há muito tempo ainda para a rotação, tempo suficiente para que ajustes sejam feitos no Histórico. Vamos aguardar e ver como a equipe do Magic Arena responde ao feedback inicial que o formato recebeu.



    Calendário de GPs Atualizado



    Os formatos das MagicFests do quarto trimestre de 2019 foram anunciados pela ChannelFireball, organizadora dos eventos! Haverá muito Limitado e Standard nos meses de Outubro e Novembro, que sucedem o lançamento do já citado aqui set “Archery” o que inclui o MF São Paulo em 16 de novembro, cujo formato será Standard.



    Fora isso a grande curiosidade é a MF de Bolonha que será jogado no formato Legacy, quase uma raridade hoje em dia. A pouca presença de Modern no quarto trimestre, somente na MF Columbus, pode ser explicada pela grande presença do formato no terceiro trimestre, muito em virtude do lançamento de Modern Horizons. Além disso uma MF, a de Portland, continua com formato misterioso. Qual será ele?



    Calendário de GPs para o quarto trimestre de 2019



    E acaba aqui mais um Boletim dos Artesãos com muitos questionamentos para o futuro próximo. Qual das cartas recém-adicionadas você vai construir primeiro no Pauper? E seria a MF Portland a primeira com o formato Pauper no evento principal? O que acha do novo formato, Histórico? Sinta-se livre para nos contar usando a seção de comentários. Você também pode nos alcançar por nossa página no Facebook ou Twitter. Obrigado pela leitura.



    Thiago Santos dos Artesãos do Magic


  • Boletim dos Artesãos - Grandes Retornos no Campeonato Mítico III

    Boletim dos Artesãos - Grandes Retornos no Campeonato Mítico III

    por artesaosdomagic em 24/06/2019 - 212 Visualizações, 0 Comentários.

    Bem vindos a mais um Boletim dos Artesãos trazendo para você o que de mais importante aconteceu no Magic na última semana e hoje o assunto principal não poderia deixar de ser o Campeonato Mítico III que ocorreu este fim de semana em Las Vegas.



    A Conquista de Matias Leveratto



    Matia Leveratto se sagrou vencedor do Campeonato Mítico III com uma incrível performance com seu deck Simic Ramp. O jogador era sem dúvida a maior história de superação no evento. Ele já foi um jogador de alto nível na Argentina no começo da década, mas não obteve sucesso internacional. Ele até conseguiu se classificar para o Pro Tour Khans de Tarkir, em 2014, mas terminou a competição com um decepcionante 9-7 depois de estar com um 9-2 no começo do evento e acabou deixando a cena competitiva. Isso mudou, entretanto, com o lançamento do Magic Arena. Matias começou a jogar no programa e eventualmente conseguiu uma vaga para o Qualificatório do Magic Arena, acabando como um dos 16 competidores qualificados para o Campeonato Mítico pela plataforma. Mesmo assim ele seria um azarão em cada uma das fases do campeonado, mas não se deixou abalar. 



    No Dia 1 da competição ele mostrou que ainda lembrava como vencer ao conquistar uma campanha de 6-1 perdendo somente para Greg Orange, campeão do Pro Tour do 25º Aniversário e invicto até então na competição, avançando ao Top 16 de eliminação dupla. No Dia 2 seu caminho para o Top 4 foi espinhoso, mas ele conseguiu avançar passando por grandes nomes, como Lee Shi Tian e Ken Yukuhiro, novamente perdendo somente uma partida, desta vez para Brad Nelson, que o enfrentaria novamente na fase seguinte. Mas ele assegurou a classificação e se viu como o jogador de menor nome, menor sucesso num Top 4 fortíssimo formado por ele, Kai Budde (o Juggernaut), Shahar Shenhar e Brad Nelson. Matias continuou avançando no domingo, vencendo sua primeira partida contra Shahar e sua segunda, a revanche contra Brad Nelson, o que o classificou para a final do evento.



    Seu oponente na final seria o mesmo Brad Nelson que já tinha enfrentado duas vezes no torneio e pilotava o deck Esper Hero. Brad era um oponente formidável, um especialista no Standard, que entrou direto no Dia 2 do evento ao ganhar invicto sua divisão na MPL. Sua única derrota no torneio até então havia sido para Leveratto, sendo que, para chegar à final, ele teve que sobrepujar Kai Budde não apenas uma, mas duas vezes. 



    Os jogos das finais foram extremamente tensos e emocionantes, com Brad vencendo a primeira partida, com um 2-0, e o primeiro jogo da segunda partida de forma dominante. A sorte virou, no entanto, e Matias foi capaz de vencer os dois jogos seguintes para ser o campeão do evento. Dessa forma ele conseguiu extrair absolutamente tudo que uma performance em campeonato o podia prover, sendo convidado para o Campeonato Míticos IV e também para o Mundial de Magic desse ano.



    Matias Leveratto segurando o troféu do Campeonato Mítico III



    O Retorno de Kai Budde



    Depois de Matias, a melhor história do campeonato era o retorno de Kai Budde ao cenário competitivo de Magic: the Gathering. Antes do campeonato começar, e mesmo depois que acabasse, Kai é simplesmente o jogador com o maior número de vitórias em Pro Tour com incríveis 7 deles, num total de 10 (agora 11) Top 8s desse tipo de evento na carreira. Somado a isso ele também conquistou 7 GPs, com 15 Top 8s, 4 títulos de Jogador do Ano e um mais que merecido lugar no Hall da Fama do Magic. Ele é sem dúvida um dos dois melhores jogadores de Magic de todos os tempos, junto com Jon Finkel.



    No entando, indo para esse torneio, ele a princípio, era visto como uma curiosidade, já que vinha de um hiato de 9 anos e foi classificado pelos convites discricionários da Wizards. Ele colocou essas dúvidas todas de lado rapidamente ao avançar para o Top 16 com um 6-1, pilotando um Esper Hero, e começou a mostrar para uma nova geração de jogadores de Magic o motivo de aparecer tão alto na lista dos melhores jogadores.



    No Dia 2, depois de cair uma partida para Shenhar, ele venceu 4 seguidas para conseguir sua vaga no Top 4, o que é de colocar temor em qualquer um, já que pelo ditado "Kai não perde aos domingos". Brad Nelson foi a pedra no caminho de Kai, entretanto, o derrotando duas vezes no Top 4. Não há lugar para disânimo, porém, já que, como um dos 4 desafiantes melhores classificados no torneio, Kai conseguiu vaga garantida no Campeonato Mítico IV, onde esperamos que ele dê mais um show.




    Kai junto a seus companheiros de Top 4
    Kai junto a seus companheiros de Top 4




    Básica mas Poderosa



    Paralelamente ao Campeonato Mítico, estamos no meio da temporada de previews para a Coleção Básica de 2020, que continua ainda, mas deve acabar essa semana. Entre reprints e cartas novas o set tem se mostrado com um nível de poder alto, o que pegou alguns jogadores de surpresa justamente por essa ser uma coleção com um objetivo mais introdutório. Pelo visto isso não impediu o desenvolvimento de colocar mais ameaças de custo baixo, remoções específicas e eficientes, um ciclo de Linhas de Força, que incluem algumas em alta demanda, como a Linha de Força da Santidade e a Linha de Força do Vácuo, e algumas novas, voltar com a mecânica de Proteção, e até mesmo criar um novo terreno que traz a sensação de uma Black Lotus - Lotus Field.





    Isso é uma ótima notícia, por vários aspectos. Por um lado, uma coleção mais forte vende mais boosters o que, com a excessão de cartas específicas de alta demanda, acaba barateando o formato, além de ser um sinal verde para que a Wizards continue a fazer produtos mais fortes. Além disso a coleção tem agora a possibilidade de dar uma chacoalhada no Standard, que está bem estável há algum tempo.



    E assim terminamos mais esse Boletim dos Artesãos e queremos saber: qual foi sua partida favorita no Campeonato Mítico III? E qual carta revelada de M20 você acha que terá o maior impacto? Sinta-se livre para nos contar usando a seção de comentários. Você também pode nos alcançar por nossa página no Facebook ou Twitter. Obrigado pela leitura.



    Thiago Santos dos Artesãos do Magic


  • Boletim dos Artesãos - Hogaak, Chandras e Convites

    Boletim dos Artesãos - Hogaak, Chandras e Convites

    por artesaosdomagic em 17/06/2019 - 275 Visualizações, 1 Comentários.

    Bem vindos a mais uma edição do Boletim dos Artesãos, que traz para você o que de mais importante aconteceu no Magic na última semana. O Boletim de hoje vem bem variado com notícias do Jogo Organizado, cenário competitivo, previews, mudanças em produtos e ainda mais, então vamos começar.



    M20 de Mudanças



    A Wizards anunciou através de seu portal na WPN uma série de mudanças que chega ao Magic com a Coleção Básica de 2020, popularmente conhecida como M20. Algumas dessas mudanças já eram conhecidas há algum tempo, como a estréia dos pré-lançamentos às sextas-feira na parte da tarde, os cinco Decks de Planeswalker presentes na coleção, como é comum às coleções básicas do modelo atual, e a introdução dos pacotes de promos universais, que substituem as promocionais avulsas que antes eram enviadas às lojas para que fossem distribuídas como prêmios aos jogadores. Outras mudanças, no entanto, são recém anunciadas.




    Pacotes de promo universais
    Pacotes de promo universais de M20




    A primeira das novas mudanças que salta aos olhos é o aumento na proporção de foils/não-foils do set, que passa dos tradicionais 1:67 para 1:45. O artigo não detalha se essa é uma mudança permanente ou algo especial para coleções básicas ou mesmo só para M20, mas podemos comemorar que a coleção terá mais foils nos boosters.



    Outra mudança é um upgrade no Bundle com o único item mantido como estava sendo os 10 boosters da coleção. O dado contador de vida que vem no produto agora é maior e no pacote de terrenos, ao invés de 75 não-foil e 5 foil, como foi em Guerra da Centelha, agora temos dois pacotes, um com 20 terrenos foil e outro com a mesma quantidade não-foil. Além disso agora temos uma carta promocional no Bundle, foil e com arte alternativa.



    Algumas outras mudanças também foram anunciadas, como o Fim de Semana de Magic da coleção ser no formato Commander e as lojas WPN Premium começando a testar novos tipos de evento, como o formato Melhor-de-1 e o Draft no pré-lançamento ao invés do Selado.



    Hogaak balança o Modern



    Modern Horizons mal chegou ao Modern e já causa grandes impactos no formato. Enquanto alguns decks ainda fazem ajustes testando as novas cartas e suas combinações dentro do deck ou no sideboard, um concorrente já saiu na frente com resultados expressivos em uma janela curtíssima de tempo. Estou falando do deck Hogaak BridgeVine que abusa da carta que o dá nome Hogaak, Arisen Necropolis



    O BridgeVine é um deck estabelecido no Modern há algum tempo que concentra seus esforços no cemitério, o enchendo com cartas como Pilhagem Infiel e Fornecedora do Suturador, e criaturas que podem ser facilmente sacrificadas, como Insolent Neonate, ou mesmo que vão direto para o cemitério como uma Balista Ambulante conjurada para zero, para encher o campo e tirar valor de criaturas como Trepadeira Vingativa, Terror Sanguinário ou tokens gerados por Ponte das Profundezas o mais rápido possível e ameaçar dano de combate letal tão cedo como Turno 3.



    O deck foi revigorado por Modern Horizons incorporando Comedor de Podridão ao seu pacote de Zumbis, Altar da Demência como uma nova fonte de sacrifícios para suas criaturas e também de encher o seu cemitério e, é claro, Hogaak, Arisen Necropolis, como mais uma criatura com grande poder, um 8/8, que pode ser facilmente recorrido do cemitério em qualquer ponto do jogo, mas mais especificamente no começo.



    Essas adições fizeram o deck dar um salto e se aproximar do topo do formato. No Desafio de Modern do Magic Online de 8 de junho, 8 dos 32 melhores decks eram Hogaak BridgeVine, sendo que ele também representava 2 dos 6 decks invictos no campeonato. Uma amostra do poder do deck que continua colocando resultados na plataforma.



    Interessante notar que esses resultados vêm de um Metagame que já teme muito o cemitério em virtude de decks como o Izzet Phoenix e Dredge. Isso acende o debate sobre banimentos e a carta mais apontada para receber o martelo é a comum Pilhagem Infiel, peça central de todos estes decks. Teremos que aguardar e ver como os outros decks se ajustarão a essa nova posição ocupada pelo Hogaak BridgeVine, mas se as estratégias de cemitério continuarem tão prevalentes e com tanto sucesso no formato a Wizards terá que tomar uma ação.



    Convites para o Campeonato Mítico III



    Essa sexta, dia 21, começa o Campeonato Mítico III, em Las Vegas e a Wizards revelou as informações para o primeiro evento do tipo a usar o Magic Arena. O formato, como já sabemos, será Standard Melhor-de-3.



    Com isso ficamos sabendo quem foram os escolhidos para preencher as 16 vagas discricionárias que foram anunciadas e inseridas no campeonato em adição às outras 52 vagas prévias, 36 para a Magic Pro League, 16 para Desafiantes vindos do Fim de Semana Qualificatório que ocorreu no Magic Arena e as últimas 3 para os campeões do Pro Tour do 25º Aniversário, Allen Wu, Ben Hull, e Gregory Orange. Abaixo a lista dos 16 jogadores convidados.




    • Luis Scott-Vargas

    • Kai Budde

    • Raphael Levy

    • Wyatt Darby

    • Ondrej Strasky

    • Noah Walker

    • Emma Handy

    • Amazonian

    • AnnaMae

    • MuffinPastryPie

    • NessaMeowMeow

    • Sjow

    • Amaz

    • Tersa Pho

    • Nhi Pham

    • Bloody



    A lista é bem variada e apresenta jogadores de sucesso no Magic, incluindo jogadores do Hall da Fama, personalidades da comunidade e também streamers. Importante lembrar que os convites tem o objetivo de aumentar e expandir representatividade do Magic no jogo competitivo. Parabéns e boa sorte à todos os competidores!



    Vale notar também que alguns jogadores se mostraram críticos desse modelo, pois ele escolhe arbitrariamente alguns jogadores para premiar e ganhar Pontos Míticos no campeonato, que serão usados para decidir os competidores do Mundial de Magic ao fim do ano, dando a eles, assim uma vantagem competitiva. A Wizards não fez comentários sobre esse aspecto das vagas.



    O Campeonato Mítico III será transmitido pelo canal oficial da Wizards no Twitch nos dias 21, 22 e 23 de junho a partir das 12:00, horário de Brasília.



    Chandras, Chandras, Chandras



    Outro evento que ocorre essa semana são os previews da Coleção Básica de 2020, que estão acontecendo nesse momento, a propósito. Semana passada já tivemos una pequena prova da coleção quando três Chandras, isso mesmo, três, foram reveladas pelo site io9, mostrando o crescimento da planinauta para se tornar a piromante poderosa que é hoje.



    As Chandras de M20



    Chandra, Acólita da Chama está na raridade Rara e mostra a personagem iniciando sua jornada como uma estudante dos piromantes do plano de Reghata. Chandra, Piromante Novata é a Incomum, e intende mostrar uma Chandra ainda jovem, mas mais experiente e confiante, encontrando sua essência nas ruas da cidade-plano Ravnica. A Mítica é Chandra, Inferno Desperto que mostra a planinauta de Kaladesh como ela é hoje: calma, poderosa e controlada, no comando de suas habilidades.



    Com tantas não poderia ser diferente, mas foi confirmado que Chandra Nalaar será o rosto e o foco de M20. Também foi dito que teremos uma quarta carta da planinauta no set, o que pode significar várias coisas, como ela sendo a promo de Buy-a-Box, como foi Tezzeret em Guerra da Centelha, a nova promo do Bundle ou somente uma referência à carta de seu Deck de Planeswalker. Finalmente, a Wizards conformou que essas Chandras são as únicas cartas de planeswalker fora da raridade Mítica no set.



    Previews de M20



    Já estamos na temporada de previews da Coleção Básica de 2020 e várias cartas serão reveladas ao longo da semana. Para saber onde, quando e por quem esses previews serão feitos, este artigo da Wizards tem a programação completa deles, e será atualizado com o tempo para deixar mais fácil ainda encontrar as novas cartas.



    Há muita coisa acontecendo essa semana entre previews e o Campeonato Mítico III. Para qual você está mais empolgado? O que espera de M20? E pra quem vai torcer no Campeonato Mítico? Sinta-se livre para nos contar usando a seção de comentários. Você também pode nos alcançar por nossa página no Facebook ou Twitter. Obrigado pela leitura.



    Thiago Santos dos Artesãos do Magic


  • Banco Imobili... Pauper

    Banco Imobili... Pauper

    por Buffix em 12/06/2019 - 209 Visualizações, 0 Comentários.

    "Oi meu nome é Buffix, tenho vinte anos e um milhão quarenta e duas mil cartas acumuladas no meu quarto"



    Bom dia novamente.



    Falamos algumas semanas atrás (desculpem a demora, sacomé, faculdade) sobre os bans de Gush, Daze e Gitaxian Probe no pauper e você pode checar o artigo aqui. E como prometido, gostaria de escrever um pouco sobre como um ban impacta o bolso dos jogadores e como lidar com isso. Uma das coisas que comentei semana passada foi que, ao contrário de jogos onlines como Hearthstone, é muito mais difícil mudar um jogo de cartas físico. Dentro de Hearthstone você utiliza "pó arcano" (E sim, existem já infinitas piadas sobre sistema) para criar cards novos e adicionar a sua coleção, assim como temos as Wildcards no Magic Arena. Se por exemplo uma carta é "nerfada" em um jogo online, a empresa se vê na obrigação de alguma forma ressarcir os jogadores que trabalharam duro para terem aquelas cartas. Então em Hearthstone, no caso de cartas épicas e lendárias nerfadas é permitido durante um curto período de tempo desfazer suas cartas pelo custo integral do "pó arcano".



