Boletim dos Artesãos - Ondřej Stráský Vence o Último Pro Tour

Escrito por artesaosdomagic
Publicado em 11/11/2019
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Olá e sejam bem-vindos a mais um Boletim dos Artesãos pronto para te suprir com o que de mais importante aconteceu no Mundo do Magic na última semana. E o que aconteceu foi nada mais nada menos do que o Campeonato Mítico VI em Richmond, que está sendo chamado de o último Pro Tour, já que, devido as mudanças de direção anunciadas para o Jogo Organizado, não teremos mais campeonatos de alto nível em um formato sequer parecido. Foi um fim de semana de muita competição, então vamos saber o que aconteceu.

Oko Domina de Forma Sem Precedentes

Indo para o campeonato já sabíamos que os decks centrados na mecânica Comida, principalmente no planinauta Oko, Ladrão de Coroas , eram os decks a serem batidos. As questões que ainda tínhamos para responder então eram três: o quão dominante o planeswalker seria, qual seria o melhor deck a usá-lo e se haveria algum deck capaz de vencê-lo.

A resposta para a primeira pergunta veio na sexta com uma clareza absurda. Do Metagame do Dia 1 do Standard 69% dos decks continham Oko, Ladrão de Coroas no deck principal ou no sideboard. Esses são números de dominação sem precedentes no formato. Não importa o quão forte um deck tenha sido no passado, nenhum havia quebrado a barreira dos 50% em um Pro Tour / Campeonato Mítico.

Metagame Dia 1

O grosso dos decks que usavam Oko foram mesmo os decks de Comida, 63% do campo, focados em acelerar ameaças como o próprio planeswalker, Nissa, Abaladora do Mundo, Lobo Mau e Krasis Hidroide, sempre apoiados por aceleradores como Ganso Dourado, Druida do Paraíso e Era Uma Vez.

Abaixo dos decks de Comida, o deck mais popular que não usava Oko, Ladrão de Coroas foi Golgari Adventures, com 6,7%, menos de um décimo da fatia do planinauta. Junto com decks como Jeskai Fires, Temur Reclamation, Rakdos Sacrifice e Azorius Control essa parte do Metagame representava aqueles jogadores que buscavam um embate favorável contra Oko, seja focando seus esforços no fim do jogo ou se aproveitando de fraquezas inerentes de seus decks, como ausência de remoções.

No Dia 2 a resposta para a segunda pergunta começou a aparecer enquanto Oko expandia sua dominância para cerca de 71% do campo. Todos os decks que usavam o planinauta e tinham ao menos cinco jogadores no Dia 1 tiveram uma taxa de conversão de ao menos 60%, ou seja, levaram a maioria de seus jogadores ao segundo dia de competição.

E essa taxa de conversão nos deu um dos primeiros indicadores de qual deck poderia estar saltando na frente, pois Sultai Sacrifice liderava essa estatística com 84,6% (novamente, para decks que usavam Oko com ao menos cinco jogadores no Dia 1). O deck diverge da estratégia de Comidas comum ao usar cartas como Familiar do Caldeirão, Forno da Bruxa, e Trilha de Migalhas para criar um forte mecanismo de sacrifícios.

Decks Oko, Dia 2

Quanto aos decks sem Oko, Ladrão de Coroas tivemos desempenhos desapontadores. Golgari Adventure continou como o maior representante do grupo, mas com uma conversão não muito animadora, e da mesma forma ficaram Temur Reclamation e Rakdos Sacrifice. Em contrapartida, Jeskai Fires teve uma conversão altíssima e Azorius Control uma baixíssima, mas elas foram fortemente influenciadas pelas rodadas de Draft do campeonato. Só teríamos respostas definitivas no fim do sábado.

Decks Anti-Oko, Dia 2

E assim foi, quando Frank Karsten publicou as taxas de vitórias para o Standard no MCVI, e confirmou a grande performance de Sultai Sacrifice, o melhor deck do campeonato, liderando em porcentagem de vitórias absolutas, contra os decks de Comida e também contra os outros decks do campo.

E os anti-Oko, temos algum salvador? A resposta imediata é não, não temos. Nenhum dos decks que citamos anteriormente teve uma porcentagem de vitórias acima dos 50% nem contra os decks de Comida nem contra o campo no geral.

Então não temos mesmo para onde correr? Também não é bem assim. Se buscarmos um pouco mais fundo veremos o deck Gruul Adventures com números bastante expressivos, apesar de ter sido usado por apenas três jogadores, e baita jogadores em Martin Müller, Seth Manfield e Javier Dominguez.

De qualquer forma os resultados apontam para um banimento de Oko, Ladrão de Coroas, então provavelmente teremos um formato diferente daqui a algumas semanas no Campeonato Mítico VII.

