Mochila de Criança - Report Trios Pauper

Escrito por Buffix
Publicado em 24/09/2018
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"Reis não tomam a coroa, eles são coroados"

-Autor Desconhecido

Saudações fanáticos do Magic! Eu sou Thiago Yudi Watanabe, tenho 19 anos e jogo magic desde outubro de 2017.

Hoje venho aqui falar sobre o torneio no formato de trios (T2, Modern e Pauper) realizado na minha cidade de Londrina na Loja Batbanca (22/09/2018). O evento reuniu uma quantidade pequena de jogadores (24 jogadores somente) mas foi uma experiência incrível para um aficionado como eu e uma oportunidade de melhorar o cenário competitivo de Magic que tanto amamos na nossa cidade. A organização do torneio acertou em cheio na escolha dos formatos pelo fato de que outros campeonatos de trios que jogam Legacy ao invés de Pauper acabam sendo muito mais restritivos por motivos financeiros além de que muitos poucos jogadores aqui possuem cartas da reserved list (estou falando de vocês, João Araújo e Felipe Alfaya). Com quatro rodadas no suíço mais semifinais e finais, eu me senti satisfeito com o meu desempenho de maneira geral.

Vamos lá. Joguei ao lado de Rafael "Pistolito" Kenji Nishiyama pilotando o seu BR Aggro no T2 e João "Rinaldin" Rinaldo com Humanos no Modern. Os dois decks são os melhores dentro de seus respectivos formatos e os jogadores pessoas que eu admiro dentro da minha cidade e que são as mais envolvidas no competitivo jogando PPTQs, GPs, finais de CLM, etc. Dessa forma, a minha escolha de deck para o pauper foi o Boros Monarca. Faço um desabafo aqui que não possuia intenções de jogar com esse deck optando (scry 1, draw 1) pelo Burn ou Affinity afinal os resultados que vinha fazendo em outros campeonatos pauper com o Monarca sempre foram muito ruins. Mas graças aos meus melhores amigos Grazielli e (depois de tomar um couro do deck) Mikanii, acabei me empenhando em treinar mais com o deck e trabalhar em cima dos erros que os meus dois colegas me apontavam.

Sobre o deck:

O Boros Monarca é um deck midrange que procura utilizar criaturas que possuem status muitos bons para sua curva como Glint Hawk e Kor Skyfisher e procura transformar seus drawbacks em farofada vantagem voltando Prisma Profético e Frasco do Alquimista para fornecer re-draws. O deck ainda utiliza as lands artefatos Covil Antigo e Grande Fornalha tanto para voltar com a habilidade do glint como para ativar a habilidade de metalcraft de Galvanic BlastA carta que dá nome ao deck é o Palace Sentinels que fornece a mecânica de Monarca e consequentemente uma quantidade absurda de card advantage no long-game. "Ah, mas Cassia (apelido dado na época que eu jogava de Aproximação do Segundo Sol), como você mantém o Monarca durante tanto tempo?" a resposta meu caro Padawan é utilizando remoções como Lightning BoltFirebolt e Journey to Nowhere conjuntamente com efeitos de fog como Prismatic Strands e a ativação dos frascos para ter certeza que seu oponente veja com desgosto no final de cada turno você comprar uma carta adicional. O deck possuí uma sinergia insana e que afetam todas suas decisões a cada turno em como devo interagir com o oponente. "Devo controlar o board com meus burns ou focar em mirá-los na cara e fechar o jogo mais rápido possível?"; "Devo fazer o meu Guinchado de Guerra ou deixar a mana aberta para o Prismatic Strands?". A todo momento o jogador tem que pensar nessas decisões e isso que torna o deck tão difícil de ser pilotado. A lista que utilizei foi a seguinte:

A única inclusão "diferente" que coloquei dentro do deck das listas do MTGO foram um Lodaçal Mortuário no maindeck pela utilidade que ele fornece ao deck e dois Dawn Charm no side. Achei a carta no side sensacional pela versatilidade de Fog, regeneração e potencial counter. Enfim sem mais demora, vamos aos jogos:

Match 1 - trio Paolo x Leonildo x João Araújo (Tron)