    No caso de um jogo de cartas físico, creio que seja impossível ter alguma coisa similar. E até certo ponto isso traz pontos positivos e negativos. Do ponto de vista negativo, um banimento pode afetar o custo de uma ou mais cartas dentro de um formato como já iremos falar sobre. Do ponto de vista positivo isso que permite Magic ser um Trading Card Game. Imagine poder rasgar cartas 320 comuns para conseguir um Teferi, Hero of Dominaria. Seria um sonho, certo? Mas ao mesmo tempo que seria maravilhoso, isso tiraria um pouco da diversão de pré-releases e drafts em conseguir "aquela mítica da coleção", o prêmio de loteria. Qual graça teria se fosse tão simples adquirir cartas de coleções antigas como Elfos de Llanowar BB ou até mesmo cartas da reserved list se todo mundo as tivesse também? Como uma Black Lotus de Alfa seria tão icônica se não existissem somente 11,000 delas no mundo inteiro? Ser um jogo de cartas físico e possuir flutuações na valor de diferentes papelões é também o que dá identidade a muita dessas cartas. Todos nós conhecemos aquele cara da loja que tem o set de Volcanic Island ou um The Tabernacle at Pendrell Vale e obviamente os chamamos de:





    Agora vamos falar sobre os pontos negativos. No outro artigo disse que algumas cartas também foram banidas durante minha trajetória como jogador iniciado em Ixalan. Observem os gráficos tirados da LigaMagic:





    Ah, Ferocidonte Enfurecido, que falta que você não faz ao T2. O ferocidonte foi um exemplo de como uma carta pode afetar um formato em tão pouco tempo, inibindo estratégias que jogavam contra o vermelho (ganho de vida e extensão de criaturas). Quem comprou a carta beirando os quinze reais em Novembro de 2017 teve um prejuízo de doze reais para os dias de hoje por carta. Sem falar que se trata de uma carta printada em uma edição de formato rotativo.





    O artefato que se tornou um dos melhores decks do Modern: Krark-Clan Ironworks teve seu valor cortado pela metade de Janeiro para Maio deste ano. A impotência de se jogar contra KCI era por não possuir "silverbullets" efetivos com o intuito de interagir com o combo e formas muito eficientes de quebrar hates do sideboard: Explosivos Fabricados, Negate, Nature's Claim



    Bem e as cartas do pauper? Até o momento de escrita desse artigo, GushDaze e Gitaxian Probe não sofreram alterações drásticas de preço. Acredito que o principal motivo por trás disso é o fato do pauper não ser um formato sancionado competitivamente pela WoTC e, portanto, não gera tanto valor de mercado como o modern ou T2. Deathrite Shaman que foi banido no Legacy teve uma desvalorização de cerca de sete reais no total. E então vem a pergunta de 1 milhão de reais: "Mas e os decks? Agora sem Gush e Daze não dá pra jogar com os mesmos decks no pauper". Você não poderia estar mais errado do que eu quando decidi fazer Letras, pequeno gafanhoto. Deixe-me mostrar uma coisa:









    Esses foram os três primeiros colocados do último Pauper Challenge realizado em 10/06/2019. Podemos perceber pelas decklists desse Pauper Challenge que várias listas já estão se adaptando para o formato com Modern Horizons com o uso de cartas como Faerie Seer, Winding Way, Arcum's Astrolabe e Defile. Como falamos semana passada, o novo substituto de Gush foi Accumulated Knowledge encontrado em 3 decks do top 8 com 4 cópias cada (fato divertido: Accumulated Knowledge conta na sua resolução as cópias em TODOS os cemitérios. Só deixando essa dica). Isso demonstra como financialmente o pauper resiste mesmo com o ban de diversas cartas que eram consideradas "essenciais" para as estratégias.



    Sim, a reinvenção desses decks não irá cobrir o prejuízo dos banimentos. Mas até nos formatos eternos como Pauper e Legacy os decks precisam se reinventar de tempos em tempos. Senão é melhor jogar truco. Ou commander (rs). Ah, e decks como Tron e Boros Monarca apareceram de forma consistente no top 8 do Pauper Challenge 27/05/2019, mas podemos perceber que eles não estão se tornando "a única forma de jogar pauper", ainda mais que o deck que apareceu com mais frequência em Maio foi o BW Pestilence, mas vamos falar sobre isso outro dia.



    (Nota do autor: de algum jeito milagroso de Buda Shakyamuni um maluco fez sexto lugar com um Boros Weenie Tron. *suspiro* que mundo maravilhoso)



    Enfim obrigado novamente pela leitura e até a próxima!


  • Boletim dos Artesãos - Fim da Etapa da Centelha e Magic na Netflix

    Boletim dos Artesãos - Fim da Etapa da Centelha e Magic na Netflix

    por artesaosdomagic em 10/06/2019 - 208 Visualizações, 0 Comentários.

    Sejam bem vindos ao primeiro Boletim dos Artesãos, trazido a vocês pelos Artesãos do Magic. Aqui iremos reunir e discutir brevemente tudo o que de mais importante aconteceu na última semana no Magic: the Gathering, incluindo todos os seus aspectos, do jogo competitivo ao casual, do Construído ao Limitado, e também, é claro, as investidas do Magic nas outras mídias.



    Fim da Etapa da Centelha



    Nessa última sexta foi realizada a última das cinco semanas de partidas da Etapa da Centelha da competição interna da Magic Pro League, que definiu quais jogadores passariam diretamente ao Dia 2 do Campeonato Mítico III, que ocorre em Las Vegas semana que vem, o primeiro Campeonato Mítico a ser disputado pelo Arena, com o formato Standard Melhor-de-3.



    Brad Nelson foi o grande vencedor dessa etapa, não apenas conquistando sua divisão, Esmeralda, mas também terminando como o único jogador invicto entre todos os competidores, com sete vitórias. Na divisão Pérola, com o recorde de 6-1, assim como os demais classificados, o vencedor foi Brian Braun-Duin e na divisão Safira o vencedor foi Rei Sato. Na divisão Rubi dois jogadores ficaram empatados no número de partidas vencidas, sendo que o número de jogos vencidos foi o critério usado para dar vantagem a Ken Yukuhiro sobre William Huey Jensen. Parabéns aos classificados!



    Já os brasileiros tiveram resultados modestos nessa primeira etapa da MPL. Carlos Romão terminou com um recorde de 3-4, enquanto Lucas Esper Berthoud finalizou sua campanha com um 4-3, mesmo recorde de Paulo Vitor Damo da Rosa, que era o único brasileiro com chances de vencer sua divisão ao início da última semana.



    Além da classificação final, outro aspecto que vale comentário é o desempenho da transmissão semanal da MPL, que começou com um estrondoso número de mais de 50 mil espectadores, mas terminou em baixa, com menos que um décimo disso.



    Muito do baixo número da última semana pode ser atribuído à mudança de dia da transmissão, que normalmente ocorre aos sábados, mas foi adiantada para não concorrer com o pré-lançamento de Modern Horizons. Há também outras reclamações, como o fato de as partidas serem previamente gravadas e não haver uma câmera mostrando a reação dos jogadores durante a partida.



    De todo modo, pontos fortes também podem e devem ser apontados, que incluem a equipe de transmissão muito entrosada e com conhecimento do jogo, e outros fatores devem ser considerados, como os bons números que a transmissão tem nos vídeos que posta no YouTube, de forma que será interessante ver se e quais ajustes serão feitos à MPL nas etapas a seguir.



    Classificação final da Etapa da Centelha da MPL



    O Mulligan de Londres



    A partir do lançamento da Coleção Básica de 2020 o Magic adotará um novo tipo de mulligan em todos os seus formatos competitivos, o Mulligan de Londres, que vem para substituir o atual Mulligan de Vancouver.



    Esse novo mulligan funciona de forma que, toda vez que você está insatisfeito com sua mão você compra até sete cartas, o número da sua mão inicial, e quando decidir mantê-la você escolhe um número de cartas igual ao número de mulligans tomados e as coloca no fundo do seu grimório na ordem que você escolher. Não há vidência (scry) como havia no Mulligan de Vancouver.



    A mudança definitiva já era esperada em virtude da alta popularidade que o Mulligan de Londres obteve enquanto era testado, tanto por profissionais tanto por jogadores mais casuais. Além disso, os decks considerados "injustos", que seriam os maiores beneficiários da mudança, falharam em obter uma grande vantagem tanto em popularidade quanto em porcentagem de vitórias no Campeonato Mítico II, o grande palco para o teste do novo mulligan, e, segundo a Wizards, o mesmo se repetiu nos testes do Magic: the Gathering Online (MOL).



    Enquanto a Wizards avalia que essa será uma mudança positiva para o jogo como um todo, essa opinião não é unânime. Alguns profissionais avisam que o novo mulligan tornará o jogo mais homogêneo, já que os decks terão acesso às suas melhores cartas com mais consistência.



    Nenhuma mudança à Lista de Banidas e Restritas foi feita em virtude do Mulligan de Londres, mas todos os formatos serão acompanhados de perto enquanto os jogadores se adaptam à nova regra.



    Magic nas Telinhas



    A Netflix anunciou uma parceria com a Wizards para a produção de uma série animada de Magic: the Gathering com os irmãos Joe e Anthony Russo, que dirigiram Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato, como produtores, responsáveis pela criação e supervisão de uma nova história no universo de Magic.



    Uma equipe de peso foi colocada em torno da produção, que une nomes que trabalharam em grandes projetos. Os responsáveis por liderar o roteiro e também os showrunnerns da produção serão Henry Gilroy, de Star Wars Rebels e Star Wars: The Clone Wars, e Jose Molina, de The Tick e Agent Carter. O estúdio Bardel Entertainment, que trabalhou em Rick e Morty e Jovens Titãs em Ação, ficará a cargo da animação e a Octopie cuidará da produção da série.



    Caso o projeto seja realizado essa será a primeira produção de Magic a chegar às telas. Os fãs de MTG, embora tenham motivos para estarem cautelosos, visto os filmes que nunca viram a luz do dia, estão confiantes e animados que os nomes de peso trazidos, assim como a experiência da Netflix com outras animações, como Devilman Crybaby, Castlevania e BoJack Horseman, possam finalmente criar essa peça de entretenimento tão esperada.



    Imagem de Tease para a parceria entre Wizards e Netflix centrada na personagem Chandra



    Red Bull Untapped



    Em uma outra parceria, com a Red Bull, foi anunciado o campeonato Red Bull Untapped, com premiação total de U$200 mil, um Top 8 final acontecendo na Red Bull Gaming Sphere em Londres dia 4 de agosto e o campeão sendo convidado para o Campeonato Mítico de Richmond.



    O campeonato terá 4 classificatórias, 2 no Arena e 2 físicas, estas últimas acontecendo em Florença, na Itália, e Bruxelas, na Bélgica. As estapas no Arena terão Standard Melhor-de-3 como formato e serão realizadas dia 29 e 30 de junho, com 256 competidores cada, já as etapas físicas terão 226 competidoras cada que jogarão uma combinação de Modern e Limitado de Modern Horizons. A etapa de Florença ocorre dia 6 de julho e a de Bruxelas dia 7 de julho. Os finalistas de cada etapa irão às Finais, que ocorrerá pelo Arena, formado Standard Melhor-de-3.



    As inscrições podem ser feitas até 10 de junho no site da FaceIt e é importante salientar que, embora inscrições de todo o mundo sejam aceitas, uma parte das vagas é exclusiva a jogadores europeus.



    Essa é uma iniciativa muito interessante e exemplifica algo que a Wizards apontou há algum tempo de termos campeonatos grandes realizados por outras empresas. Além disso, caso esse projeto tenha sucesso, esperamos que se expanda para outras regiões do globo e não fique restrito somente à Europa.



    Logo do Campeonato Red Bull Untapped



    Um Bilhão de Jogos no Magic Arena



    Para fechar em comemoração, a Wizards anunciou que o Magic Arena alcançou a incrível marca de 1 Bilhão de partidas jogadas desde que entrou em seu Beta Aberto em setembro do ano passado.



    O número mostra um crescimento contínuo da plataforma enquanto ela ainda continua sendo desenvolvida e ajustada, sendo usada em grandes campeonatos de eSports seja pela própria Wizards por outras iniciativas.



    Para celebrar use o código "OneBillion" sem as aspas na plataforma para ganhar um booster de Guerra da Centelha.



    Imagem de celebração a 1 Bilhão de Jogos no MTG Arena



    E esse é o fim do primeiro Boletim dos Artesãos, esperemos que muitos estejam por vir! O que você acha do Mulligan de Londres? Pra quem irá torcer no Campeonato Mítico III? Está empolgado para a série de Magic na Netflix? Sinta-se livre para nos contar usando a seção de comentários. Você também pode nos alcançar por nossa página no Facebook ou Twitter. Obrigado pela leitura.



    Thiago Santos, dos Artesãos do Magic


  • Precisamos falar sobre ban

    Precisamos falar sobre ban

    por Buffix em 24/05/2019 - 378 Visualizações, 0 Comentários.

    "Vocês devem estar se perguntando por quê eu os reuni aqui hoje."



    Bon Jour tout le monde.



    Nessa segunda-feira, dia 20 de maio de 2019, foi anunciado o banimento das cartas Gitaxian Probe, Gush e Daze e do formato pauper. O anúncio oficial e as razões desse ban são explicadas aqui. Segundo o artigo publicado, foi observada uma ascenção do arquétipo UB Delver dentro dos campeonatos no Magic Online e uma winrate de +55% de forma consistente e isso motivou a ação da WoTC de mexer no formato depois de três anos intocado pelo "martelo do ban" (o último ban que o formato recebeu foi com Cloud of Faeries em Janeiro e Peregrine Drake em Novembro de 2016).



    Gostaria de separar esse artigo em duas partes como forma de refletir sobre essa notícia: os impactos que esse ban trará dentro do ponto de vista da jogabilidade do formato e, obviamente, o impacto econômico que um ban traz para um jogo de cartas físico. Nessa primeira parte, a maior parte dos argumentos que irei apresentar já foram discutidos em um artigo escrito no começo do ano por Kendra Smith. No artigo, a pauta de um possível ban dentro do formato e a discussão sobre os pilares do formato já era uma realidade. E ao final desse artigo, trarei algumas teorias sobre o que o futuro trará para o formato comum.



    Três cartas definem um formato



    Vamos voltar um pouco no tempo, antes de Ultimate Master. Era possível afirmar que três cartas constituíam os principais decks pauper: Decks azuis que abusavam do card selection com o uso de Preordain, PonderBrainstorm e utilizavam como carta principal, Gush. Decks Boros com a mecânica de monarca que construíam um valor gradual por meio de Palace Sentinels. E por fim, os decks Tron que abusavam de Ghostly Flicker e Barreira Mnemônica como núcleo para fazer o que fosse necessário para ganhar eventualmente o jogo com Capsize, Dinrova Horror e Rolling Thunder. Esses três decks sempre mantiveram uma relação de pedra-papel-e-tesoura: decks baseados em Gush tinham jogos favoráveis contra Tron, Tron esmaga Boros Monarca e Boros Monarca conseguiam ter jogos bons contra Decks baseados em Gush. Outros decks começaram a se fechar dentro do formato tendo que enfrentar essa tríade. Elfos e outro decks baseados em criaturas, por exemplo, eram recebidos com Prismatic Strands pelo Boros Monarca e por Moments Peace na estratégia do Tron.



    Os decks que utilizavam Gush dividiam-se em duas vertentes: os decks que utilizavam Gush agressivamente para fechar o jogo antes do terceiro turno (UR Blitz e UW Inside Out) e os decks de Delver of Secrets // Insectile Aberration que ofereciam muito mais consistência possuindo as versões Mono Blue com Ninja das Horas Tardias e Snap  e UR com o uso dos terrenos nevados e Skred. A versão do UB Delver original tinha como plano alimentar o cemitério o mais rápido possível com Thought Scour e Mental Note para colocar Gurmag Angler e Sultai Scavenger em jogo. Esse deck acabou ganhando popularidade e acabou sendo reinventado por causa dos decks de Deaths Shadow que apareceram dentro do legacy no 25th Pro Tour Anniversary logo após o banimento de Deathrite Shaman. No pauper, Thought Scour e Mental Note se juntaram com as free spells como DazeSnuff OutGitaxian Probe e é claro, Gush, e tornaram muito mais consistente o plano de fechar o jogo com Gurmag Angler. Até então o deck era chamado de UBxd (UB 1-2 drops).





    Foi com Ultimate Masters que veio à tona o reprint de Frustrar para o pauper e a ascenção do deck como tier 1. Essa mudança alterou o esquema de pedra-papel-e-tesoura que falamos: surgiu nesse momento o Boros Bully (como forma de conseguir enfrentar os removals e freespells do UB Delver com cartas como Squadron Hawk e Rally the Peasants) e juntos jogaram para fora do ringue Tron e muitos outros decks como Bogles, Stompy, Burn, MBC, UW Tribe, UR Blitz e UB Alchemy. Os seis tops 8 dos Pauper Challenger depois de Frustrar indicaram que: dos 48 decks que faziam resultados nos Pauper Challenger, 18 eram UB Delver com Gush, 14 eram alguma variação do Boros Monarca ou Boros Bully e Gush ainda aparecia em um deck de Izzet Delver e UW Tribe. Logo 34 de 48 decks eram compostos por dois pilares: Gush e Palace Sentinels.





    O que leva uma carta a ser banida?



    Desde que comecei a jogar Magic: The Gathering no final do ano de 2017, no bloco de Ixalan, já presenciei o ban de: Harmonizar-se com o Éter, Refinador Clandestino, Ferocidonte Enfurecido, Ruínas de Ramunap no Standard, Krark-Clan Ironworks no Modern e Gitaxian Probe e Deathrite Shaman no Legacy. Ao contrário de jogos como Hearthstone - um jogo de cartas estritamente online, e que passou por muito mais "bans" do que Magic nesse mesmo tempo - não é possível alterar o texto de uma carta física. Quando tivemos a onda de Midrange Hunters a Blizzard precisou tomar uma ação ao Urubu Faminto e Leeroy Jenkins nerfando-os. No caso de um jogo de cartas físico, é necessário excluir essa carta do jogo como tivemos o Inverno Eldrazi no nosso amado Modern com a presença de Eye of Ugin ou a presença de Mardu Veículos e Jeskai Copycat com Saheeli Rai e Felidar Guardian. Mas afinal o que motiva o arrependimento de um desenvolvedor de jogos para retirar uma carta?



