Retrospectiva Yu-Gi-Oh! - Parte 1 (2002-2005)

Escrito por CyberseTeamBR
Publicado em 27/12/2018
126 Visualizações, 0 Comentários.

Yu-Gi-Oh! começou sua história apenas como um Mangá semanal sobre um menino que havia sido possuído pelo espírito de um antigo faraó egípcio que desafiava vários antagonistas para diferentes tipos de jogos. Um desses jogos, foi entitulado de Magic &  Wizard (Magos & Feiticeiros), e depois acabou sendo renomeado para o mais familiar Duel Monsters, ou no bom português, Monstros de Duelo. O episódio em especial onde o jogo foi mostrado pela primeira vez, era uma simples homenagem aos jogos de cartas que haviam começado a "decolar" a partir dos anos 90, em especial o já conhecido Magic: The Gathering. No entanto, o jogo se tornou muito popular, com os fãs pedindo cada vez mais para que ele reaparecesse no mangá, e assim ele reapareceu nos capítulos posteriores.

No entanto, a popularidade do Duel Monsters eventualmente levou o mangá a mudar seu foco completamente para ele, e também levou ao lançamento das primeiras cartas de Yu-Gi-Oh! pela BANDAI. Essas cartas não eram feitas para serem um jogo, e sim para serem artigo de colecionadores - um dos principais fatores que encurtaram sua trajetória desconhecida. A idéia da BANDAI realmente não tinha dado certo, e a Konami, uma empresa concorrente resolveu criar o jogo oficial de cartas em 1998. Esse jogo tinha regras nunca antes vistas no mangá, como a Tribute Summon por exemplo, como também o aumento dos Pontos de Vida de 2000 para 8000. O jogo rapidamente ganhou fôlego no Japão, se tornando um sucesso nacional, juntamente com o lançamento do Anime no ano 2000. Isso solidificou ainda mais a popularidade da franquia, fazendo com que houvesse sua exportação mundial no ano de 2002.

2002

O jogo de cartas como conhecemos hoje começou em Março de 2002, com o lançamento do primeiro Booster Pack do TCG: Legend of Blue Eyes White Dragon e os dois primeiros Starter Decks, que correspondiam a Yugi e Kaiba. Nesse estágio inicial do jogo o Cardpool (variedade de cards) era bem pequeno. A maioria dos monstros eram Monstros Normais, ou tinham efeitos simples de uma linha. À medida que o jogo ganhava popularidade, novas cartas eram lançadas ao longo do ano, e não demorou muito para que os jogadores profissionais da época reconhecessem o Caveira Invocada com o monstro mais forte do jogo naquele atual momento. Ele é um Monstro Normal de Nível 6 e com 2500 de ATK, e dentre os monstros de Invocação-Tributo, ele era o que tinha melhor custo benefício, já que tinha o mesmo ATK dos monstros mais poderosos da época, mas só necessitava de 1 Tributo.

Outra característica marcante daquela época era o Powercreep dos monstros de Nível 4 do jogo. Logo de início La Jinn, o Gênio Místico da Lâmpada se estabaleceu como o melhor monstro que não necessitava de Tributo daquela época, isso porque tinha 1800 de ATK. Posteriormente, o Mechanicalchaser foi lançado com seus 1850 de ATK, mas era um monstro raro, já que era premiação de torneio, e por esse motivo não foi tão icônico no Metagame da época, por conta de seu difícil acesso.

Esse período da história do jogo ficou conhecido como "Summoned Skull Beatdown Format". Isso é um pouco impróprio, pois apesar de grande maioria dos Decks realmente usarem o Summoned Skull para causar maiores danos de batalha, naquela época ainda não existia a concepção de "formato", como temos hoje em dia. Como o jogo ainda era relativamente novo no ocidente, a comunidade ainda era subdesenvolvida e a base de jogadores era muito "distorcida" quanto ao oriente: enquanto no Japão, boa parte dos jogadores eram mais velhos, no ocidente os jogadores eram mais novos, já que grande maioria eram formados por fãs do anime que acabaram por conhecer o jogo, que foi comercializado para crianças. Esses fatores, combinados com a falta de torneios de grande porte no TCG naquela época acabaram por criar um "Meta" muito variado e aparentemente aleatório. Não existia um melhor Deck universalmente aceito, e muitos jogadores usavam cartas simples.