A primeira match foi o que muitas pessoa colocam como sendo a "pior match possível para o Monarca". Eu sempre encarei essa match como razoável no game 1 e favorável nos games 2 e 3 pela presença do sideboard que quebram os looping infinitos do Tron. Tentei jogar como controle contra o João uma vez que sabia que o Stonehorn Dignitary dele provavelmente nunca iria me deixar bater com as minhas criaturas, virei o monarca o mais rápido possível pela ausência de criaturas no deck dele, interrompi o combo de Ghostly Flicker matando as Mnemonic Wall em resposta com Galvanic Blast (nota: vocês podem ver como funcionam as interações do Tron no artigo bem escrito pelo Wlad no MYP aqui). Utilizei inúmeras vezes a habilidade da Bojuka Bog voltando com Kor Skyfisher e Boros Garrison para interagir com o cemitério dele e quando ele tentou dar um Rolling Thunder pra 18 na minha cara, virei um token de pássaro e recapitulei o Prismatic Strands para prevenir o dano. As partida dos meus dois colegas acabaram antes do meu primeiro jogo com a vitória do Rafa e do Rinaldo. Ao conversar com o João Araújo após o jogo, ele me disse que não havia mais formas de me dar letal depois que exilei os dois Rolling Thunder do deck. Esse jogo demonstra como a versatilidade do Monarca impede a existência matches impossíveis de serem ganhadas.

Resultado: 1-0

Match 2 - trio Luiz "Fada" Vaz x Mungo x Paulão (Mono U Delver)

Tivemos um game loss logo de cara porque nos atrasamos para a partida. A partida estava favorável para mim mas o Kenji perdeu a partida dele para um Mono Green Stompy e o João Rinaldo foi lockado do jogo por uma Blood Moon no turno 1 contra um Mono Red Prison. #chateado mas vida que segue. Devido ao número pequeno de jogadores um 3-1 ainda nos classificaria para a final e nos focamos nisso. A match contra Mono U Delver é considerada favorável para o monarca e a lista do Paulão não utilizava uma das cartas principais, Ninja das Horas Tardias, que é essencial para não perder o tempo e controle do jogo.

Resultado: 1-1

Match 3 - trio Iuri x Betiati x Fernando "Pato" (Elfos)

Para o torneio, o Pato trouxe uma match que eu acho uma das mais divertidas de jogar contra: Elfos. É justamente por causa dessa match e das variantes de Mono U Delver que o Monarca utiliza um Eletrotruque de maindeck. Game 1 keepei uma mão com uma Great Furnace num mulligan para 5 só pela presença do eletrotruque e de um Lightning Bolt. A segunda land foi uma Boros Garrison que só veio na quarta draw depois do meu oponente resolver DOIS Lead the Stampede e uma Melodia Distante. Consegui limpar uns 10 elfos com o eletrotruque mas as Nettle Sentinel dele fecharam o jogo por possuírem resistência 2. Game 2 subi o Círculo de Proteção: Verde, mais um Eletrotruque e dois Dawn Charm pelos efeitos de fog adicionais. Retirei um Prisma Profético os dois Guinchado de Guerra e um Palace Sentinels. As criatura com voar se tornam bem ruins após o side pela presença de Spidersilk Armor e Scattershot Archer no deck do oponente. Game 2 ele desceu o Elfo "sniper" e tentou matar meu Glint Hawk  e Kor Skyfisher na mesa. Regenerei ambos com Dawn Charm, fiz um ataque levando ele a 3 de vida e dei um top deck de Galvanic Blast enquanto ele tinha uma Fireball para me matar na volta. Eu e o Fernando não conseguimos jogar o jogo 3 pois novamente o Rafa e o João ganharam seus jogos. As escolhas dos decks no formato de trios também influenciam muito na dinâmica do time como um todo. Ambos os decks dos meus colegas de equipe são considerados aggro e eu era quase que o "seguro de vida" do time que permitia os meus dois colegas de equipe terminarem os seus jogos antes e me auxiliarem.