    Vamos começar por Gitaxian Probe. Temos um histórico dessa carta sendo banidas em todos os formatos (Modern e Legacy) e restrita (Vintage). E acredito que as razões do ban dessa carta em específico no Pauper diferem um pouco do motivo pelo qual foi banido no Legacy em Julho de 2018. Gitaxian Probe sempre foi considerada uma carta de power-level muito alto. Em um jogo que te obriga a ter 60 cartas em um deck, jogar com 56 te permite ter uma estratégia muito mais consistente, assim como seria muito mais fácil tirar "mãos altas" no poker como um flush (cinco cartas de mesmo naipe) se tirassemos um naipe inteiro do baralho antes do jogo. "Ah mas o custo de 2 de vida impacta o jogo contra burn". Concordo plenamente, sabendo a sua mão inteira por 2 de vida eu sei o que anular e com o que interagir. Não somente eu aumento minhas chances de tirar um flush como também inutilizo todos os seus blefes dentro de qualquer aposta que fizermos. Esse foi um dos motivos principais do banimento no Legacy, um formato em que a dinâmica de impedir o outro de executar sua estratégia é uma peça central para jogar. Dentro do Pauper, Gitaxian Probe permitia ao jogador utilizar um menor número de lands que o normal, as estratégias que utilizavam Gitaxian Probe eram Burn com 16 lands e UB Delver com 11 lands que produzem cor, ao contrário de estratégias como Boros Monarca e Tron, com 21 lands e 23 lands, respectivamente.



    Gush, por sua vez entra na categoria das cartas que permitem também um menor número de lands que o normal e, ao mesmo tempo, torna Foil uma ameaça verdadeira. O banimento de Gush tem sido discutido durante muito tempo dentro do Pauper, sendo restrita no Vintage, possuindo algumas comparações bem toscas com Ancestral Recall (sim, a carta do Power9). "Mas Thoughtcast também já foi comparado com Ancestral Recall", calma lá padawan. Thoughtcast necessita de cinco artefatos e é sorcery, Gush é instant e depende de somente duas ilhas e malandragem na cabeça. Você se expõe muito menos a counters com Gush por poder flutuar a mana também.



    E por fim, temos Daze. Ela entra na categoria de cartas que permitem jogar estratégias que requerem pouquíssimas lands no deck e sempre foi uma carta para se "jogar em volta de". Land Grant deixou de ser utilizado nas listas de Elfos pelo medo de perder os primeiros land-drops. Todos os decks sempre precisavam ter cuidado com a sequênciação das mágicas com medo de tomar o counter. Entretanto, como diria um antigo jogador da minha cidade "na minha humilde opinião fecal" não era uma carta que saia de controle como as outras duas.



    Lembra que no começo do artigo eu disse que o último ban no pauper foi com Peregrine Drake? Pois bem, durante o metagame desse pauper as melhores estratégias do formato jogavam em torno de Ghostly Flicker + Peregrine Drake + Mnemonic Wall para ganhar os jogos. Os jogos começaram a se tornar repetitivos, divididos em U/R Control Drake, Tron Drake, Familiars Drake. Da mesma forma, não existia uma necessidade de sempre se jogar em torno de Delver of Secrets // Insectile Aberration + Gush + DazeJogos que se tornam repetitivos são ruins para qualquer jogo de cartas e acaba limitando tanto a possibilidade de construções de decks (azuis) quanto inibe a possibilidade de outros decks existirem.







    "Ah mas porque não baniram Foil?", como já foi constado no artigo da Wizards e no meu comentário de Gush acima, entre as duas cartas (Foil/Gush), a segunda era o que tornava a primeira problemática. Para o uso efetivo de Foil agora talvez as pessoas comecem a usar Deprive ou utilizem cartas que nunca vimos antes como Fathom Seer. Talvez ocorra o reprint de Thwart em um futuro próximo. O futuro é sombrio e incerto. Fui criticado (e com razão) quando disse que os deck de Delver se manteriam no Legacy após o banimento de Deathrite Shaman mas a ideia permanece a mesma: a razão da existência do Delver no pauper ou em qualquer outro formato não depende de Gush, Daze, Gitaxian, Probe ou do Xamã, mas de uma estratégia consistente com uma quantidade boa de cantrips, mágicas instantâneas e feitiços. Delver sempre foi a personificação de cientista maluco que se entrega completamente para atingir os objetivos, quando os animais que ele experimentava morreram, ele continuou a fazer testes em si mesmo até atingir uma evolução. Talvez seja hora de experimentar também um pouco.



    Conclusões: o que o horizonte trará?



    Modern Horizons sai em menos de um mês do momento em que estou publicando esse artigo e com certeza teremos cartas novas para o pauper. Sim, existe o medo de ver decks como Boros Monarca e Tron dominarem o formato mas acredito que o formato se tornará mais saudável com o banimento das cartas. Acho provável que agora será mais comum a presença de Land Destructions nos sideboard dos decks por afetarem tanto Boros Garrison como o trio de Urza. Molten Rain, Thermokarst, Choking Sands sempre estiveram aí, agora é somente uma questão de continuarmos a analisar os resultados do Magic Online. Sim, Gush era uma carta de difícil acesso e era relativamente cara para o pauper mas esse tópico eu quero encaminhar para uma futura discussão semana que vem.



    Obrigado pela leitura.


  • O bom, o mal, o velho e o Legado.

    O bom, o mal, o velho e o Legado.

    por Piedade em 20/05/2019 - 363 Visualizações, 0 Comentários.

    Olá a todos, hoje venho fazer meu primeiro report de um torneio, e foi um torneio muito legal, começando pelo formato - o Legacy - discussões e gostos a parte o formato Legacy é realmente muito bom e super divertido de jogar, e contradizendo muitas pessoas, uma partida de legacy não acaba em 5 minutos.



    Realizado neste último domingo 19/05/2019 na loja Piedade Card House, em Londrina contando com jogadores de Londrina e região, foram 4 rodadas com corte para top 4.



    Joguei de Eldrazi Agro (lista no fim do post) e o deck respondeu acima das expectativas, um deck muito bom, agressivo, rápido e tem repostas boas para vários decks do formato com um side bem versátil.



    Não vou conseguir detalhar bem as partidas pois joguei bem descontraído e não esperava escrever esse report.



    Então vamos aos matchs.




    • 1ª Rodada - Arthur Rizzoti  0 x 2 Luiz Piedade



    Esse primeiro jogo o deck fez exatamente a proposta dele, uma mão rápida e agressiva e os Vidente do Nó do Pensamento entraram bem tirando as opções de repostas do Arthur, e também acho que as compras dele não foram muito boas.



    Comecei bem 1-0





    Jogar com Alfaya é sempre muito bom, ele tem ótimos decks e sempre tem um "coelho" guardado na cartola, desta vez ele jogou de Storm, um deck que do nada Comba e vc perde sem saber de onde veio a pancada.

    No game 1 um ele arriscou tudo baixou sua vida no último usando Ad Nauseam , fazendo várias magicas, finalizou com Gavinhas da Agonia. 1 – 0 Alfaya

    Game 2 – Por pouco a história não se repete, só não aconteceu de novo porque consegui tirar um tutor da mão dele usando  Vidente do Nó do Pensamento, mesmo assim ele arriscou tudo e não achou o combo, ganhei batendo na volta. 1-1

    Game 3 – Meu deck veio bem rápido, ele arriscou indo com 1 land , consegui fechar o jogo antes dele buscar o combo. 1-2 Piedade




    • 3º Rodada - Luiz Piedade 0 x 2 Antônio Pisicchio



    Esse macht foi muito surpreendente para mim, não esperava um deck de soldado tão agressivo, mas vamos ao jogo.

    Game1 – Outra partida que não me lembro muito bem , choveu soldados na mesa com a ajuda de Capitão Preeminente, mas cheguei a ficar melhor  pois consegui fazer 3 Vidente do Nó do Pensamento, mas tive uma postura muito defensiva e os soldados se multiplicaram e com Capitão da Vigilância, perde a batalha. 0-1

    Game 2 – Praticamente um replay do game 1 , ele fez mais bichos, exilou meu Arrebentador da Realidade, quando ai baixou Jitte de Umezawa, e ganhou o jogo. 0-2 Piscchio




    • 4º Rodada - Rafael Kenji 1 x 2 Luiz Piedade



    Sobre esse match vou comentar depois , Kenji grande amigo, já jogamos juntos em outras cidades. 1-2 Piedade.




    • SemiFinal - Luiz Piedade 2 x 0 Joao Araujo



    Nesta semifinal contra o João de Miracles um deck que eu acho muito difícil de jogar, mas vamos lá.

    Game 1 -Deck veio muito rápido fiz 2 criaturas turno 1, ele estava com Terminus na mão e não conseguiu por no topo, ganhei com os bichos batendo.

    Game 2 – Bem parecido com o primeiro game, a diferença , foi que meu Vidente do Nó do Pensamento, consegui tirar a Blood Moon da mão dele que iria me atrapalhar bastante, Arrebentador da Realidade, ganhou o jogo, pois tinha uma caverna das Almas  em campo, que inutilizou os courter na mão dele.2x0 Piedade




    • Final - Luiz Piedade x Rafael Kenji



    De novo com o Rafael , jogo duro !!!

    Game 1 – O que marcou este game foi um erro meu que me custou o game, tinham 2 Arrebentador da Realidade na mesa e não bati com os 2, ele tinha um Pescador Grumag e uma outra criatura que não me lembro, bloqueou meu arrebentador com Grumag, conseguiu tirar meu outro arrebentador e ganhou a game.

    Game 2- Nesta mão vim muito rápido, consegui fazer criaturas grandes com ajuda Arrebentador da Realidade e levei o game.

    Game 3 – Comecei bem fazendo Mímico Eldrazi, e planejando fazer, Arrebentador da Realidade no turno 2, mas tomei uma sequência de Terras Ermas, que prolongaram o jogo, quando já estava com 5 lands em campo mais o Monolito Sinistro, comecei a acionar habilidade do Olho de Ugin, de buscar criaturas e isso me fez ganhar a partida.  2X1 Piedade.



    Segue a lista que eu usei:



     



    Até a próxima!


  • O "power level" de uma carta

    O "power level" de uma carta

    por Buffix em 07/05/2019 - 508 Visualizações, 0 Comentários.

    Saudações, viajante!



    Recentemente um artigo publicado no site do MIT elegeu o nosso querido jogo de papelão como sendo o jogo mais complexo do mundo (Disponível em: www.technologyreview.com/s/613489/magic-the-gathering-is-officially-the-worlds-most-complex-game/). Segundo o autor do estudo, Alex Churchill, ao contrário de outros jogos como xadrez e poker os resultados de uma partida entre dois planinaltas são impossíveis de serem computadas pela quantidades de variáveis possíveis dentro do jogo. Para um desenvolvedor de jogos como a Wizards of the Coast isso é a prova de que apesar de existir um livro de regras que determinam as formalidades do jogo, existem caminhos sempre novos a serem explorados com mecânicas, variedades de decks e satisfação do consumidor em fazer um Karn Liberto turno 3 ou flipar um Investigador de Segredos // Aberração Insetídea no segundo turno. 



    O tópico de hoje tem como intuito discutir o "valor" adquirido de uma carta durante o jogo e porque ele varia tanto ao contrário de outros jogos. Para iniciar a discussão, gostaria de apresentar um conceito advindo de outro jogo de cartas famoso: poker. Para os jogadores de poker profissionais, que tentam ganhar uma renda a partir disso, é sempre necessário visar os ganhos a longo prazo dentro da mesa. Não adianta arriscar com um blefe todas as mãos ruins ou sempre apostar todas as fichas com mãos boas porque isso permite aos seus oponentes fazer uma leitura muito clara da sua estratégia e eventualmente, limpar suas fichas. Um dos conceitos normalmente usados pelos jogadores é o chamado expected value (valor esperado em Joel Santana).



    O exemplo mais simples desse conceito é analisar um jogo com uma moeda: toda vez que você tira cara você perde 10 reais, e toda vez que você tira coroa, você ganha 20 reais. "Que jogo idiota" vocês devem estar pensando, mas logo irão entender o motivo. A fórmula pra calcular o valor esperado dessa aposta é a seguinte:



    EV = (ganho possível) * (probabilidade de vencer) - (perda possível) * (probabilidade de perder)



    Traduzindo para o nosso jogo:



    EV = (20) * (0,5) - (10) * (0,5)



    EV = 10 - 5



    EV = + 5 reais



    Logo o valor esperado depois de 100, 200 jogos como esse seriam de 5 reais. Toda vez que o EV for um valor positivo, essa aposta irá gerar lucro no longo prazo enquanto que um EV de valor negativo irá gerar uma dívida no longo prazo. Enquanto que no poker existem possibilidades finitas e valores de aposta definidos, isso não é possível de se traduzir para uma linguagem de Magic. Pelo menos não de forma literal.



    Recentemente durante o Pauper MCQ - MagicFest Los Angeles tivemos a presença no top 8 de um deck que estou no processo de construção: o Esper Familiars.



     



    Não vou entrar muito em detalhes acerca da estratégia do deck mas gostaria de apontar duas coisas importantes: o piloto do deck, Joseph Hourani, é conhecido como um dos principais mestres desse deck, possuindo inúmeros vídeos explicando matchups e gameplays em campeonatos no Magic Online (420Dragon). E a segunda coisa que gostaria de apontar é uma carta em específica da lista utilizada por Joseph: Kirtars Desire. Durante o jogo das semifinais contra William Yoder que usava um UB Delver (um dos deck mais temido no pauper pela presença de Frustrar e Gurmag Angler no momento em que escrevo esse artigo), um dos comentários feitos pelos narradores me chamou atenção: nessa match o valor de uma Kirtars Desire se equivale a uma Espadas em Arados. Por não possuírem forma de interagir com o encantamento além de anular, a criatura entra em um estado de "exílio" no campo de batalha. Dessa forma, dentro dessa matchup em específico, essa carta se torna um removal mais eficiente do que Journey to Nowhere, mais comum em listas com branco como Boros Monarca. E acredito que, ao pensar na lista para o MCQ, o pensamento de Joseph Hourani foi justamente mirando os Gurmags do UB Delver, uma vez que, outros decks como Bogles, Boros Monarca, Tron e Mono U Delver conseguem de alguma forma interagir para que Kirtars Desire tenha quase que valor nenhum.



    Quando comparamos cartas dentro de outros formatos, como Foil e Force of Will, Raio e Skewer the Critics, Pteramander e Gurmag Angler, estamos constantemente fazendo uso do conceito de EV para avaliar as cartas. "Acredito que no longo prazo, essa carta irá me gerar lucro semelhantes à determinada carta dentro do formato". Por isso que sideboards são tão mutáveis quanto as próprias listas de maindeck, que se reinventam constantemente dependendo das matchups que um determindo deck pretende enfrentar. Por fim, imaginem como seria tentar explicar esse conceito de comparar cartas tão distintas em diferentes formatos para uma máquina? Acho que um dia os computadores irão conseguir fazer coisas maravilhosas, mas, por enquanto, somente nós com polegares opositores e serotonina no cérebro iremos dominar esse reino de cartas.



    Obrigado pela atenção.



    Buffix aka "Watanaka".



     


  • Report top 16 - Magic Fest SP 2019 #nãoésóumtronzinhobonito

    Report top 16 - Magic Fest SP 2019 #nãoésóumtronzinhobonito

    por NIshiyama em 16/04/2019 - 323 Visualizações, 1 Comentários.

    Fala galera, tudo certo?



    Sou o Rafael Kenji, jogo Magic competitivo há 3 anos, e nesse final de semana consegui fazer o primeiro resultado expressivo na minha vida de magiqueiro, um top 16 em um GP(magic fest). Confesso que na semana do GP estava um pouco chateado por questões pessoais, e decidi ir de última hora para distrair a cabeça, ver uns amigos etc. Fui completamente despretencioso, tranquilo, e acredito que essa tranquilidade foi um fator chave durante o torneio.



    Jogo de Affinitty há muito tempo, mas me frutrava muito com os resultados recentes do deck. Cogitei jogar de UW controle, mas na Quarta-feira eu vi que o Tron havia subido no metagame, e acabei optando pelo tron, segue a lista:





    Sideboard





     



    Dois dias antes do GP, comecei a ler artigos e assistir Gameplays sobre o deck, e cheguei a duas conclusões que pra quem já é familiarizado com o deck, são bastante óbvias: o deck mulliga MUITO bem. Você só precisa trincar(fechar as lands de urza), o que vier do topo pode resolver o jogo sozinho. O Thragtusk maindeck não foi uma decisão minha, e confesso que não gostei dele no main, mas continua possuindo muito valor.