Porém mesmo assim, naquela época já existiam cartas muitos fortes, que pareciam estar uma década a frente do seu tempo: Pote da Ganância, Reviver Monstro, Raigeki, Buraco Negro, Mudança de Opinião e Tempestade Pesada foram cartas marcantes para a época, e não demoraram muito para fazerem parte da primeira Forbidden List (que naquela época era apenas a Limited List). Eles compartilhavam a característica comum de ter efeitos extremamente poderosos e que eram livres de qualquer custo, e não possuiam nenhum contra-jogo. O primeiro Booster Pack responsável por mudar o foco de muitos Decks da época foi o Magic Ruler (que depois foi renomeado de Spell Ruler). Como o próprio nome sugeria, nessa coleção foram lançadas muitas novas Magias, como Duo Delinquente, Confiscação, Tufão Espacial Místico, Escolha Dolorosa, Roubo Precipitado e The Forceful Sentry. Apesar de não possuirem efeitos tão poderosos quanto as cartas anteriores, essas cartas também viram jogo quase que imediatamente após serem lançadas.

Mas foi o último Booster do ano: Pharaoh's Servant que trouxe a última carta mais importante para o jogo. Jinzo era único naquela época, e apesar de ser um pouco mais fraco do que o Summoned Skull, possuia um efeito extremamente poderoso, que mudava a forma de jogar dos Decks, Sua capacidade de negar cartas como Força do Espelho e Buraco Armadilha significava ignorar muitas das estratégias defensivas da época, além de se tornar um marco em muitos Decks de Beatdown daquele "formato". 

2003

Em 2003, o melhor Deck ainda era Beatdown, mas à medida que a variedade de cartas se expandia, o mesmo acontecia com a estratégia do Beatdown. Mesmo após o lançamento da Gemini Elf, que era um novo Monstro Normal de Nível 4, mas dessa vez com 1900 de ATK, o número cada vez maior de Monstros de Efeito acabou fazendo com que ele não visse tanto jogo quanto seus antecessores. O estilo de jogo havia mudado de simplesmente Invocar monstros com alto poder de ATK para um conjunto mais amplo de estratégias, que envolviam monstros como Kycoo o Destruidor de Fantasmas e Bazoo, o Comedor de Almas. O conjunto geral de cartas staples também estava evoluíndo em ritmo acelerado. A cada novo lançamento do TCG, várias Magias & Armadilhas novas foram lançadas e passaram a ser usadas em qualquer Deck que quisesse competir, como United We Stand, Tributo Torrencial, Caridade Graciosa e Espanador de Penas da Harpia.

Simultaneamente, as coleções Legacy of Darkness Pharaonic Guardian passaram a lançar suportes específicos que envolviam Tipos de Monstro. Apesar dessas estratégias num primeiro momento não decolarem no cenário competitivo, Decks focados em Warriors, Fiends e Zombies passaram a aparecer no primeiro semestre do ano, em Competições Locais.

Foi nesse ano que ocorreu o primeiro grande evento de Yu-Gi-Oh! em grande escala: o WCS 2003. O Campeonato Mundial foi muito importante, porque gerou mudanças significativas no Meta posteriormente. O WCS mostrou que, apesar da estratégia Beatdown ser mais comum no ocidente, a estratégia de Hand Control, mais comum no oriente era a mais potente. Esse Deck se concentrava em usar cartas como Confiscation, Delinquent Duo, The Forceful Sentry, Don Zaloog e Drop Off para descartar toda a mão do oponente e deixá-lo sem recursos para fazer um "comeback". O Deck também ficou conhecido pela sua incrível capacidade de aproveitar ao máximo o Yata-Garasu, que praticamente ganhava os duelos sozinho. O Hand Control foi parte dominante daquele campeonato mundial, mas não dominou o Meta como um todo. O TCG ainda não tinha muitos torneios de nível mundial, então a maioria dos jogos competitivos eram simplesmente os locais. O Deck Hand Control portanto, acabou não ficando muito difundido entre os players da época, apesar da clara vantagem em relação aos Decks Beatdown da época.

Foi então no segundo semestre de 2003 que o Meta mudou um pouco com a introdução de um novo Deck focado no Cientista Mágico. Esse Deck ficou conhecido principalmente por ser o primeiro Deck FTK a ganhar notoriedade competitiva. Ele era baseado em usar o efeito do Cientista para Invocar vários Monstros de Fusão do Extra Deck (na época Deck de Fusão) e Tributá-los com o efeito da Tartaruga Catapulta para causar 8.000 pontos de dano ao oponente, antes que ele pudesse jogar. No entanto, a consistência desse Deck não foi capaz de fazê-lo vencer os poucos torneios de grande porte da época, e ele ficou resumido somente a alguns locais. No fim do ano, os Decks Beatdown ainda eram os mais fortes para o formato do ocidente, mas as builds focadas para Hand Control estavam começando a surgir por aqui.