SIDE IN:

2x Dawn Charm 

1x Electrickery

1x Circle of Protection: Green 

SIDE OUT:

2x Battle Screech 

1x Prophetic Prism 

1x Palace Sentinels 

Resultado: 2-1

Match 4: trio Júlio Mendes x Alex x Danilo (UB Control)

A quarta match foi justamente contra o Danilo (fundador do MYP!). Pilotando o seu UB Controle, que me tirou do Top 8 do último CLM Pauper inclusive. O deck tenta ganhar a vantagem com cartas como Manipulação de Alma e Probe, utilizando de Gurmag Angler e Mulldrifter para estabelecer um fim de jogo quase que impossível de ser combatido. Game 1 aconteceu o mesmo pesadelo do Top 8: 3 Gurmag numa moto com Counterspell para anular os meus Journey to Nowhere. Pós-side quatro Pyroblast permitem eu entrar na guerra de counters e anular todas as cartas citadas acima; Relíquia de Progenitus permitem eu desacelerar o Gurmag do jogo inimigo e Reaping the Graves retorna uma mão inteira de criaturas e por possui storm é extremamente resiliente contra anula. Terminamos 1-0 para o Danilo. Novamente João e Kenji ganharam suas partidas e classificamos para as semifinais. Fiz uma brincadeira dizendo que parecia que eu era uma "mochila" de criança sendo carregado pela vitória dos dois mas como eu disse antes, isso é somente lógico dentro da dinâmica do nosso trio e não deve ser motivo de vergonha. Acredito que poderia ter tirado os Prismatic Strands em detrimento de outras cartas do side mas dei preferência por Inspetor de Thraben que me parecem "neutras" em inúmeras matches.

SIDE OUT:

2x Battle Screech 

1x Eletrotruque 

1x Firebolt 

1x Prisma Profético 

4x Inspetor de Thraben 

SIDE IN:

2x Dawn Charm 

4x Pyroblast 

2x Relic of Progenitus 

1x Reaping the Graves 

Resultado: 3-1

Semifinais: trio Gustavo x Andrey x Gabriel (BR Reanimator)

O primeiro jogo das semifinais foi contra uma lista que vem fazendo resultados muito bons dentro do pauper: BR Reanimator. Seguindo a mesma lógica da sua variante no legacy o objetivo é retornar um Ulamogs Crusher ou um Gurmag Angler do cemitério por meio de um Exhume. Como se isso não bastasse, vemos que o conceito de diversão é estudada desde os tempos antigos quando uma pessoa fica satisfeita ao retornar esse bichos colossais junto um Dragon Breath e dar ímpeto. Para. Uma. Criatura. Com. ANIQUILADOR DOIS. Game 1 ele abre de Neófito Insolente, turno 2 Pilhagem Infiel colocando o combo Crusher mais Dragon Breath no cemitério e turno 3 Exhume, batendo com o 8/8 me obrigando a sacrificar minha Boros Garrison com um Journey to Nowhere na mão #soaceitei. Game 2 ele reanimou um Gurmag Angler  turno 2 e, por ter mulligado agressivamente atrás do Journey to Nowhere a pedido do Rafa, exilei o peixe, tirei um Stinkweed Imp do cemitério com Bojuka Bog para ele parar de alimentar o cemitério com o efeito de dredge e fechei o jogo o mais rápido possível. Game 3 foi o game mais apertado que eu já tive. A todo momento eu procurava rastrear quantos Exhume ele ainda tinha. Os dois primeiros Gurmags foram jogados extremamente cedo com a habilidade de dredge do Stinkweed Imp e eu respondi com dois Journey to Nowhere. Eu procurava matar a todo momento os Imps dele pelo na esperança dele jogar os Exhumes para o cemitério no dredge 5. O Gabriel faz um Ulamogs Crusher da mão e no passe eu tirei com 2 Galvanic Blast. No turno seguinte ele me reanima o Crusher com Dragon Breath mas eu tinha um plano em mente. Com dois Prismatic Strands na mão, fiz um Kor Skyfisher, voltei o Journey to Nowhere que estava em um Gurmag, exilei o Crusher com o Journey e o encantamento no cemitério com uma Bojuka Bog que voltei com a minha Boros Garrison e finalizei o jogo prevenindo o dano do peixão com os Prismatic Stands. #vouseconsagrei. Foi a minha primeira vez jogando contra o deck e creio que nesses momentos saber as fraquezas e forças do seu deck é o que importa e não simplesmente decorar guias e imitar jogadas de pro-players. Talvez muitos jogadores teriam sideado os Cordões Prismáticos pelo fato de que o Eldrazi "Cabeça-de-ovo" ser incolor mas eu decidi manter tanto pelo peixe quanto pelas remoções como Machado Relampejante que eu vi sendo jogado no segundo game. Essa decisão acabou me ganhando a terceira partida de uma forma inesperada. Comemoramos a minha vitória e a do Rafa enquanto estava no game 3 do João Rinaldo. Estava feliz por ter chegado à final mas o dia ainda não tinha acabado.