    Vamos aos jogos:



    1 - Jogo (Tron x Bye)



    Como eu tive mais de 1300 pontos na temporada desse ano, eu tinha bye 1, logo 1-0



    2 - Jogo (Tron x Tron)



    Match mais insuportável possível, pois o dado decide bastante o decorrer dos games. No G1, eu keepei uma mão com 1 Floresta , 3 Agitações do Passado e 1 Auspício Silvestre  que eu me lembre. Como não conhecia meu adversário, mantive essa mão. Meu plano era: agitações, pega uma peça do tron, agitações, outra peça, auspício e karn na 4. O problema, foi que as duas primeiras agitações foram péssimas(EROOOOOU), não vi nenhuma peça do Tron. Meu adversário muligou a 5, trincou na 3 e começou a exilar meus lands com o karn. No G2, eu na play, trinquei no turno 3, fiz karn, exilei 1 land e ele concedeu(acontece muito nos mirrors). G3, eu na Draw, keepei uma mão com duas peças do Tron, 2 Mapa da Expedição , 1 Extração Cirúrgica e 1 Vidente do Nó do Pensamento . Para a minha sorte, ele fez uma floresta no turno 1, que me deu tempo para buscar um Ghost Quarter , destruir a Torre de Urza dele e dar uma Extração Cirúrgica . Na volta fiz 1 mapa, que tomou Nature's Claim , fiz outro mapa e também tomou Nature's Claim ,,,, e inciamos um G3 desesperador com uma guerra de topo infinita... consegui resolver um Thought-Knot Seer (vulgo zóião), e tirar o Zóião da mão dele. Meu zóião deu 4 tapas nele, e le conseguiu fazer um Karn Liberto e um World Breaker, achei a oitava mana do topo e fiz um Emrakul, o Fim Prometido , ele tinha 4 de vida, e eu trollei a board dele com o karn  e worldbreaker, tirei os blocks e foi um tapa do catoto 13/13. (2-0)



    3- Tron x BG pedra



    Essa match é razoalvelmente traquila para o Tron, só não é uma free win por causa de Field of Ruin e às vezes um descarte bem feito pode te atrapalhar bastante. G1, trinquei no turno 3, Karn Liberated  exilou um Dark Confidant, no turno 4 o Thragtusk deu às caras, e no turno 5 Ulamog, a Fome Interminável  fez um estrago nas lands pretas dele. G2, ele acertou um Campo da Ruína  e uma estração, somado a um clock de Tarmogoyf , Dark Confidant e Main Land. G3, Karn Liberto Turno 3, Vidente do Nó do Pensamento no turno 4, no 5 World Breaker buscando um Ulamog, a Fome Interminável  com o Santuário de Ugin, gg. (3-0)



    4- Tron x UR Fênix



    Nunca tinha jogado de Tron contra a Fênix, confesso que fiquei bastante perdido e com medo do clock, mas as Relíquia de Progenitus main ajudam bastante a segurar o começo do jogo, e outra tecnologia que havia visto na internet, era subir o Karn Liberated  ao invés de exilar permanentes, uma vez que o jogador de UR precisa resolver o Karn, se não o jogo acaba... Para isso, ele gasta MUITO recurso. Exemplo: Karn entra, exila uma carta da mão, no turno do outro jogador ele usa um Faithless Looting , descarta uma fênix, dá dois raios e volta uma fênix que bate no karn, o Karn ainda vai ter 1 marcador, e jogador adversário gastou 3 cartas, um tempo(com a fênixa atacando), e tem 2 cartas da mão exilada pelo menos. Esse tipo de jogada fez BASTANTE diferença no G1, ao passo que ele passou bastante tempo tentando resolver o Karn, e não conseguiu resolver, ficou sem cartas na mão e fiz um Ulamog, a Fome Interminável que resolveu o jogo. No G2, abri de mana Relíquia de Progenitus, e ele não conseguiu colocar ameças na Board, não lembro qual dos bigatos do Tron resolveu o jogo, mas foi bem tranquilo no geral. (4-0)



    5- Tron x Death Shadow



    No G1, minha adversária não encontrou a segunda land mesmo ciclando 2 Street Wraith e usando 1 Faithless Looting, então quando o Karn entrou, conseguiu exilar a única land e foi easy. No G3, parecia que estava jogando contra Grixis controle, tomei todos os counters possíveis e descartes possíveis, maaaas, como eu havia dito, uma ameaça que o Tron resolve, consegue levar o jogo sozinho, World Breaker  entrou e exilou uma land, e deu 2 tapas e foi GG. O Tron foi bastante injusto nesses dois games... (5-0)



    6- Tron x UW controle do Luís Salvatto





    Fui obrigado a Printar a tela dos pairings, porque foi muito emocionante pra mim. Se você está se perguntando quem é o Luis Salvatto, é apenas o melhor jogador de Magic do mundo. Sou fã incondicional desse cara, e na hora que saiu a rodada eu caí na risada, era um misto de dor e prazer: meu sonho era jogar contra ele, ,mas fui com a certeza da derrota. No Game 1, keepei uma mão de duas peças do Tron e mapa, triquei no turno 3 e tentei fazer um Karn Liberated  que foi Mana Leakado, no turno 4 ele fez um Jace, the Mind Sculptor e passou o turno, fiz um Ugin, o Dragão Espírito  que deu um Bolt no Jace. No turno 5 ele me deu um Campo da Ruína em uma peça do Tron e me deu uma Extração Cirúrgica(sim, de main deck), logo depois fez uma Detention Sphere  removendo meu Ugin, o Dragão Espírito ... aí meu desespero começou. Estava sem ameças, na board e no turno seguinte começou a me agrar de Colunata Celestial , e na minha draw phase fez fez uma Vendilion Clique e tirou meu Wurmcoil Engine , mas ainda tinha uma Pedra do Oblívio . Tomei duas muquetas de Colunata e Vendillion, fui a 2 de vida e consegui estourar a pedra no passe, voltando meu Ugin e tiron o Vendillion da mesa. Depois fiz o World Breaker , resolvendo a Colunata. Depois de dois turnos, ultei o Ugin, o Dragão Espírito e o Salvatto recolheu. (PORRAAA GANHEI UM GAME DO SALVATTO).



    G2: Side: -3x Wurmcoil Engine , -1x Pedra do Oblívio , -3x Relic of Progenitus, -1x Esfera Cromática  . + 3x Vidente do Nó do Pensamento , +1x Emrakul, o Fim Prometido ,+2x Nature's Claim , +2x Extração Cirúrgica .



    No segundo game, tomei dois Campo da Ruína  que atrasaram bastante meu jogo... Logo depois ele fez 1 Jace, the Mind Sculptor e 1 Teferi, Hero of Dominaria , que controlaram completamente o jogo. 1x1



    G3: Keepei uma mão trincada com 1 zóião, 1 Ugin e um mapa. No turno 3 eu trinquei, fiz o zóião, e deu um Path to Exile  em reposta ao zoião, busquei um land, ele deu um draw e tinha um Jace e um Negate na mão, tirei o Negate pra resolver o Ugin, o Dragão Espírito no próximo turno, ele achou um Nó Lógico do topo e anulou o Ugin, the Spirit Dragon . Passei o turno pra ele, ele fez o Jace e passou o Turno. Voltei de Ulamog, a Fome Interminável , buscando outro Ulamog com o Santuário de Ugin, exilei uma Colunata e o jace. No turno dele, ele usou Ejetar no Ulamog e fez outro Jace, deixando duas manas abertas. No passe dei Extração Cirúrgica  no Path to Exile para proteger os Ulamogs. Castei o segundo Ulamog, exilando outro jace e uma land, em resposta tomou um Mana Leak. No outro turno, castei pela terceira vez o Ulamog, tirando mais duas lands, o jogo estava bem ruim pra ele, mas mesmo assim ainda estava no jogo... Sim, depois 3 casts de Ulamog, a Fome Interminável , e sem Path to Exile ... Mas o Ulamog é muito forte, depois da primeira muqueta dele, o Salvatto concedeu... e caraaaaaaaa! Ganhei do Salvatto e garanti day 2, como assim????? 



     





    7- Tron x Infect



    Pior Match possível... G1 1 balista pra 1 e outra pra 3 conseguiram segurar o jogo, e logo em seguida um Ulamog, a Fome Interminável , exilando as duas lands dele foram o suficiente para levar o jogo. G2 e G3, ele keepoi com mãos que ganham no turno 3, então como nos 3 primeiros turnos eu não interajo, foi GG easy. (6-1)



    8- Tron x Burn



    Segundo pior Match possível. G1 fui stompado, G2 consegui levar após fazer 2 Wurmcoil Engine , e no g3 ele responde a entrada do Thragtusk  com Skullcrack , e tomei mais 2 fogos na cara no turno dele. GG. Obs: foi o Burn que fez top 8. (6-2)



    DAY 2



    9- Tron x Mono White Martyr



    Sim, um rougue fora do Meta fazendo Day 2. Brasil e sua selva de decks. Leonin Arbiter e Aven Mindcensor , atrapalham bastante o Tron. Isso somado aos 4 Ghost Quarter e Campo da Ruína . Mas como o clock do deck não é tão rápido, consegui fazer um Ugin, o Dragão Espírito , exilar todas as permantes dele e levar o jogo com uma certra tranquilidade. (7-2)



    10- Tron x Eldrazi and Taxes



    Que pesadelo. Uma match bem esquisita pro Tron, ele também usa Ghost Quarter MD, Campo da Ruína  MD. No G1, ele abriu de mana Frasco do Éter , e Thalia, Guardiã de Thraben. Essa Thalia ganhou o g1 delem atrasando muito meu jogo, depois ele fez um Flickerwisp blincando uma land do tron, e fez Wasteland Strangler jogando ela de volta para o grave, quando consegui estourar a Pedra do Oblívio e voltar de Ulamog, a Fome Interminável , eu estava com 2 de vida, e ele fez um Flickerwisp no passe e tomei uma muqueta desse bixo... G2 abri de Urzas Tower e Mapa da Expedição , depois fiz Mina de Urza , e ele fez Stony Silence e quebrei o mapa em resposta e busiquei a última peça do tron. Resolvi um Karn, e como estava sem artefatos na mão, ignorei a Stony Silence e comecei a exilar os terrenos dele, após um World Breaker exilando a última fonte de mana branca dele, ele concedeu. G3 ele muligou a 5 e keepou mão de uma land, eu tbm keepei uma mão trincada e com o Zóião, fiz 3 os 3 zóião na partida e consegui tirar valor do descarte e da zica dele. GG (8-2)



    11- Tron x Mono red Goblin



    Sim, mais um rougue pra encher o saco. No g1 eu tomei 18 de dano no turno 3, fiquei bastante desconcertado. No G2 as Walking Ballista estavam querendo jogo, keepei uma mão com 2 balistas e um Nature's Claim , sabia que viria Blood Moon ou Lua Alpina. Ele keepou uma mão lenta por causa da Lua Alpina , e conternei ela com o Nature's Claim e voltei de Balista Ambulante  pra 4, e limpei a Board dele. G3 ele keepou uma mão de uma land e com vários drops 1, isso diminuiu bastante a explosão do deck, ainda mais com a Contorção Espacial e Balista Ambulante , quando desci um Ugin, o Dragão Espírito ele concedeu. (9-2)



    12- Tron x UR Fênix



    Mais uma vez, a tech de subir o Karn Liberated se mostrou bastante eficiente, no G1 consegui segurar o jogo com o Karn, e resolvi um Ulamog, a Fome Interminável,deixando ele com 1 Land. G2 ele conseguiu tirar MUITO valor da Pyromancer Ascension , me causando bastante dando com Raios e voltando duas Fênix Arco-lume que jantaram meu karn e me mataram. No g3, ele começou um tanto quanto lento, consegui resolver um Ugin, o Dragão Espírito , fiz ele pra -4, exilei todas as permanentes dele, e em seguida exilei o grave com Território dos Necrófagos, não conseguiu voltar para o jogo depois do ult do Ugin. (10-2)



    13- Tron x UR Fênix



    G1 abri de mana e relíquia de progênitus, que atrasou infinitamente o jogo dele, fiz um Karn Liberated no turno 3, e subi ele. Na volta ele fez um Crackling Drake , que eu exilei com o Karn, e jogo seguiu assim, com o Karn controlando o jogo, até ele conceder. G2, ele keepou uma mão lerda de Blood Moon , comecei a estourar todas as eggs(Esfera Cromática e Estrela Cromática) atrás do Nature's Claim , achei na última fonte de mana verde, e quebrei a Blood Moon e dei uma extração nela. Depois 3voltei de Ulamog, a Fome Interminável e não teve o que o cara fazer. (11-2)



    14- Tron x BG pedra



    Estava na mesa 4 de um GP! Comecei a ficar nervoso hahahaha. Tinha chances de top 8 e não estava acreditando. Durante esse campeonato, tomei uma decisão de muligar agressivamente, pra sempre fechar o Tron no turno 3. No g1, minha mão inicial estava mais ou menos, muliguei a 6, nenhum land, a 5, nenhum land, a 4, nenhum land, a 3 vieram 2 Torre de Urza e 1 Mina de Urza, bora que tem jogo! Scry, mapa no topo(BOAAAA EU TRINCO NA 3). Meu adversário abriu de Thoughtseize e errou o descarte, abri de mana mapa, ele fez um Bob(Dark Confidant ) e passou. Draw e veio um Ulamog, a Fome Interminável , e pensei no turno 4 já tem uma ameça. Antes de dar o draw do turno 3, pensei: podia ser um Karn Liberated . E era.... Fiz um Karn na 3 e Ulamog na 4. Meu adversário ficou completamente desestabilizado... Pistolou infinito. G2, keepei uma mão trincada de duas peças, um mapa e um karn. Ele manteve a mão dele por conta de um Campo da Ruína e Extração Cirúrgica, maaaaas no terceiro turno, a land que ele dropou, foi a main land BG, logo ficou tapado, e consegui resolver o karn, que entrou exilando o campo da ruína. O Karn trabalhou MUITO nesse jogo... ele comprou outro campo da ruína e quebrou minha trinca e usou a extração. Demorei até o sexto Drop de land pra conseguir jogar o Wurmcoil Engine , enquanto isso o karn seguia exilando coisas. Depois do World Breaker meu oponeente concedeu. (12-2)



    15- Tron vs Humanos



    Estava há uma vitória do top 8, frio na barriga... Mas bora que tem jogo. G1 eu Muliguei a 4 e achei uma mão mais ou menose até conseguiria trincar, mas dois Kitesail Freebooter zoaram meu plano... Consegui trincar do topo na cagada, e fazer uma Walking Ballista pra 5, mas ele tinha feito uma Tenente de Thalia , deixando as crituras completamente fora do range da Walking Ballista, perdi... G2, Muliguei a 6, keepei uma mão trincada, mas sem ameaças, a única era o Ugin, o Dragão Espírito que foi Kitesail Freebooter , depois mais 2 Meddling Mage travaram minha Balista e meu Ugin. Mas eu consegui fazer um Ulamog's Crusher , recuperando meu Ugin, o Dragão Espírito e o cast das Walking Ballista , levei assim o G2. No G3, começou o pesadelo do Mulligan de novo, muliguei a 4... não consegui fazer nada,  só apanhei, se tivesse tido a sorte de trincar do topo, faria uma Pedra do Oblívio e limparia a board, mas não rolou...





    Esse foi meu score final, e consegui 3 proplayer points, e fique em décimo quinto colocado. O meu sonho do Pro tour nunca esteve tão perto quanto nesse dia, fiz o melhor que pude, ma sei que tomei algumas decisões erradas, até porque foi a segunda vez que jogava com o deck, então cometi alguns deslizes sim. Gostaria de parabenizar o João Araújo, Alessandro Hirayama, Lixandrão e Mafis por terem feito day 2 e um ótimo desempenho. 



    O team MYP de Londrina tem melhorado bastante, fico bastante feliz com isso, e em Outubro tamo voltando com força! 





     



    Aquele abraço! Rafael Kenji @NIshiyama



    #nãoésóumtronzinhobonito


  • Children of the Nameless - Capítulo 13

    Children of the Nameless - Capítulo 13

    por MYPCards em 18/03/2019 - 258 Visualizações, 0 Comentários.

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    Capítulo 13: Tacenda





    Ele falou sério.



    No meio da missão para salvar a aldeia, enquanto a noite passava e cada momento aproximava Tacenda de perder sua visão, Lorde Davriel Cane tirou uma soneca.



    Depois de se distanciar alguns quilômetros do priorado, Davriel expulsou Tacenda e os demônios da carruagem, abaixou as cortinas, depois se enrolou em seu manto. Miss Highwater fechou a porta com um estalido, balançando a cabeça e sorrindo.



    “Eu não posso acreditar nisso”, disse Tacenda.



    “São duas e meia da manhã”, disse Miss Highwater. “Ele é um homem poderoso quando decide que quer ser um, mas ainda é mortal. Ele precisa dormir e esta noite os preparativos para a hora de deitar-se foram interrompidos por uma criança com uma adaga improvisada.”



    Dentro da carruagem, Davriel começou a roncar baixinho.



    Crunchgnar e Miss Highwater se dirigiram a um buraco ao lado da estrada onde alguém havia empilhado pedras para fazer uma fogueira. Era provavelmente uma parada comum no caminho para o Pântano. Ela mesma podia ter parado aqui antes, mas suas viagens nessa direção sempre foram durante o dia, quando ela estava cega.



    Os demônios arrastaram um pouco de madeira, então Crunchgnar tocou a testa por um momento, acendendo uma pequena chama na ponta do dedo. Em pouco tempo ele tinha uma fogueira convidativa crepitando na cova. Miss Highwater sentou-se com a lanterna atrás dela, empertigando-se sobre uma pedra e examinando seu livro-razão, fazendo algumas anotações em seguida.



    Tacenda sentou-se perto das chamas, e sentiu o cansaço subindo por ela também. Ela estava acostumada a ficar acordada a noite toda, mas… tinha sido uma longa noite. Exaustiva, mental e emocionalmente. Ela não queria se deixar adormecer, não estando sozinha com os demônios, particularmente Crunchgnar.



    Ainda assim, apesar de seu rosto retorcido, chifres proeminentes e olhos vermelho-sangue, mesmo ele parecia de alguma forma… humano enquanto se agachava ao lado do fogo, se aquecendo. “Eu nunca gostei do mundo superior”, murmurou ele. “Muito frio. Eu não entendo como vocês humanos podem viver assim, meio congelados todas as noites.”