2004

O ano de 2004 foi dominado pelo lançamento, logo no início do ano da coleção Invasion of Chaos, que trouxeram os "Chaos Monsters". Os dois monstros principais da coleção: Soldado do Lustro Negro - Enviado do Princípio e Dragão Emperador do Caos - Envoy da Extremidade. Eles eram inigualáveis em termos de ATK, bons efeitos e facilidade de Invocação (eles podiam ser Invocados por seus próprios efeitos, algo inédito naquela ocasião). 

O Deck Chaos também entrou em cena no mesmo período em que eventos de grande porte começaram a acontecer com mais frequência. O início das Qualificatórias Regionais, e o aumento de comunidades Online, permitiram um Meta mais uniforme, que se moldava para os Decks Chaos e suas variantes. O Chaos Control já havia surgido como uma estratégia no fim de 2003, mas veio a se tornar mais relevante no início de 2004, como uma estratégia nova e revolucionária para a época, que bania monstros no campo com ampla facilidade. A maior parte do núcleo do Deck continuava reunindo as melhores cartas da época, mas agora também tinham que usar monstros de TREVAS e LUZ para facilitar a Invocação dos Monstros Chaos. Os monstros TREVAS já eram populares no Meta, porém os monstros de LUZ ainda não tinham muita relevância no cenário competitivo. Para resolver isso, muitos jogadores começaram a usar a D.D. Warrior Lady como staple básica do Deck, juntamente com Anjo Resplandecente para facilitar sua Invocação, e o mais importante, ter monstros de ambos os Atributos no Cemitério. Além disso, a D.D. Warrior Lady também tinha um efeito de remoção sem destruíção, que era inédito para a época.

Outra coisa a se notar no ano de 2004 é que, mesmo após o lançamento de dois novos Booster Packs, o meta continuou o mesmo, sem alterações. Até mesmo as builds eram pouquíssimo alteradas nesse processo, sendo mesmo relevante somente a adição da carta Controlador de Inimigos em algumas builds, para aumentar ainda mais seu poder de controle. O Deck não mudava, porque não precisava mudar, e nenhum outro Deck o ameaçava, nem mesmo de longe. Chaos estava tão dominante, que houve a necessidade de se fazer uma nova Forbidden & Limited List, que baniu as cartas mais poderosas da época como Raigeki, Harpie's Feather Duster, Yata-Garasu e o próprio Chaos Emperor Dragon, mas mesmo assim o Deck parecia não ter perdido força, e se mostrou dominante mesmo com o Black Luster Soldier sendo seu único Boss Monster na época.

2005

O início de 2005 manteve o mesmo formato pós-lista. O Deck Chaos e suas variantes ainda dominavam completamente o Metagame, agora concentrados em usar os efeitos do Black Luster Soldier e do Magical Scientist para passar por cima do oponente (quando não era FTK, era OTK). O formato só deixou de ser de fato controlado pelo Deck Chaos com a segunda Forbidden & Limited List, que baniu as cartas mais poderosas que tinha ficado de fora da primeira, como Jarro de Fibra, Magical Scientist, Painful Choice, Confiscation e The Forceful Sentry, e além disso limitou a D.D. Warrior Lady, muito comum mesmo nessa nova forma do Deck.

E foi somente depois dessa lista, que entramos no que talvez seja o formato mais famoso e diversificado do jogo, chamado de "Goat Format". O Goat Format foi liderado pelo Deck Goat Control, que era um novo Deck, com uma essência antiga. Era formado por cartas remanescentes do Deck Chaos Control, mas também usava Bode Expiatório e Metamorfose para Invocar o Restrição dos Mil Olhos para o campo e ir roubando os monstros do oponente um a um. Porém, o grande número de cartas que haviam sido banidas ou limitadas com a última lista diminuiu muito a velocidade do jogo, e a prova disso foi a grande presença de Monstros Flip no metagame da época. Embora a época seja conhecida como "Goat Format", o nerf dado no jogo graças a lista fez com que outros Decks pudessem competir, de grande maioria, Rogues. De fato, o Deck mais forte da época era o Goat Control, mas inúmeros outros Decks como os Fiends, Zombies, Machine Beatdown, Flip Control e os Monarchs puderam bater de frente com ele. Em particular, até mesmo os Decks de Zombies e Monarchs conseguiram viver seus momentos de glória nessa época, principalmente pelos problemas que os outros Decks tiveram pós-lista.