Ondřej Stráský Campeão do Campeonato Mítico VII

Como já vimos aqui muitas vezes, nem sempre o melhor deck é o campeão, visto que os resultados também são fortemente decididos pela perícia individual dos jogadores, e ainda bem que é assim. Assim Sultai Sacrifice não colocou nenhum representante no Top 8, embora Oko estivesse mais do que presente, com 75% dos assentos.

Ao fim das rodadas de suíço os jogadores que se classificaram para o mata-mata de domingo foram Austin Bursavich (Sultai Food), Louis Deltour (Sultai Food), Eli Kassis (Golgari Adventure), Andrew Cuneo (Selesnya Adventure), Paulo Vitor Damo da Rosa (Simic Food), Sebastian Pozzo (Simic Food), Ondřej Stráský (Simic Food) e Oscar Christensen (Sultai Food).

Top 8 MCVI

Alguns desses nomes são bastante notáveis. O primeiro, é claro, o brasileiro Paulo Vitor Damo da Rosa, que em seu 13º Top 8 de Pro Tour/Campeonato Mítico lembra a todos porque ele é discutivelmente o maior de todos os tempos. Outro nome latino na lista é do argentino Sebastian Pozzo, que já foi Mestre do Construído em 2016-17 e chegou à final do Team Series de 2017-18 com a Hareruya Latin, e adiciona seu primeiro Top 8 do tipo ao currículo.

Finamente temos Ondřej Stráský. O checo, que já havia tido sucesso no Magic Profissional em 2014-15 e havia decidido se aposentar em 2018 mudou de ideia ao vencer o seu Grand Prix de despedida. De lá pra cá ele não parou, sendo uma constante no Standard e sacramentando essa posição com mais uma bela performance.

O primeiro oponente de PVDDR seria Andrew Cuneo, um jogador que se recusou a se unir a Oko, escolhendo o deck que a seus olhos tinha mais chance de vencê-lo. No embate Paulo levou a melhor em cinco jogos difíceis. A dificuldade se repetiria na semifinal no embate latino contra Pozzo, mas Paulo novamente sairia vencedor rumo às finais.

Do outro lado Stráský teve um pouco mais de tranquilidade ao vencer Louis Deltoir e logo depois Oscar Christensen na semifinal. A final então seria um mirror clássico entre dois Simic Food, tão comum no atual Standard.

No primeiro jogo Paulo Vitor teve o início dos sonhos, com um Oko, Ladrão de Coroas no terceiro turno e a vitória vindo pouco depois. Ondřej respondeu na mesma moeda no jogo dois, com uma Nissa, Abaladora do Mundo  no turno três que logo depois acabou equalizando o embate.

A situação depois pareceu melhorar cada vez mais para o brasileiro, que venceu o jogo três e estava em uma posição dominante no quarto. O checo, no entanto, manteve em mente a tática básica de sempre jogar para suas saídas, e, esperando o momento certo, acabou virando o jogo, levando para a quinta e decisiva partida.

No quinto jogo PV começou com uma vantagem mais tênue, interrompida pelas respostas de Ondřej Stráský, que continuou com o mesmo conceito em mente. E a saída veio na forma de Manipulação em Massa, que fechou o jogo dando a ele o título do Campeonato Mítico VI.

Ondřej Stráský Campeão do MCVI

Com o título Ondřej Stráský se classifica para o Mundial do Magic e também assegura sua posição na Magic Pro League do ano que vem. Parabéns ao jogador!

Mistério Revelado

Antes de irmos não podemos deixar de mencionar os Mystery Boosters que foram finalmente revelados nesse fim de semana. Eles são uma mistura dos dois palpites que demos antes: uma seleção curada de mais de 1000 cartas (mas menos de 2000) de toda a história do Magic, indo até a coleção Miragem.

O detalhe que mais chamou atenção foi a inserção de “cartas de teste” como elas apareceriam num draft da equipe de desenvolvimento do Magic. Elas são muito bem humoradas e interessantes, mas infelizmente só estarão na Edição de Convenção do produto.

Cartas de Teste em Mystery Boostees

Mais informações sobre os Mystery Boosters devem ser reveladas ainda hoje, então fique atento!

Assim finalizamos mais um Boletim! O que você achou do MCVI? Torceu muito pelo PVDDR? O que achou dos Mystery Boosters? E qual será o destino de Oko, Ladrão de Coroas? Sinta-se livre para nos contar usando a seção de comentários. Você também pode nos alcançar por nossa página no Facebook ou Twitter. Obrigado pela leitura.

Thiago Santos dos Artesãos do Magic

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