    Tacenda encolheu os ombros. “Não temos muita escolha. Embora eu suponha que, se realmente quiséssemos ir a algum lugar mais quente, você ficaria feliz em nos levar até ele…”



    Crunchgnar sorriu. “Duvido que você acharia o fogo do inferno do seu gosto, garota. Demônios menores como eu são geralmente forçados a ceder nossas presas aos nossos senhores. Eu tomei as almas de oito pessoas durante a minha existência, mas só me alimentei com uma pequena porção de cada uma delas.”



    “Você nunca se sente mal com isso? Empatia pelas almas que você está roubando? Culpa pelo que você fez?”



    “Fui criado para fazer isso. É o meu lugar no mundo. Por que eu deveria sentir culpa?”



    “Você poderia ser outra coisa. Algo melhor.”



    “Eu não posso ignorar a minha natureza, do mesmo jeito que você, menina.” Crunchgnar apontou com a cabeça em direção à carruagem. “Ele gosta de fingir que qualquer um pode escolher seu próprio caminho, mas eventualmente ele terá que pagar as dívidas que possui. E sua ‘liberdade’ durará tanto quanto uma brasa separada de seu fogo.”



    Tacenda mudou de posição em sua rocha. As palavras pareciam desconfortavelmente parecidas com o que ela dissera para Davriel antes. Eu fui escolhida pelo Pântano. Eu devo seguir meu destino…



    “Você entende”, disse Crunchgnar. Inferno, aqueles olhos dele eram desconcertantes. Pelo menos Miss Highwater tinha pupilas, ainda que fossem vermelhas. Os olhos de Crunchgnar eram inteiramente carmesins. “Você é mais esperta do que ele, com toda aquela convicção que ele tem.”



    “Eu…”



    “Nós poderíamos fazer um acordo”, disse Crunchgnar. Devo manter Davriel vivo por mais dezesseis anos, mas talvez pudéssemos encontrar uma maneira de atordoá-lo. Mantê-lo em cativeiro. Ele posa de poderoso, mas não tem poder próprio, apenas os que rouba. Nós poderíamos aprisioná-lo e você poderia se tornar a Senhora da Mansão. Governe em seu lugar.” O demônio permaneceu parado ao lado do fogo. Iluminado por sua luz áspera, ele lançava uma longa e terrível sombra na floresta. “Eu serviria você e lidaria com qualquer um que questionasse sua autoridade. Eu não faria nenhuma tentativa por sua alma; eu quero apenas a dele. Em dezesseis anos, eu partiria. Sem truques.”



    Crunchgnar aproximou-se e Tacenda se encolheu diante dele. Ela mordeu o lábio e começou a cantarolar.



    Ele se encolheu ao som da Canção de Proteção. “Não há necessidade disso”, rosnou ele.



    Tacenda cantarolou mais alto e as cordas em sua viola começaram a vibrar.



    “Crunchgnar”, disse Miss Highwater,” Alguma criatura está fazendo sons ao norte. Você deveria ir ver o que é.”



    “Pense na minha oferta,” disse ele a Tacenda, depois apontou para Miss Highwater. “E ignore aquela ali caso ela finja oferecer-lhe um acordo melhor. Ela pouco merece ser chamada de demônio nos dias de hoje.”



    “E você pouco merece ser chamado de sapiente”, disse Miss Highwater. “Mas nós não jogamos isso em sua cara, jogamos? Seja um bom menino e faça o que eu digo.”



    Ele rosnou baixinho, mas seguiu pela vegetação rasteira. Assim que saiu da luz, ele se moveu com um silêncio que surpreendeu Tacenda. Apesar de toda a sua corpulência, havia uma graciosidade perigosa a respeito dele.



    Tacenda deixou sua música morrer e a viola ficou imóvel. “Obrigado”, disse ela a Miss Highwater.



    “A música estava machucando a mim também, criança”, respondeu ela. “Pena, visto que a música parece envolvente. Eu gostaria de ouvir você cantar uma música completa, algo que não buscasse me destruir. ”



    Tacenda olhou para o fogo, lembrando-se de dias melhores. Dias em que ela havia cantado outras músicas, encorajada por Willia. Canções de Alegria para os trabalhadores nos campos ou cantadas quando ela sentia o calor do abraço de sua mãe. Canções agora mortas.



    Tacenda inclinou-se para a frente, aquecendo as mãos em uma fogueira iniciada com o calor da chama de um demônio. “Você… você concorda com Crunchgnar? Sobre a sua natureza?”



    Miss Highwater bateu em sua bochecha com o lápis. Seus olhos refletiam a luz do fogo, parecendo queimar. “Você sabia”, disse ela finalmente, “que eu fui o primeiro demônio que ele invocou, assim que chegou a esta terra?”



    Tacenda balançou a cabeça.



    “Nenhum de nós jamais ouviu falar dele. Nós havíamos acabado de ser libertados de nossa prisão, onde passamos o que pareceu uma eternidade, apesar de ter sido um tempo relativamente curto. Uma vez livres, começamos ansiosamente a procurar estabelecer contratos com os mortais.



    “Eu acharia que daria um jeito bem rápido nesse dândi com roupas exageradas e uma maneira preguiçosa de falar. Me apressei para firmar o contrato e me dediquei totalmente a seduzi-lo. Mas ele mal olhou para mim antes de me enviar para contar o dinheiro no cofre do antigo lorde. Nos dias seguintes, tentei todos os truques que conhecia. Mas toda vez que me via, ele me dava outra tarefa.



    “‘Oh, Miss Taria, aí está você”, dizia ele, como se esse fosse de alguma forma meu sobrenome. “Tenho procurado os recibos dos impostos da aldeia e parece que muitos deles têm pago em mercadorias. Escambo faz meu cérebro doer. Você poderia conferir se esse livro-razão está dentro dos conformes?” Ela balançou a cabeça, como se ainda não conseguisse acreditar que isso tivesse acontecido. “Lá estou eu — parecendo positivamente radiante — e ele simplesmente passa por mim e me entrega uma lista com os preços do gado!”



    “Isso… deve ter sido frustrante, imagino?” disse Tacenda, tentando não corar demais.



    “Foi absolutamente enfurecedor“, disse Miss Highwater. “Eu finalmente exigi saber por que ele me escolheu, dentre todos os demônios, para este trabalho. Ele invocou a Devoradora de Homens para equilibrar suas contas? E você sabe o que ele fez? Ele sacou alguns papéis. Cópias dos contratos que fiz no passado. Os demonologistas fazem isso, sabe? Eles invocam o contrato, fazem uma cópia e depois leem os detalhes para estudar sua arte.



    “Bem, ele tinha cerca de dez dos meus contratos antigos, e ele absolutamente devaneou sobre eles. Falou sobre quão hábil minha redação havia sido, sobre como eu havia iludido meus mestres anteriores. Para ele, os contratos eram as coisas de verdadeira beleza.”



    Miss Highwater sorriu e parecia haver uma verdadeira ternura na expressão enquanto ela olhava para a carruagem de Davriel. “Ele não se importava com o que eu parecia. Ele me invocou especificamente porque achava que eu seria boa em fazer sua contabilidade. E ele estava certo. Sou boa com contratos; eu sempre me orgulhei disso. Isso me tornou uma excelente intendente.



    “Eu não tenho vergonha do que sou ou da minha aparência. Mas… é bom ser reconhecida por outra coisa. Uma coisa da qual eu sempre me orgulhei, mas praticamente todas as outras pessoas — mortais e demoníacas — ignoravam. Então, não, eu não acho que Crunchgnar esteja completamente certo. Talvez todos nós tenhamos sido criados para um propósito específico, mas isso também não nos impede de encontrar outros propósitos.”



    Tacenda assentiu e olhou para as chamas, pensando nelas até que um som na floresta próxima a fez pular. Era apenas Crunchgnar voltando para a luz.



    “Banshee”, disse ele, apontando com o polegar por sobre o ombro. “Não parece ter relação. Eu a assustei, mas talvez seja bom acordar Davriel de qualquer maneira.”



    “Vamos dar a ele mais alguns minutos”, disse Miss Highwater. “Esse feitiço da prioresa terá sido doloroso de absorver e ele poderia usar o resto se iremos enfrentar o Pântano.”



    “Você tem certeza”, disse Crunchgnar, “de que ele não invocou você para ser sua mãe em vez de sua amante?”



    “Felizmente para mim, você já assumiu a posição de cão de estimação.”



    Tacenda estremeceu com os insultos trocados, mas felizmente os demônios ficaram em silêncio enquanto Crunchgnar acrescentava algumas toras ao fogo. Eles não pareciam muito preocupados que um monstro como uma banshee estivesse à espreita na floresta, mas quem poderia dizer o que assustaria um demônio?



    Não parecia certo estar sentada aqui sem tocar música. Embora ela tivesse passado muitas noites sozinha, iluminada por uma fogueira solitária, ela havia passado aquelas horas tocando pelo menos uma variação da Canção de Proteção.



    Ela havia manifestado aquilo pela primeira vez ao proteger sua família. Havia surgido sem que ela precisasse aprender. Simplesmente aconteceu. As músicas eram uma parte instintiva dela. Não seria isso prova suficiente do seu destino? Que a razão pela qual ela existia era cantar essa canção?



    Isso… uma voz parecia sussurrar dentro dela. E mais…



    Eventualmente, Tacenda ergueu sua viola e começou a tocar uma melodia suave. Não a Canção de Proteção, mas algo mais triste, mais solene. Crunchgnar olhou para ela quando ela começou a cantar, mas essa melodia não era destinada a afastá-los. Era uma música que ela nunca havia cantado, mas que parecia adequada para o momento.



    Ela fechou os olhos e se deixou absorver pela música. Nesse estado, as canções pareciam surgir através ela, como se sua alma fosse o instrumento e a viola fosse apenas um amplificador.  Tempo, lugar e o seu eu se fundiram quando a música começou a vibrar as cordas por conta própria.



    Ela cantou sobre perda. Sobre a morte e o progredir do tempo. Sobre florestas imutáveis que observavam aldeias surgirem e caírem, fés ardendo e morrendo,  crianças crescendo até tornarem-se anciãos, sendo então esquecidas à medida que gerações se acumulam umas sobre as outras e fogueiras infinitas queimavam até tornarem-se cinzas. Sobre uma garota que foi forçada a interromper sua música alegre e, em vez disso, passou a cantar apenas para a noite.



    A música expandiu-se a partir dela e a viola não foi seu único receptáculo. Os galhos das árvores vibravam, as pedras murmuravam, a carruagem sacudia como uma percussão silenciosa . Sua música encontrou todos os caminhos disponíveis e ela não era mais capaz de controlá-la do que seria capaz de controlar o vento ou a lua.



    Mas lentamente… ela mudou. Aproximou-se mais da música que ela outrora conheceu: aquela que sua irmã amava. Tacenda tentou alcançá-la, mas… não encontrou nada.



    Ela parou, com os restos da música ecoando em sua mente. Ela suspirou, depois olhou para cima.



    Os demônios estavam boquiabertos. O livro-razão de Miss Highwater havia tombado de seus dedos e caído no chão sem que ela notasse. Crunchgnar olhou para ela, com a mandíbula frouxa.



    “O que aconteceu?”, perguntou Miss Highwater. “Senti que estava voando…”



    “Eu…” sussurrou Crunchgnar. “Eu estava ajoelhado nas poças de lava de Dawnhearth e os fogos… os fogos estavam extinguindo-se…” Ele tateou seu corpo, então olhou em volta, como se estivesse surpreso por encontrar-se na floresta.



    A porta da carruagem se abriu bruscamente e Davriel saiu, deixando seu manto para trás. Ele caminhou em direção a Tacenda, com os olhos arregalados.



    Ela recuou quando ele a agarrou pelos ombros.



    “O que foi isso?” intimou ele. “O que você fez?”



    “Eu… eu só… cantei…”



    “Isso não foi uma simples proteção”, disse ele, e ela viu seus olhos borrarem com a fumaça branca. “O que você é?”



    Algo bateu na mente de Tacenda. Uma força esmagadora. Ela sentiu mãos alcançando seu cérebro, tomando conta de sua alma. Ela sentiu…



    NÃO.



    A música surgiu nela e ela gritou. Uma explosão de luz brilhou a partir dela, pulverizando fragmentos como centelhas no céu noturno ao impelir Davriel para longe dela. Ele foi arremessado para trás cerca de três metros antes de chocar-se na lateral da carruagem, estilhaçando a madeira. Ele caiu no chão da floresta com um baque surdo.



    Crunchgnar se levantou, com a mão buscando a espada, mas foi Miss Highwater quem chegou primeiro, pressionando uma adaga fria na garganta de Tacenda.



    “O que você fez?” sibilou a mulher demônio.



    “Eu…” disse Tacenda. “Eu não…”



    Davriel se mexeu. Ele se levantou do chão de forma letárgica. Com folhas aderidas à camisa, ele sacudiu a cabeça.



    Tacenda sentia um pânico crescente, com uma faca em seu pescoço.



    Davriel se levantou e limpou a poeira, depois se esticou. “Ai!”, exclamou ele, então olhou para sua carruagem. “Miss Highwater, acredito que eu tenha estragado esta madeira com uma mossa feita pelo meu crânio.”



    “Nenhuma surpresa”, respondeu ela. “Sempre foi óbvio para mim qual dos dois era mais duro.”



    Ela não removeu a faca do pescoço de Tacenda.



    Crunchgnar desembainhou sua espada tardiamente. “Hum… Devo matá-la?”



    “Por mais divertido que fosse assistir a magia dela te despedaçar,” disse Davriel, “você ainda pode ter utilidade para mim. Então não.”



    Ele caminhou até Tacenda. Ela sentia-se tão nervosa que tinha certeza de que a batida forte de seu coração faria com que a faca de Miss Highwater escorregasse e derramasse sangue.



    Davriel fez um suave aceno para o lado com a cabeça e Miss Highwater afastou a adaga, fazendo com que ela desaparecesse em uma bainha em seu cinto. Ela pegou o livro-razão como se nada tivesse acontecido.



    Davriel, no entanto, se ajoelhou diante de Tacenda. “Você tem alguma ideia do que é que se esconde dentro de sua mente?”



    “As canções”, disse Tacenda. “Você tentou roubá-las! Você tentou tomar meus poderes, como você fez com aqueles caçadores!”



    “Uma perda de tempo.” Davriel estalou os dedos, fumaça verde escura coloria seus olhos. Uma pequena luz brilhou, formando uma espécie de escudo brilhante de energia verde acima de sua mão. “Eu roubei uma bênção de proteção simples, que é o que eu esperava encontrar dentro de você. Mas quando eu a toquei, encontrei algo por trás dela, algo mais profundo. Algo grandioso. Ele olhou para Tacenda, fazendo o escudo desaparecer. “Eu repito. Você tem alguma ideia do que é isso?”



    Ela balançou a cabeça.



    “Ele falou com você?” peguntou ele.



    “Claro que não”, disse ela. “A menos que… a menos que você conte as canções. Elas parecem falar através de mim.”



    Ele franziu o cenho, depois se levantou e voltou para a carruagem.



    “Davriel?” disse Tacenda, levantando-se.



    “Não me lembro de ter lhe dado permissão para usar meu primeiro nome, garota.”



    “Não me lembro de ter lhe dado permissão para entrar em minha mente.”



    Ele fez uma pausa e depois olhou para trás. Ao lado, Miss Highwater ria.



    “Você sabe o que ela é?”, perguntou Tacenda. “A coisa que você diz que sentiu dentro de mim?”



    Ele subiu de volta na carruagem. “Venha. É hora de visitar o seu Pântano.”



    Continua (...)



    Agradecendo muito ao pessoal da mythologica, quem está fazendo esse trabalho impressionante de tradução!!


  • Children of the Nameless - Capítulo 12

    Children of the Nameless - Capítulo 12

    por MYPCards em 14/03/2019 - 490 Visualizações, 0 Comentários.

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    Capítulo 12: Tacenda





    Tacenda sempre ouvira falar da Pedra Seelen no tom mais estranho e contraditório. Os aldeões abençoavam o Anjo Sem Nome por tê-la concedido aos Acessos. Eles pareciam estar orgulhosos da relíquia, que acalmava as almas dos seguidores da igreja, impedindo-os de ressuscitarem como um geist ou outra criatura abominável.



    Mas também impedia que uma alma retornasse ao Pântano. Assim, ainda que os nativos dos Acessos se orgulhassem da bênção do Anjo, a maioria resistiu à conversão à igreja. Tacenda entendia. A Pedra Seelen era uma bênção extraordinária, mas era como um boi recebido de presente quando você não tem uma carroça para puxar ou nenhum campo para arar. De alguma forma, ela se sentia tanto grata pela coisa quanto desconfortável.



    Ela não imaginava que eles a guardariam nas catacumbas. Rom conduziu-a por uma escadaria estreita e espiralada, com sua lamparina iluminando pedras antigas, erodidas não pelo vento ou pela chuva, mas pela passagem infinita de passos humanos.



    O ar tornou-se frio, úmido, e eles entraram em um reino de raízes, vermes e outras coisas sem visão. Na parte inferior, eles não encontraram nenhuma porta, mas um estranho mural de pedra retratando anjos em pleno voo.



    Rom pressionou uma parte específica da pedra — um pequeno botão, disfarçado como uma pequena cabeça de anjo, que afundou no resto. Algum mecanismo antigo fez a pedra se abrir. Não era exatamente uma barreira — qualquer pessoa com tempo suficiente provavelmente poderia ter encontrado a protuberância para empurrar — mas era um lembrete. Mesmo no mais santo dos lugares, mesmo na casa de um artefato destinado a acalmar espíritos, era sensato manter uma porta trancada entre você e seus mortos.



    Eles passaram pela abertura e entraram nas catacumbas, as quais precediam a existência do priorado em sua forma atual. Tacenda esperava deparar-se com crânios, mas encontrou apenas passagens estreitas. As paredes estavam cheias de fileiras de pedras estranhas, com três palmos de largura talvez. Em forma de hexágonos, muitas haviam sido marcadas com o símbolo do Anjo Sem Nome.



    “Nenhum osso?” perguntou ela quando Rom a conduziu para a direita.