Esse ano também ficou conhecido pela grande quantidade de Decks Rogue que tiveram certa relevância no formato, mas dois desses Decks conseguiram surpreender e chegar as fases mais distantes do WCS daquele mesmo ano. O primeiro deles era o Machine Beatdown, que se concentrava em abusar do efeito da Remover Limites, que estava ilimitada na época, para facilmente dar um OTK no oponente. O outro Deck era o Flip Control, também conhecido como Flip Flop, que eram baseados em efeitos de monstros Flip ciclônicos, ou seja, que se repetiam ao longo do duelo, e para isso, cartas como Tsukuyomi e Assaltante Noturno eram essenciais. Elas permitiam que os jogadores abusassem dos efeitos de Jarro Metamórfico e Des Lacooda para aos poucos ir ganhando vantagem no duelo, e lentamente ir esgotando os recursos do oponente, inclusive, esse Deck se mostrava muito forte contra o Deck Goat Control, já que podia passar por cima do efeito da Delinquent Duo ao ser enviado ao Cemitério.

O Goat Format em si só durou 6 meses no TCG, e terminou em Setembro de 2005, graças a duas grandes mudanças no jogo. A primeira delas foi a chegada do Booster Pack Cybernetic Revolution, lançado em Agosto. Essa coleção trouxe para o jogo o por muito tempo temido Dragão Cibernético, que se tornaria uma referência no Metagame. Antes dele, os turnos eram muito mais lentos, e os jogadores normalmente Invocavam um monstro com alto poder de ATK e sem efeitos, ou com efeitos muito simples, com excessão do Força de Ataque de Elite Goblin ou o Gorila Enraivecido, que eram muito populares na época e passavam seus turnos. Normalmente essa seria a jogada padrão, a não ser que os jogadores estivessem jogando com o Deck Chaos (que já tinha sido deixado de lado a muito tempo). A chegada do Dragão Cibernético mudou isso drásticamente, e agora os jogadores podiam Invocar um poderoso monstro com 2100 de ATK para o campo sem gastar sua Invocação-Normal. Nos formatos anteriores, se um jogador quisesse fazer uma Invocação de um monstro com o Nível e ATK altos, ele precisaria moldar todo o campo e a Invocação-Tributo era a melhor mecânica até então, mas gastava recursos e longos turnos. O Dragão Cibernético fazia isso de forma muito fácil e rápida, e logo acabou se tornando uma Staple da época.

E a segunda grande mudança foi a Forbidden & Limited List de Setembro, que ajudou a decretar o fim do Goat Format. Graceful Charity, Black Luster Soldier, Delinquent Duo e o Black Luster Soldier foram banidos, e com isso o que restava do Deck Chaos Control foi eliminado. Além disso, O Thousand-Eyes Restrict, Scapegoat e Metamorphosis foram limitados, reduzindo drásticamente a força do Deck, que já era bem lento, com isso agora ele também era incosistente. Tsukuyomi, Book of Moon e Night Assailant também foram limitados, com a intenção de prejudicar tanto o Flip Control, como os Decks Goat Control que as utilizavam. Além disso, a Limiter Removal também foi limitada, com intenção de acertar tanto o Machine Beatdown, como o próprio Cyber Dragon que havia acabado de chegar. Os únicos Decks que restaram para desafiar o Deck de Cyber Dragon eram os Zombies e Monarchs, mas mesmo assim eles não tinham a força necessária e o Cyber Dragon dominou o final do período de 2005.

E no fim de tudo, o jogo, no final de 2005 já havia evoluído muito e se tornado um verdadeiro sucesso. Já havia se passado o tempo onde se Invocava um Monstro Normal e se baixava algumas Armadilhas. Com a variedade de cartas aumentando, o jogo ganhou um tom estratégico e passou a possuir as mais variadas jogadas. Além disso, os pensamentos dos próprios jogadores estavam mais complexos e agressivos do que nunca. 

Sem dúvida, os primeiros anos de Yu-Gi-Oh! Trading Card Game foram de extrema importância para o jogo como um todo. Muito do que é visto hoje, é fruto do passado ainda desconhecido por muitos players mais novos no jogo. E esse ainda é só o começo dessa longa jornada. Daqui a mais alguns dias, vocês poderão ver o próximo post dessa mini-série aqui na MYP Cards, e como estamos em época de fim de ano, aproveitei para escrever um pouco mais no meu tempo livre. Espero que tenham gostado, e peço que se inscrevam no nosso canal do YouTube, afinal de contas, temos muitas novidades chegando por aí! Se você sentiu vontade de comprar algumas das cartas vistas aqui nesse post, mesmo que seja só pela nostalgia, não se esqueça que podemos tê-la disponível aqui na MYP Cards, não deixe de conferir!

Até a próxima!

Comentários