SIDE OUT:

1x Eletrotruque 

1x Prisma Profético 

SIDE IN:

2x Relic of Progenitus 

Resultado: 4-1

Final Boss: trio Everton "Bracinho" Ponce x Filippe "Baiano" Santos x Felipe Alfaya (Boros Monarca - Mirror)

Alfaya é um dos jogadores veteranos mais velhos da cidade e que sempre jogou casualmente MTG. Entretanto é ao mesmo tempo uma das pessoas que eu tenho mais respeito por possuir tanto conhecimento de jogo tanto no Pauper quanto em todos os outros formatos como Modern, Legacy, T2, Commander e se duvidar até Extended e Tiny Leaders (nunca joguei esses formatos). O Game 1 contra o Alfaya foi completamente dominado por ele sempre conseguindo manter a liderança com Palace Sentinels após eu jogar os meus Palace Sentinels e sempre roubando o monarca quando podia. Quando tudo parecia encaminhado para a vitória dele após resolver um Reaping the Graves voltando três criaturas e estabelecendo uma vantagem no board gigantesca e uma quantidade de vida absurda pelas Radiant Fountain, surgiu uma ideia na minha cabeça: E se eu jogar para eu não perder? Removi todas as criatura que pude, mesmo quando ele as protegia com Prismatic Strands e fiz um board que procurava somente bloquear as criaturas dele. Por possuir o Monarca, ele comprou muito mais cartas que eu e ganhei a primeira match no decking. Game 2 tirei alguns Guinchado de Guerra por causa do Eletrotruque e subi o Kor Sanctifiers para tirar os Journey to Nowhere. Os primeiros turnos do Alfaya foram extremamente lentos perdendo land drop e somente com uma Secluded Steppe no campo. Nesse ponto eu decidi me tornar o aggro da partida. Joguei o meu Palace Sentinels o mais cedo possível e com dois Lightning Bolt na mão eu procurei estabelecer pressão capitalizando na falta de recursos do lado do oponente. Do meu lado o Rafa havia ganhado o jogo dele contra Turbo Fog e o João perdeu para o WR Death and Taxes do Ponce por causa de uma Akroma, Anjo da Fúria. Respira. Alfaya passou com um Glint Hawk, 8 de vida e três manas abertas que eu suspeitei ser um Prismatic Strands. Com a ajuda do meu time nos turnos finais fiz um Frasco do Alquimista usei a habilidade para impedir o Glint Hawk de bloquear e bati com tudo. Ele me mostrou um Lightning Bolt para remover uma das minhas criaturas ficou com 4 de vida e eu mostrei o Galvanic Blast. No fundo só a música de vitória do Ayrton Senna. Só uma pessoa pode ser o rei.

SIDE OUT:

2x Battle Screech 

1x Firebolt 

SIDE IN:

2x Relic of Progenitus (para tirar os Prismatic Strands)

1x Kor Sanctifiers

Resultado final: 5-1

Conclusões:

De todos os campeonatos que joguei até agora, o formato de trios foi com certeza um dos mais divertidos de se jogar. Ainda necessito melhorar muito como jogador e reconheço isso. O primeiro lugar nunca é um motivo para descansar no topo mas sim um motivo continuar evoluindo. O topo ainda está lá e espero alcançar: finais de CLM, GPs, PTs (que sonho). Quero agradecer a todos de Londrina tanto a LojaBat como o Piedade Card House ao MYPCards por sempre incentivarem a realização desses eventos e espero futuramente continuar participando de muitos campeonatos. Fiz amigos por causa de cartinha de papelão e acho que nunca vou me arrepender de dizer isso. Obrigado por lerem o meu report e por favor compartilhem se gostaram.

Rinaldo e as Rinaldetes

Team Rinaldo e as Rinaldetes

 

 

Comentários

lfgcampos comentou em 25/22/2018 08:22

Que report legal, parabéns!!

NIshiyama comentou em 25/00/2018 03:00

Satisfaction totalis

Mikanii comentou em 24/15/2018 22:15

Linduxo parabens <3

Ponce comentou em 24/29/2018 20:29

Muito bom o texto, parabéns. E eu curti a menção à Xoelma. Hahahaha