    “Não”, disse ele. “Ninguém aqui quer colocar corpos em exposição. Essas pessoas merecem descanso, não espetáculo. Aquelas pedras nas paredes podem ser removidas, cada uma revelando um longo buraco escavado na parede. Colocamos o corpo numa prancha, o empurramos e depois selamos.”



    Ela assentiu, seguindo-o em silêncio.



    “Há muito espaço aqui”, disse Rom. “Quem construiu estas catacumbas criou muito espaço para corpos. Mas o seu povo não escolhe ser enterrado aqui com muita frequência, como é apropriado.”



    “Nós…” Mas como ela poderia responder a isso? Era verdade. “O Pântano é nossa herança. Sinto muito.”



    “Seu povo”, disse ele, “se equilibra entre duas religiões. Eu penso que vocês querem adorar as duas ao mesmo tempo, suportando as visitas dos sacerdotes, mas depois indo oferecer sua verdadeira devoção ao Pântano. Isso incomoda a prioresa, eu sei, mas não estou em posição de repreender. Eu mesmo segui dois deuses, poderíamos dizer. Durante a maior parte da minha vida, não fora a virtude, mas a emoção da caçada, o meu mestre.”



    Ele a conduziu por um túnel curvo, depois pousou a mão em um símbolo gravado em um dos túmulos. As asas ascendentes, o símbolo do Anjo Sem Nome. O mesmo simbolo envolvia o pulso de Tacenda, acima da mão onde ela levava sua viola.



    “Eu havia ouvido sobre esse seu Pântano”, disse Rom, “antes de vir para cá. Então eu não fiquei surpreso com isso. Mas este Anjo Sem Nome… muitos dos sacerdotes locais preferem usar seu símbolo do que o da igreja.”



    “Avacyn é… era o Arcanjo”, disse Tacenda. “E ela presidia sobre hostes inteiras de outros anjos. É… era… a igreja dela, mas ela sempre foi uma divindade distante. Os fiéis aqui, como minha irmã, sempre preferiram um anjo mais pessoal”.



    “Você me entendeu mal”, disse Rom. “Fiquei feliz em encontrá-la. Depois da traição de Avacyn, encontrar notícias de outro anjo que ainda amava seu povo… bem, isso me deu esperança. Espero que até mesmo um caçador rabugento e manchado de sangue como eu possa encontrar paz.”



    Seus lábios se voltaram para baixo quando ele disse a última parte, por algum motivo, mas então ele apenas balançou a cabeça e a conduziu por um dos muitos caminhos ramificados nas catacumbas. Ele estava certo. Havia muito espaço aqui embaixo. Ela sempre imaginou algumas pequenas criptas, não essa rede de túneis. Por fim, chegaram a uma pequena sala de pedra com bancos acolchoados ao longo das laterais.



    E ali estava a Pedra Seelen: uma pedra branca como um grande ovo de ganso, decorando um pedestal no centro. Rom fechou as sombras da lanterna para mostrar que a pedra brilhava com uma luz suave própria. Uma radiância inconstante e leitosa, como as cores do óleo na água. Elas giravam em um padrão sereno, como se a Pedra Seelen fosse preenchida com diferentes líquidos iridescentes, fluindo em uma procissão circular eterna.



    A respiração de Tacenda parou. Era linda.



    “Dizem que ela fica mais brilhante cada vez que um habitante dos Acessos se entrega à igreja”, disse Rom.



    “Posso… posso tocá-la?”



    “Melhor não, jovem senhorita”, disse ele. “Mas você pode olhar. Aqui, sente-se e observe os padrões.”



    Incapaz de desviar os olhos da corrente transfixante de cores, Tacenda recuou até encontrar um dos bancos, depois sentou-se, colocando a viola no colo.



    “Eles sempre colocam os novos sacerdotes aqui, como um dos primeiros deveres, para vigiar a pedra,” disse Rom suavemente. “Nós não a vigiamos o tempo todo, mas é uma boa prática para alguém meditar aqui enquanto permanece em alerta a noite toda. Já faz um tempinho desde que eu tive esse trabalho. Mas lembro-me de permanecer aqui por noites a fio, apenas olhando fixamente e pensando. Sobre todos os anos que esta pedra testemunhou.



    “Ela foi dada inicialmente a um sacerdote solitário, que a manteve em um sacrário. Então, uma igreja foi construída para ela, assim como as catacumbas para abrigar os mortos. Finalmente, a prioresa veio e finalmente encontrou aqui uma edificação apropriada. A pedra testemunhou tudo isso e muito mais. Talvez eu não devesse ser presunçoso, pequena senhorita, mas isso é sua herança tanto quanto aquele Pântano.”



    “Lorde Davriel me disse mais cedo que meu povo fala demais sobre destino. Ele disse que eu deveria decidir meu próprio caminho, em vez de acreditar em coisas como o destino.”



    Ela olhou em direção a Rom e viu a luz da Pedra Seelen fluindo em seu rosto. “O que você acha?”, perguntou ele.



    “Não sei”, disse ela. “Parece-me que, basicamente, é impossível escolher por si mesmo. Quero dizer… se eu fizer o que Davriel diz, como isso seria diferente de fazer o que a minha aldeia me diz? Isso não é independência. É apenas a opção por uma influência diferente.”



    Rom grunhiu e Tacenda continuou observando as luzes em movimento. Ela percebeu que Rom a trouxera aqui para evitar que ela se envolvesse no conflito entre Davriel e a prioresa. Em vez de buscar água, ele só perguntou se ela estava interessada em ver a pedra.



    Davriel… ela se lembrou daquele olhar em seus olhos, aquela sombra, quando eles encontraram Brerig morto. Davriel tinha a segunda escuridão em seus olhos. Um vazio para consumir toda a vida e deixar o mundo tão frio quanto ele…



    “Rom?” perguntou ela. “Você já pensou nos demônios que matou quando era mais jovem? Você se preocupou com a dor que estava causando a eles?”



    “Não”, disse o velho caçador. “Não, quando eu era jovem, não posso dizer que me preocupei.”



    “Oh.”



    “Quando eu fiquei mais velho, porém”, ele disse, “e os anjos enlouqueceram? Sim, pensei sobre isso então. Eu imaginei: será que a minha vida inteira se resumiria à matança? Não havia uma forma de acabar com isso? Criar um mundo onde os homens não precisassem temer nem a escuridão nem a luz?”



    “Você encontrou… alguma resposta?



    “Não. É por isso que eu finalmente fui embora.” Ele olhou para cima, depois acenou para ela, gesticulando. “Venha, vamos ver qual foi o dano no andar de cima.”



    Tacenda assentiu, pegando sua viola e juntando-se a ele. Quando saíram, no entanto, ela notou algo que havia passado despercebido inicialmente. Ela estava tão focada na Pedra Seelen que não tinha visto que havia um mural na parede aqui também — pedra esculpida, ilustrando a derrota de um demônio terrível de uma história que ela não conhecia.



    “Aquele mural”, disse ela. “Há um botão como o que você empurrou, sob os pés do demônio. É uma porta secreta também?”



    “Sim,” disse Rom. “Você vai encontrar várias dessas aqui embaixo. A maioria não leva a lugar algum digno de nota — pequenas câmaras onde armazenamos equipamentos de embalsamamento ou depósitos de lixo”.



    “Oh.”



    “Aquela ali, no entanto,” ele continuou. “Ela leva a um túnel para fora das catacumbas, para a floresta. Este lugar aqui embaixo, não é apenas para os mortos. É um lugar para entrincheirarmo-nos se algo nos atacar. Podemos nos esconder aqui e sair por uma das saídas secretas.”



    Ela assentiu, pensando sobre o fato. Mesmo o priorado — talvez especialmente o priorado — precisava de um local de retirada, caso um ataque ocorresse. Todos os edifícios e aldeias eram, na realidade, apenas fortalezas em meio à escuridão, com o cuidado de fechar seus portões e trancá-los firmemente à noite.



    Quando saíram, ela olhou por sobre o ombro uma última vez para a pedra iridescente. Estranho que ela tenha vivido em Verlasen toda a sua vida, mas nunca tenha vindo aqui para ver a dádiva do Anjo Sem Nome.



    E quem é ela para você? Você já a viu? Talvez fosse melhor que o Anjo Sem Nome tivesse desaparecido há muito tempo. Histórias haviam sido o suficiente para Willia, que era atraída por qualquer coisa que falasse em lutar contra a escuridão, mas não para Tacenda.



    Ela apressou-se atrás de Rom, mas quando eles voltaram para as escadas, ela notou uma luz vindo de um dos outros corredores. Ela bateu no ombro de Rom e apontou.



    “Oh”, disse ele. “Aquilo? É apenas onde preparamos os corpos dos mortos e os mantemos até a hora do enterro.”



    Ela congelou quando Rom continuou. Os corpos dos mortos, aguardando pelo enterro? Como…



    Tacenda não conseguiu evitar. Ela virou naquele corredor. Rom chamou por ela, mas ela o ignorou. Em pouco tempo, ela havia entrado em outra pequena câmara, iluminada por velas tremeluzentes em cima de montes de cera desprendida. A parede do fundo continha um relevo esculpido do Anjo Sem Nome — seu rosto escondido atrás do braço — segurando um entalhe da Pedra Seelen.



    Três corpos, em seus trajes fúnebres, estavam em pranchas ao longo da parede. Um deles era o de uma jovem de cabelos curtos. Embora os outros confundissem as duas, Tacenda não conseguia entender a razão. Willia era mais magra e mais forte que Tacenda, o cabelo mais curto, mas de alguma forma mais dourado. E Willia era de longe a mais bonita, apesar do fato de que ambas tinham o mesmo rosto.



    Rom a encontrou e então notou os corpos. “Oh! Que idiota eu sou, jovem senhorita. Eu deveria ter percebido.”



    Tacenda se aproximou de Willia, abaixando sua viola com uma mão, tocando com a outra na bochecha do cadáver. Não, não é um cadáver, mas apenas um corpo. A alma de Willia ainda estava lá fora, recuperável. Assim como o de Jorl e Kari, cujos corpos também adornavam o lugar.



    Willia parecia tão forte, até na morte. Enquanto os rostos dos outros eram máscaras congeladas de terror, ela apenas parecia estar dormindo. Tacenda manteve a mão sobre a bochecha de Willia, tentando transmitir um pouco de seu calor ao corpo em coma, como ela fazia ao cantar para sua irmã durante noites longas e frias, antes que ambas soubessem da extensão de seus poderes.



    Você deve escolher seu próprio caminho, fazer seu próprio destino, dissera Davriel. Aquilo parecia algo banal de se dizer quando você era um lorde poderoso, quando você não tinha uma aldeia para cuidar ou uma família para proteger. Talvez não tenha sido o destino que manteve Tacenda em seu lugar perto da cisterna, cantando para afastar a primeira escuridão. Talvez tenha sido algo mais forte.



    “Foi para aqui que você veio?”, vociferou uma voz aguda. Davriel entrou na câmara e seu manto se abriu ao redor dele, como se esticasse os braços após a caminhada apertada através dos corredores.



    “Senhor!” disse Rom, curvando-se. “A prioresa está… Quero dizer…”



    “Merlinde e eu chegamos a um acordo amigável”, disse Davriel. “No qual ela concordou que estava errada e eu concordei que matá-la seria muito aborrecedor. Tacenda, eu tenho aquilo de que vim em busca. Eu desejo estar longe deste lugar antes que seu fedor comece a se apegar à minha roupa.”



    Ela afastou a mão da bochecha de Willia. A melhor maneira de ajudá-la — a única maneira — era ir com este homem. “Viemos ver a Pedra Seelen”, disse ela, seguindo-o. “Você acha que talvez ela possa nos ajudar de alguma forma?”



    “Da última vez que a olhei,” respondeu Davriel, “não era nada mais do que um belo pedaço de rocha com uma bênção protetora de amortecimento simples sobre ela. Suas canções são várias ordens de magnitude mais potentes”.



    “É uma relíquia poderosa”, disse ela, sentindo um pico de proteção. “Concedida a nós pelo próprio Anjo Sem Nome!”



    “Um anjo que ninguém vê há décadas”, disse ele com uma fungadela. “A velha história é um disparate. Eu não sei de onde a pedra se originou, mas duvido que seja de um anjo. Por que ela daria uma relíquia supostamente poderosa a um insignificante pequeno grupo de aldeias? Seria muito mais eficaz em um centro populacional maior”.



    “Nem tudo se resume a números brutos.”



    “Claro que não”, disse Davriel, alcançando os degraus. “A verdadeira importância está em como esses números se somam.”



    Ele subiu as escadas. Por que ele estava subitamente tão impaciente? Ela praticamente teve que suborná-lo para fazer com que ele investigasse antes de qualquer coisa.



    Tacenda ficou para trás junto com Rom, que subia os degraus com um passo mais lento e mais deliberado, segurando o corrimão com força.



    “Ele está errado”, disse Rom. “A magia da Pedra Seelen pode não ser poderosa, mas não precisa ser. Está aqui para abrigar as almas dos fiéis e a simplicidade do encantamento não significa que não seja importante. Da mesma forma que a fé. Não quero falar mal de seu senhorio, mas esse é o problema de ser inteligente como ele é. Você se acostuma a imaginar as coisas na sua cabeça e quando o mundo real não está de acordo você inventa desculpas.”



    No topo da escada, ela notou um lugar mais para além no corredor, onde as paredes austeramente brancas estavam marcadas por terríveis símbolos negros, em formas que faziam seus olhos se contorcerem. Teria ele invocado demônios no meio do priorado?



    Eles alcançaram a porta. “Obrigado Rom,” disse Davriel, “pelo seu serviço. Se algum dia eu for forçado a exterminar os membros deste priorado, o matarei por último. Miss Verlasen, vamos indo.”



    Ele saiu para a luz. Rom levantou a lanterna apressadamente. “Meu senhor, você vai querer…”



    Davriel estendeu a mão e invocou um jato de chamas para iluminar seu caminho enquanto atravessava o terreno do priorado.



    Vendo isso, Rom suspirou. “É melhor eu dar uma olhada na prioresa”, disse ele a Tacenda. “Cuide-se esta noite, jovem senhorita. É uma escuridão perigosa nos observando. Isso ela é.”



    Ela assentiu para ele em agradecimento, depois apressou-se atrás de Davriel. Embora ele não parecesse notar o calor da chama em sua mão, fez o rosto dela começar a suar.



    Por que estamos com tanta pressa, de repente?”, perguntou ela. “Você descobriu algo útil?”



    “Na verdade, não.”



    “Então por que você está tão ansioso?”



    Os demônios os viram chegando e Crunchgnar rolou a carruagem até eles ao longo da estrada escura. “Eu,” declarou Davriel quando ela chegou, “decidi que vou tirar um cochilo.”



    Continua (...)



    Agradecendo muito ao pessoal da mythologica, quem está fazendo esse trabalho impressionante de tradução!!


  • Children of the Nameless - Capítulo 11

    Children of the Nameless - Capítulo 11

    por MYPCards em 12/03/2019 - 368 Visualizações, 0 Comentários.

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    Capítulo 11: Davriel





    A prioresa estava parada junto à porta, cutucando algumas das letras que ele colocara nas paredes do lado de fora — elas haviam sangrado através das fendas ao redor da porta, entrando no quarto.



    “Elas vão sair?” perguntou ela.



    “Eu realmente não sei”, respondeu Davriel. “Espero que ninguém no seu priorado possa ler ulgrothano. Eu escolhi as letras porque elas parecem intimidadoras, mas, na verdade, eu só aprendi algumas frases quando era mais jovem — mais como uma brincadeira. O que escrevi lá fora é uma receita de bolinhos amanteigados.”



    A prioresa se virou para ele, cruzando os braços. “Essa é a minha cadeira, Greystone.”



    “Sim, eu sei”, disse ele, movendo-se e tentando relaxar na cadeira de madeira dura e não acolchoada. Ele finalmente chegou a uma posição onde ele poderia incliná-la para trás e colocar os pés sobre a mesa dela. “Mataria um de vocês religiosos sentar-se em um assento confortável? Você realmente tem tanto medo assim de ser feliz?”



    “Minha alegria”, disse ela, acomodando-se em uma cadeira do outro lado da mesa, “vem de outros confortos”.



    “Como quebrar contratos jurados solenemente?”



    Ela olhou para a porta. “Não fale tão alto. A inquisição pode ter acabado, mas suas brasas ainda estão queimando. Edwin não é o único cabeça quente residente no priorado; vários membros da minha equipe me enforcariam se tivessem em mente que eu estou consorciando com demônios ou com seu mestre.”



    “Isso presume que eu não venha a enforcá-la antes.” Davriel colocou os pés no chão, em seguida, levantou-se, pairando sobre a mesa e a mulher sentada do outro lado. “Eu direi novamente. Eu não encaro a quebra de contratos de ânimo leve.”



    A prioresa deslizou uma pequena xícara para fora da mesa, depois levantou-a até os lábios, tomando um gole de algo escuro e quente. A tola mulher sempre se recusava a ser devidamente intimidada. Honestamente, era parte do motivo pelo qual ele gostava dela.



    “Você matou todos aqueles caçadores, então?” Perguntou ela.



    Davriel suspirou. “Alguns escaparam. O velho. Os escudeiros.”



    “Entendo.”



    “Eu tenho sido paciente, Merlinde. Eu ignorei o ocasional caçador e até mesmo aquele paladino na semana passada… ‘Ela não deve ter tido conhecimento de que eles iriam me atacar’, eu disse a mim mesmo. “Ou talvez eles não tenham passado no priorado antes.” Mas uma força-tarefa completa de caçadores de demônios, vários deles com proteções em suas mentes? Nossos termos foram claros. Você deveria dissuadir grupos assim.”



    A prioresa olhou para o chá. “Você espera que eu honre uma promessa em face do que vem acontecendo? Uma aldeia inteira foi assassinada hoje.”



    “Alguns de seus sacerdotes são estúpidos, mas você não é. Você me conhece bem o suficiente para reconhecer que eu não estou envolvido. Então, por que você ajudaria um bando de assassinos empenhados em me matar?”



    A prioresa tomou outro gole de chá.



    “Isso é pó salgueiro de Verlasen?” Perguntou Davriel, ainda pairando sobre ela enquanto permanecia ao lado da mesa.



    “O melhor”, disse ela. “Nada é melhor em acalmar os nervos. Esta é, infelizmente, a minha última xícara.”



    Ele grunhiu. Havia imaginado isso.



    “Talvez”, disse ela finalmente, “eu esperasse que os caçadores te acordassem, Greystone. Seu povo sofre e você mal percebe. Eu lhe escrevo sobre suas dores e dificuldades, apenas para receber missivas divagantes reclamando sobre como seus dedos dos pés ficam frios à noite.”



    “Eu honestamente esperava meias melhores de pessoas que vivem em um outono perpétuo.”



    A única coisa à qual você responde é uma interrupção.”



    “O que era o nosso acordo“, disse Davriel, cada vez mais frustrado. Ele passou por ela, andando de um lado para o outro no aposento. “Eu deixo as pessoas dos Acessos em paz. Eu não exijo mais do que alimentos e mercadorias ocasionais como presente! Em troca, você deveria impedir as pessoas de me incomodarem.”



    “O sofrimento deles é tão incômodo, não é mesmo?”



    “Bah. Você preferiria que outra pessoa fosse seu senhor? Talvez algum tirano de duas caras que esmaga os ânimos durante o dia e uiva para a lua durante a noite? Ou prefere a volta de um herdeiro sugador de sangue da Casa Markov, como o que eu matei quando cheguei? Mulher tola. Você deveria estar pregando diariamente para as pessoas o quão boas são suas vidas”.



    Ele parou de caminhar perto do fundo da pequena sala, onde notou uma imagem emoldurada no chão, virada para a parede. Ele virou-a para si e encontrou uma pintura do arcanjo Avacyn.



    “Eu…” disse Merlinde. “Eu achei que tinha sido você. Até ouvi-lo interrogar Edwin agora há pouco, achei que devia ter sido você quem havia levado as almas dos aldeões.”



    Ele olhou para ela.



    “Depois que os mercadores foram atacados, eu investiguei”, disse ela. “Meu dom em detectar espíritos revelou que os geists estiveram envolvidos, como Edwin havia dito. Fazia sentido. Você é a única coisa nessa floresta que eu tenho certeza que tem a força necessária para desafiar aquele Pântano amaldiçoado. Eu pensei que devia ter sido você quem havia levado as almas das pessoas.”



    “E você não fez nada?”



    “Claro que fiz alguma coisa”, disse Merlinde. “Eu enviei uma mensagem para a igreja em Thraben, implorando por seus caçadores mais fortes. Eu pedi homens e mulheres especificamente talentosos em matar demônios e os avisei que você poderia penetrar mentes. Eu estava… preocupada há algum tempo que eventualmente você mostraria uma segunda face. A face oculta que tantos lordes possuem.”



    “Idiota”, disse Davriel. “Você foi feita de tola.”



    “Eu percebo isso agora”, disse ela, tomando seu chá. “Se você fosse o homem que eu temia, você teria destruído o priorado em vez de entrar para exigir respostas. Mas… o que está acontecendo?”



    “Eu pensei que talvez houvesse sido Edwin”, disse Davriel. “Alguém fisicamente esfaqueou um dos seus sacerdotes na aldeia ontem à noite. Eles deixaram quem quer que tenha sido o responsável entrar na igreja, portanto seus sacerdotes devem ter confiado nessa pessoa. Quem quer que tenha sido, matou o sacerdote. Com uma faca. Não foi o ato de um geist.”



    “Qual… qual deles?”



    “Qual geist? Como eu poderia saber?”



    “Não, Greystone. Qual sacerdote? Quem foi esfaqueado?”



    Ele olhou para ela, franzindo a testa. A prioresa era uma mulher dura, mas ela havia se inclinado para frente em sua cadeira, segurando sua xícara e parecendo… sobrecarregada. Os sacerdotes que ela enviou, pensou ele. Ela está pensando em como ela os enviou para a morte.



    “Não sei. O mais velho, com a barba.”



    “Notker. Anjos abençoem sua alma, meu amigo.” Ela respirou fundo. “Eu duvido que Edwin esteja por trás disso. Ele é difícil de controlar, mas é sincero em sua fé. Suponho que, talvez, pudéssemos levá-lo a abrir sua mente para você, de modo que você pudesse ter certeza.”



    “Eu não consigo ler mentes. Não é assim que minhas habilidades funcionam.” Davriel girou a pintura do arcanjo, pensando. “E quanto aos seus outros sacerdotes? Quando eu era um jovem contador fazendo a contabilidade para a parceria, uma das primeiras coisas que eles nos ensinaram foi a traçar motivações para encontrar fraudadores. Nós deveríamos procurar pela pessoa com a mistura única de oportunidade e incentivo. Uma pressão financeira repentina ou notícias em suas vidas que os deixassem desesperados. A mudança é o verdadeiro catalisador das crises”.



    “Eu não posso prestar contas por cada um dos meus sacerdotes especificamente”, disse a prioresa. “Mas eu não acho que algum deles teve oportunidades ou incentivos. Estamos aqui para salvar as pessoas, não para matá-las. Certamente não consorciaríamos com espíritos malignos.”



    “Mas consorciaria com homens maus?” disse Davriel.



    Ela olhou para ele. “Isso depende de quanta esperança temos neles, suponho.” Ela balançou a cabeça. “Eu acho que você está ignorando o verdadeiro culpado. A resposta óbvia. Quando vi a trilha dos geists que fizeram isso, a luz estava tingida de um verde doentio. Eu vivo aqui há quase 20 anos; eu consigo reconhecer o toque do Pântano quando o vejo.”



    “Alguém esfaqueou aquele sacerdote, lembre-se. E Tacenda afirma ter ouvido passos. Alguém estava controlando os geists.”



    “Aquela menina”, disse a prioresa. “Ela e sua irmã são um… caso estranho. Eu li relatos do passado e não consigo encontrar nada como a maldição da cegueira delas. Eu estava progredindo com o povo dos Acessos há uns dez anos, trazendo-os à luz do Anjo, e então aquelas duas começaram a manifestar poderes. Isso fez com que as pessoas seguissem o Pântano novamente, derrubando quase tudo que eu havia realizado desde que chegara aqui.”



    “A irmã foi morta pelos Sussurradores”, disse Davriel. “Mas Tacenda disse que eles não a atacam. Eu gostaria de saber por quê.”



    “A resposta é óbvia”, respondeu a prioresa. “Eu consegui chegar até Willia. Ela estava treinando para se tornar um cátara. Willia se virou contra o Pântano, por isso ele a matou. Eu nunca consegui alcançar Tacenda, no entanto…”



    “Eu sinto que deve haver mais”, disse Davriel. “Algo que eu estou deixando escapar nesta bagunça.”



    “Talvez o Pântano tenha poupado Tacenda porque tem outro propósito para ela”, disse a prioresa. “Você diz que acha que essa pessoa estava controlando os geists, mas talvez você esteja vendo isso da forma errada. O Pântano poderia estar controlando os espíritos diretamente, mas também usando um ou dois peões vivos para realizar suas tarefas. Os sacerdotes poderiam ter deixado um aldeão, clamando por ajuda, entrar na igreja. De qualquer maneira, o Pântano é o verdadeiro mal aqui”.



    “Mas por que ele mataria seus próprios seguidores?”, disse Davriel.



    “O mal muitas vezes não tem motivos para o que faz.”



    Não, pensou ele. O mal tem os motivos mais óbvios.



    Ele não disse isso, porque ele não tinha energia para uma discussão prolongada. Mas não eram as pessoas sem moral que confundiam Davriel — elas tendiam a se alinhar melhor com seus incentivos e eram muito mais fáceis de ler.



    A pessoa moral era quem agia de forma irregular, contra o seu próprio interesse.



    Ainda assim, a prioresa tinha razão. Múltiplas pistas apontavam para o Pântano. “Você sabe o que ele é?”, perguntou ele a ela. “Mesmo?”



    “Um falso deus”, disse ela. “Alguma coisa horrível que espreita no fundo das águas, consumindo oferendas. Logo quando cheguei, enviada para essa região para ensinar às pessoas o caminho correto da fé, o confrontei. Eu fui até aquele Pântano e olhei para ele, usando meus poderes. Lá, encontrei algo terrível, vasto e antigo.



    “Eu soube então que não poderia combatê-lo com orações ou bênçãos protetoras convencionais. Ele era muito forte. Eu construí este priorado sobre as catacumbas e dediquei tudo o que tinha para converter as pessoas dos Acessos. Senti que, se conseguisse impedi-los de darem suas almas à coisa, eventualmente ela acabaria enfraquecendo e morrendo”.



    “Você converteu Willia”, disse Davriel, pensativo. “Um de seus campeões eleitos. Talvez isso tenha provocado tudo que está acontecendo.”



    “É possível. Não sei dizer com certeza.” Ela hesitou. “No começo, presumi que você tivesse vindo aqui para estudar ou controlar o Pântano. Talvez fosse por isso que eu havia acreditado tão rápido que você estava por trás dessas mortes. Parecia uma coincidência impossível que uma pessoa com seus talentos viesse a se instalar em um lugar tão remoto.”



    “Eu não sabia sobre o Pântano antes de chegar”, disse Davriel.



    Ah, disse a Entidade em sua mente, mas eu sabia.



    Quê? Você sabia?



    “Seja o que for”, disse a prioresa, “está com fome. O Pântano consome as almas daqueles que morrem aqui. Mesmo a influência da Pedra Seelen resiste com dificuldade a ele, apesar de ter sido dada a nós pelo Anjo Sem Nome especificamente para esse propósito.”



    O que você sabe sobre o Pântano? perguntou Davriel à Entidade. Você insinua que me trouxe aqui. Com qual propósito?



    Em busca de força, disse a Entidade. Você verá…



    Davriel franziu a testa e olhou para a prioresa. “Parece, infelizmente, que sou forçado a enfrentar o Pântano. Que incômodo. Ainda assim, se eu puder encontrar a causa dessas manifestações, estou razoavelmente certo de que posso devolver as almas para as pessoas da aldeia. Ou pelo menos a um número aceitável delas, considerando as circunstâncias.”



    A prioresa virou-se completamente na cadeira para olhar para onde ele estava, ainda no fundo do aposento, girando distraidamente a imagem de Avacyn.



    “Salvá-los”, perguntou ela. “É possível?



    “Se foi feito, então eu posso fazer ser desfeito.”



    “Não creio que isso sempre será verdade. Mas será o bastante se você tentar. O que você precisa de mim?”



    “Assim que isso acabar, você deve viajar para Thraben e fazer o que for preciso para ter certeza de que os tolos acreditam que eu morri ou que fui embora, ou que fui humilhado e me escondi.”



    “Eu poderia fazer melhor”, disse ela. “Eu poderia dizer a eles que eu estava errada e que você nos salvou! Se você trouxer as pessoas de volta, eu clamarei isso dos passos da grande catedral! Eu o proclamarei um herói e…”



    “Não”, disse ele. Ele largou a pintura e caminhou até a cadeira dela, pairando sobre ela. “Não. Deverei ser tratado de forma ordinária. Outro senhor insignificante que se apoderou de uma fatia insignificante de terra que ninguém se importa. Um almofadinha indigno de atenção ou nota. Nada de especial. Nada com o que se importar.“



    Ela fez que sim com a cabeça lentamente.



    “Por ora”, continuou ele , estendendo a mão, “precisarei pegar emprestado seu talento para detectar e ancorar espíritos.”



    “Você o terá de bom grado”, disse ela, colocando a mão envelhecida na dele.



    “Será doloroso”, avisou ele. “Nossas… naturezas não se alinham. E você ficará sem acesso à habilidade por um curto período de tempo, talvez até um dia inteiro.”



    “Que seja.”



    Ele rangeu os dentes, então penetrou a mente dela. Por sua vez, ele sentiu uma pontada imediata de dor no crânio. Fogo do inferno, esta mulher é forte. Ele não conseguia enxergar seus pensamentos, mas foi atraído, como sempre, pelo poder. A energia dentro dela, o brilho da habilidade, força, magia.



    Ele a soltou, estremecendo com a sensação terrível. O processo havia concedido um novo feitiço, cru e radiante: um feitiço que o deixaria rastrear os movimentos dos espíritos e, se necessário, forçá-los a permanecer corpóreos.



    A prioresa desabou em seu assento. Ele segurou-a pelo braço, impedindo-a de deslizar para o chão. Ela era um cão de caça velho e duro e, até certo ponto, ele reconhecia a importância do trabalho dela. As pessoas precisavam de algo no que acreditar. Algo para proporcionar conforto e evitar que fossem esmagadas pelas realidades da existência humana.



    A verdade era uma coisa perigosa, melhor deixada para aqueles que poderiam realisticamente explorá-la.



    A prioresa finalmente se recuperou e apertou o braço dele em agradecimento por segurá-la. Ele fez um aceno com a cabeça e virou-se para sair, ainda sofrendo pela pontada de dor em sua mente.



    “Você foi incitado a agir”, disse ela por trás dele. “Mas você ainda parece relutante. O que seria necessário, Greystone? Para fazer você realmente se importar?”



    Cadáveres. Morte. Memória.



    “Não pergunte isso”, disse ele, voltando para o corredor. “Esta terra não está pronta para uma versão de mim que se preocupe com outra coisa senão sua próxima soneca.”



    Continua (...)



    Agradecendo muito ao pessoal da mythologica, quem está fazendo esse trabalho impressionante de tradução!!


  • Children of the Nameless - Capítulo 10

    Children of the Nameless - Capítulo 10

    por MYPCards em 26/02/2019 - 212 Visualizações, 0 Comentários.

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    Capítulo 10: Davriel





    De acordo com o relógio de bolso de Davriel, eram quase duas da manhã quando chegaram à última estrada, aproximando-se do priorado. Davriel esperava que a garota cochilasse em algum momento durante a viagem, mas ela continuou olhando para as árvores e os padrões de sombra criados pela passagem deles.



    Naturalmente, fazer o percurso em silêncio não significa dizer que Davriel tenha sido deixado em paz.



    Não podemos nos esconder por muito mais tempo, disse a Entidade. Precisamos nos preparar para o que fazer quando formos descobertos.



    Você vem dizendo isso há meses, respondeu Davriel em sua mente. E aqui estamos nós. Ainda em segurança. Ainda sozinhos.



    Eles estão à sua caça. Eles irão encontrar o seu esconderijo.



    Procurarei outro, então.



    Davriel podia sentir a Entidade agitando-se dentro de sua mente. Davriel sentiu cheiro de fumaça e sua visão desapareceu. A Entidade estava brincando com seus sentidos novamente.



    Você não se lembra da emoção, da glória da conquista? Dizia ela. Você não se lembra do poder daquele dia?



    Eu lembro, respondeu Davriel, com fumaça espessa em suas narinas, de ter percebido que eu atrairia muita atenção. Que a força que eu tinha, não importa quão gloriosa, não seria suficiente. Que aqueles que desejassem apoderar-se de você me derrotariam facilmente se eu ficasse sozinho diante deles.



    Sim, disse a Entidade. Sim, houve… sabedoria nessa percepção.



    Davriel inclinou a cabeça, depois baniu os toques da Entidade sobre seus sentidos. O quê? ele pensou sobre isso. Você concorda que eu não deveria tê-lo usado mais ainda naquele momento?



    Sim, disse a Entidade. Sim.



    Estranho. A Entidade normalmente desejava que ele recorresse a ela e utilizasse-a para seu verdadeiro propósito — como um vasto reservatório para alimentar seus feitiços. Com a Entidade, ele conseguia fazer suas habilidades roubadas durarem semanas sob uso constante. Normalmente, os feitiços que ele roubava das mentes dos outros desapareciam algumas horas depois que ele os empregava pela primeira vez. Alguns duravam mais e outros desapareciam depois de alguns minutos, principalmente se ele os tivesse conservado por um tempo antes do primeiro uso.



    Você ainda não está pronto, disse a Entidade. Eu percebi isso. Tenho trabalhado em uma solução. O multiverso ferve na sua ausência. Forças colidem e as fronteiras entre os planos tremem. Eventualmente, o conflito o encontrará. Farei com que você esteja pronto e preparado. Pronto para levantar-se e reivindicar a posição que é legitimamente sua…



    A Entidade silenciou-se e não respondeu quando ele a incitou. O que ela estava planejando? Ou seriam estas apenas mais promessas e ameaças inúteis?



    Sentindo-se gelado pela conversa, Davriel voltou sua atenção para a tarefa em mãos. Ele havia roubado várias habilidades dos caçadores na igreja. No entanto, ainda que as tivesse em conta, era difícil não perceber o quão pareciam insignificantes comparados ao poder da Entidade.



    Esqueça isso. Da líder dos caçadores, ele roubou um feitiço de banimento muito interessante. Era forte, mas, como provado por sua tentativa de usá-lo contra ele, não poderia afetar um humano. Ele poderia usá-lo para dispensar uma criatura mágica, como um geist ou até mesmo um anjo, embora os efeitos fossem temporários.



    A piromancia, é claro, também se mostraria útil, embora agora que a tinha usado uma vez, sua força desapareceria até deixá-lo por completo. Ele esperava encontrar algo útil na mente do velho diabolista, mas o único talento que ele encontrou no crânio daquele homem foi o feitiço de tinta de escriba, que faz palavras aparecerem em uma superfície da forma como você as imaginar. Não tem muita utilidade em combate. Porém, ele também tinha o feitiço de invocação de armas. Isso duraria, como a piromancia, por algumas horas.



    Não era um arsenal particularmente poderoso, mas ele sobrevivera anteriormente com menos que isso e, em breve, ele adicionaria os talentos da prioresa. De fato, a luz da frente na velha estrada da floresta indicava que eles estavam perto. Tacenda animou-se em seu assento. Ela era durona, embora isso não fosse incomum para nativos dos Acessos. Tão resistentes quanto rochas e tão teimosos quanto javalis — e com quase tanto juízo quanto ambos. Do contrário, teriam encontrado outro lugar para morar.



    Claro, pensou Davriel consigo mesmo, o que isso diz sobre mim, um homem que, de todos os lugares possíveis, veio impulsivamente morar aqui?



    Você não veio impulsivamente, disse a Entidade a ele. Eu o trouxe aqui deliberadamente.



    Davriel sentiu-se subitamente alarmado. Ele endireitou-se no assento, fazendo com que Miss Highwater, sentada de frente para ele, fechasse o livro-razão e ficasse alerta.



    Quê? respondeu Davriel de forma exigente. O que você acabou de dizer?



    A Entidade acomodou-se novamente, ficando em silêncio.



    Você não me trouxe aqui, pensou Davriel em reposta. Eu vim para Innistrad por vontade própria. Por causa da população demoníaca deste plano.



    Mais uma vez, a Entidade não disse nada. Miss Highwater olhou em volta, tentando descobrir o que o preocupava. Davriel se obrigou a colar uma expressão despreocupada no rosto. Certamente… certamente a Entidade estava meramente zombando dele.



    E, no entanto, ele nunca a ouvira dizer nada que, pelo menos, ela não acreditasse que fosse verdade.



    A carruagem desacelerou quando se aproximou das luzes, duas enormes lanternas cobertas de vidro com óleo queimando. Fogo: o sinal universal de que a civilização está adiante.



    “Hô, a carruagem!” chamou uma voz amigável.



    Tacenda se animou. “Eu conheço esse homem, Davriel. É Rom. Ele é…



    “Estou familiarizado com ele”, disse Davriel. “Obrigado.”



    Miss Highwater suspendeu a cortina da janela, revelando o velho monge aproximando-se do veículo.



    Rom fez uma reverência — ele estava um pouco trêmulo — para  Davriel. “O Homem em pessoa! Lorde Davriel Greystone! Imaginei que devêssemos esperar vê-lo esta noite.”



    “Minha visita tornou-se inevitável depois que os caçadores foram enviados atrás de mim, Rom”, disse Davriel.



    “Sim, suponho que seja verdade”, disse Rom, olhando para a estrada em direção ao priorado, visível ao longe, com a luz derramando de suas janelas. “Bem, isso é uma preocupação para os homens mais jovens.” Ele se virou para a carruagem e acenou para Miss Highwater. “Devoradora de Homens”.



    “Rom”, disse ela de volta. “Você parece bem.”



    “Você sempre diz isso, senhorita”, disse Rom. “Mas enquanto você não mudou nada em quarenta anos, eu sei muito bem que me transformei em um pedaço de couro deixado por muito tempo ao sol.”



    “Os mortais envelhecem, Rom”, disse ela. “É o caminho de vocês. Mas eu preferiria apostar no pedaço de couro que resiste há quarenta anos do que na nova peça ainda não testada.”



    O velho sorriu, mostrando alguns dentes perdidos. Ele olhou para Crunchgnar que, a julgar pela maneira como a cobertura grunhiu sob seu peso, havia se aproximado para observar o velho caçador.



    “Bem, vamos até à prioresa, senhor”, disse Rom a Davriel. “Desde que cheguei e contei a ela sobre a aldeia, ela estava querendo falar com…” Ele parou, olhando para a carruagem. Começou a falar novamente ao notar Tacenda no assento pela primeira vez. “Miss Tacenda? Ora, você disse que permaneceria na minha cabana!”



    “Eu sinto muito, Rom.”



    “Eu a encontrei no meu banheiro”, observou Davriel. “Com um olhar vingativo e um instrumento enferrujado na mão. Arruinou uma das minhas camisas favoritas quando ela me apunhalou.”



    “Ela?” disse Rom. Davriel poderia ter esperado que o homem ficasse chocado, mas ao invés disso ele apenas riu e deu um tapa na perna dele. “Bem, isso foi um feito de bravura, Miss Tacenda! Eu poderia ter dito que seria inútil, mas… esfaquear o próprio Homem? O Pântano deve estar bem orgulhoso de você!”



    “Hmm… obrigado,” disse ela.



    “Bom, eu estou feliz em vê-la em segurança, senhorita! Eu estava indo de volta atrás de você, depois de dizer à prioresa o que você me disse. Mas ela disse que precisava de todos os soldados aqui, até mesmo um velho como eu. Só por garantia. Então ela me colocou observando a estrada.”



    Rom abriu a porta para Miss Highwater sair. Normalmente, quando Davriel visitava, ela e os outros demônios aguardavam do lado de fora do priorado. Enquanto isso, um dos monges ou sacerdotes levaria Davriel e a carruagem para dentro. Esta noite, no entanto, Davriel a impediu, saltando da carruagem ele mesmo.



    “Dav?” perguntou Miss Highwater.



    “Quero você aqui fora, com a carruagem”, disse ele. “Se algo acontecer, posso precisar que você se junte a mim rapidamente.”



    “Vocês poderiam simplesmente entrar todos juntos”, disse Rom. “Perdão, senhor, mas eles poderiam, se quisessem.”



    “Tenho certeza de que a prioresa adoraria isso”, disse Davriel.



    Ela não é o senhor deste solo”, disse Rom. “Perdão, mas é a verdade do próprio arcanjo que ela não é. E se você está preocupado com a luz destruidora, bem, eu não acho que nenhum desses filhotes aqui tenha poder suficiente para você temer — e minha própria habilidade não é suficiente para chamuscar a um único diabo hoje em dia.”



    Davriel olhou para Miss Highwater e ela sacudiu a cabeça. Crunchgnar provavelmente teria apreciado a chance de pisar em solo sagrado e profanar um altar ou dois, mas Davriel não perguntou a ele. Em vez disso, ele acenou para que Tacenda se juntasse a ele. A jovem mulher saiu, trazendo sua viola.



    Davriel deixou sua bengala-espada, confiante de que poderia invocá-la com seu feitiço recém-adquirido. “Esteja pronto”, disse ele a Crunchgnar. Então ele acenou com a cabeça para Rom, que guiou o caminho ao longo da estrada, em direção ao priorado.



    Folhas eram trituradas sob os pés e coisas se agitavam nas árvores. Provavelmente apenas animais da floresta. Um número incomum deles vivia perto do priorado. Davriel passou por entre as lanternas queimando ao longo da estrada, entrando na clareira onde, no centro de uma suave encosta, o priorado erguia-se orgulhoso sob a lua. O longo prédio de um único andar sempre parecera solitário para ele.



    Tacenda olhou por cima do ombro para os demônios. “Eu não entendo”, ela disse suavemente para Davriel. “Rom age amigavelmente para você, mas ao mesmo tempo eu sinto como se estivéssemos caminhando para a batalha.”



    “Meu relacionamento com o priorado é… complexo”, disse Davriel. “Quanto a Rom, vou deixá-lo falar por si mesmo.”



    “Senhor?” disse Rom, olhando para trás enquanto seguia à frente deles. “Eu não tenho nada para dizer que valha a pena ouvir”. Eu fico de fora dessas coisas hoje em dia. Já tive o suficiente dessa tolice quando mais jovem.”



    “Você conhece Miss Highwater”, disse Tacenda.



    “Eu tentei destruir esse demônio por dez anos”, disse Rom, resmungando em seguida. “Quase morri meia dúzia de vezes naquela missão idiota. Eventualmente eu aprendi: nunca cace um demônio mais esperto do que você. Foque nos estúpidos. Há muitos para manter um caçador ocupado a vida inteira.”



    “Eu pensei que você caçava lobisomens quando era mais jovem”, disse Tacenda.



    “Eu caçava o que quer que tentasse caçar homens, senhorita. Primeiro foram demônios. Então lobos.” Sua voz ficou mais suave. “Então anjos. Bem, isso quebrou homens mais fortes que eu. Quando tudo se acalmou, descobri que tinha me tornado um homem velho, com os melhores anos da minha vida passados com sangue até os joelhos. Vim para aqui para tentar fugir disso, lavar um pouco de tudo aquilo, passar algum tempo caçando ervas daninhas…”



    “Você conhece um sacerdote chamado Edwin?” perguntou Davriel.



    “Claro”, disse Rom. “Sujeito ansioso. Jovem.”



    “Fale-me sobre ele,” incitou Davriel.



    “Sua cabeça está cheia de conversas sobre a justa inquisição. Conversas das mentes mais zelosas no coração das terras humanas. Ele já começou a percorrer uma estrada, do tipo que você nunca percebe que só leva a uma direção… Ele olhou de volta para Davriel. “Eu não deveria dizer mais nada. Fale com a prioresa.”



    Alguns cátaros do priorado aguardavam às portas da entrada a sudeste. Mantos brancos por cima de couros, com grandes colares e chapéus pontiagudos que escondiam seus rostos. Eles olharam para Davriel.



    “Chapéus legais”, observou ele enquanto entrava no priorado. A igreja realmente tinha as melhores proteções para a cabeça.



    Rom guiou o caminho por um pequeno corredor e Davriel seguiu, com seu manto ondulando, escovando as duas paredes. O priorado era um lugar humilde. A prioresa evitava a ornamentação, preferindo corredores sombrios de madeira pintados de branco. Eles desceram os degraus até às catacumbas, onde guardavam aquele artefato estúpido que disseram ter sido dado a eles por um anjo.



    A passagem de Davriel atraiu alguma atenção — cabeças espiando pelas portas, outras correndo para espalhar a notícia de que o Homem estava de visita. Ninguém o interrompeu, pelo menos não até ele se aproximar da porta da prioresa. Pouco antes dele chegar, um sacerdote irrompeu de um corredor lateral e, em seguida, — com o rosto ruborizado de uma rápida corrida — posicionou-se entre Davriel e seu destino.



    Ele era um homem jovem, de cabelos negros e hirtos, com a aparência de um homem com o dobro da sua idade. Ele não usava armadura, apenas as vestes de sua posição, mas ele imediatamente puxou sua espada longa e apontou-a para Davriel.



    “Pare aí mesmo, demônio!” disse o jovem.



    Davriel levantou uma sobrancelha e olhou para Rom. “Edwin?”



    “Sim, senhor”, disse Rom.



    Eu não tolerarei seu reinado de terror”, disse Edwin. “Todo mundo sabe o que você fez. Uma aldeia inteira? Você pode assustar os outros, mas eu fui treinado para lutar pelo que é certo”.



    Davriel estudou o jovem, cuja mão livre começou a brilhar. Esse era, com frequência, o primeiro instinto deles, tentar acertá-lo com a luz destruidora. Eles estavam tão seguros de que, secretamente, ele era algum tipo de monstro não natural — em vez de apenas um homem, o monstro mais natural de todos.



    “Edwin”, disse Rom. “Acalme-se, rapaz. Isso não vai acabar bem para você.



    “Não consigo acreditar que você o deixou entrar aqui, Rom. Você se esqueceu das nossas primeiras lições! Não fale com os monstros, não discuta com eles e, mais importante, não os convide para entrar.”



    “Você diz que me viu na estrada sete dias atrás”, disse Davriel. “Você diz que eu estava lá, com dois geists, atacando alguns mercadores. Como era a minha aparência?”



    “Eu não tenho que responder a você!” Disse Edwin, erguendo a espada, com luz de lamparina brilhando na lâmina.



    “Você ao menos viu a minha máscara?”



    “Eu… você fugiu para a floresta antes que eu pudesse ver!”



    “Eu fugi? A pé? Eu não usei uma carruagem? E você simplesmente me deixou ir?”



    “Você… você desapareceu na floresta com seus geists. Eu não vi sua máscara, mas a capa é bem evidente. E eu não fui atrás de você porque eu precisava ver como estavam suas vítimas!”



    “Então você disse a todos que me viu”, retrucou Davriel, “quando tudo o que você realmente viu foi um vulto indistinto com uma capa?”



    “Eu… eu sabia o que você era…” disse Edwin, vacilando. “Os inquisidores falaram sobre lordes como você! Alimentando-se dos inocentes. Procurando aldeias desprotegidas para dominar. Seu tipo é uma praga sobre nossa terra!”



    “Você estava procurando um motivo para me culpar por algo”, disse Davriel. “Essa foi apenas a primeira oportunidade que você encontrou. Garoto tolo. Quão alta era essa figura que você viu?”



    “Eu…” Ele parecia estar reconsiderando sua acusação.



    Davriel ergueu a mão e esfregou os dedos, invocando a piromancia roubada. O poder ainda estava com ele, embora estivesse desaparecendo. Ele fez chamas dançarem ao redor de seus dedos.



    Edwin estava mentindo de propósito ou não? Poderia Edwin ter planejado matar os pais de Tacenda por algum motivo, depois deixado a irmã escapar para que ela pudesse identificar o assassino como Davriel? Teria ele próprio atacado os mercadores e usado o ataque para fazer todo mundo focar em Davriel?



    Talvez ele pudesse arrancar a verdade através do medo.



    “Rom”, disse Davriel, “você deveria buscar um pouco de água. Eu odiaria queimar o lugar por acidente. E talvez também um esfregão para lidar com o que sobrar deste jovem.”



    “Sim, senhor”, disse Rom. Ele pegou Tacenda pelo braço, levando-a para longe do conflito, mais adiante no corredor.



    Edwin empalideceu — mas, em sua defesa, tentou atacar Davriel. No final das contas, não foi uma manobra ruim. O manto de Davriel, no entanto, produziu pós-imagens que confundiriam a todos, exceto os espadachins mais precisos. O ataque do garoto foi para a direita. Davriel se afastou, depois bateu de leve na lâmina com sua unha.



    O jovem se virou, rosnando, depois atacou novamente. Davriel, por sua vez, ativou o feitiço de invocação de armas. Fazer isso enviou uma pequena pontada de dor para dentro de sua mente. Feitiço estúpido. Ainda assim, funcionou, trazendo para a mão a última arma que ele tocou: neste caso, a espada do jovem sacerdote.



    Edwin tropeçou, desequilibrado, quando sua arma sumiu e depois reapareceu na mão de Davriel.



    Davriel levantou a outra mão, deixando as chamas aumentarem ao redor de seus dedos. “Diga-me, criança”, disse ele. “Você realmente acha que eu fugiria de você?”



    O jovem sacerdote cambaleou para trás, tremendo, mas arrancou sua adaga do cinto.



    “Você realmente acha”, disse Davriel, “que eu roubaria almas em segredo? Se eu precisasse delas, eu as exigiria!”



    Ele precisava de algo para engrandecer o momento. Talvez aquele feitiço de tinta que ele roubou do velho demonologista? Mal causou uma pontada de dor a Davriel ao usá-lo para pintar as paredes de preto, como tinta derramada. Ele fez letras sobrenaturais irromperem de onde a escuridão era mais pronunciada e se moverem pelo chão em direção a Edwin. Elas fluíam como sombras, escritas em ulgrothano antigo.



    O jovem sacerdote começou a tremer visivelmente, recuando diante do rabisco arcano.



    “Eu não matei aquelas pessoas”, disse Davriel. “Elas me serviam bem. Mas sua acusação causou um dano incrível. Quem está realmente por trás disso fugiu e usou você como uma distração. Então, responda minhas perguntas. Como era a aparência dessa pessoa?“



    “Era… era mais baixo do que você”, sussurrou Edwin. “Mais magro, eu acho. Eu… eu tinha tanta certeza de que era você…” Seus olhos se arregalaram, enquanto as letras avançavam em sua direção. “Anjo sem Nome, perdoe-me!”



    Ele se virou e fugiu.



    Davriel observou o jovem ir, abaixando a mão e banindo a piromancia. Ele não sabia ao certo, mas seus instintos diziam que esse Edwin não era nenhum mestre do crime em segredo. Ele havia visto um ataque na estrada, talvez intencionalmente projetado para fornecer uma testemunha. De fato, parecia provável que o ataque aos pais de Tacenda tivesse poupado a irmã pelo mesmo motivo, de forma que ela corresse e contasse às pessoas o que tinha visto.



    Será que quem estava por trás disso sabia que desaparecimentos repentinos causariam a disseminação de rumores, atraindo os caçadores para investigá-los? Os primeiros ataques poderiam ter como objetivo fornecer uma cobertura, desviando a atenção para Davriel.



    Mais baixo do que eu, pensou Davriel. Ele tinha um metro e setenta e oito centímetros de altura. E mais magro. Isso não quer dizer muita coisa porque, com o seu manto, as pessoas geralmente o enxergavam como sendo maior do que ele é.



    “Você já terminou?” falou uma voz em tom exigente ao seu lado.



    Davriel se virou e deparou com a prioresa parada na porta do aposento dela. Com a pele enrugada e com a cabeça coberta por um coque prateado, ela estava envelhecida como uma velha cadeira que você encontrou no sótão — a lógica diz que ela deve ter sido nova um dia, mas você teve dificuldade em imaginar que ela realmente alguma vez tenha estado na moda. Roupas brancas simples cobriam seu corpo e seus lábios estavam marcados por uma carranca perpétua.



    “Pare de ameaçar meus sacerdotes”, disse ela. “Você está aqui por mim. Se você tem que roubar uma alma, tome a minha. Se puder.”



    “Terei vingança pelo que você me causou, velha”, disse Davriel.



    Ele encontrou os olhos dela, e os dois se encararam por um longo período. Sussurros preocupados vieram do outro lado do corredor, onde monges e sacerdotes haviam se reunido para assistir.



    Finalmente, a prioresa recuou e deixou Davriel entrar no pequeno aposento. Ele entrou bruscamente e, fechando a porta com um chute, jogou a espada para longe.



    Então ele desabou na cadeira atrás da mesa. “Nós”, vociferou ele à prioresa, “supostamente tínhamos um acordo, Merlinde”.



    Continua (…)



    Agradecendo muito ao pessoal da mythologica, quem está fazendo esse trabalho impressionante de tradução!!