Quando as coisas saem do controle... | Yu-Gi-Oh!

Escrito por CyberseTeamBR
Publicado em 16/05/2020
85 Visualizações, 1 Comentários.

Sem dúvidas, um dos principais fatores por trás do grande sucesso e popularidade do jogo Yu-Gi-Oh Trading Card Game é a o fator humano, afinal de contas, sem a nossa capacidade de raciocínio e as jogadas mirabolantes que criamos em nossa própria mente, as cartas poderiam até existir, mas não haveria nenhuma utilidade para elas. Por conta disso, a criatividade e a memória também fazem parte do jogo e são capazes de criar verdadeiras aberrações. Num jogo que já existe a mais de 20 anos, e conta com mais de 10.000 cartas, é extremamente natural que algumas delas sejam esquecidas... até o momento oportuno para voltarem ao jogo. Ou em casos semelhantes, cartas recém-lançadas e que deveriam favorecer um único Deck acabam sendo genéricas demais ao ponto de virarem "obrigações" para qualquer Deck que se preze. Assim se nascem os combos, os FTK's e as famosas Engines, que formam campos quase inquebráveis  com uma única carta. Alguém tem uma ideia genial, compartilha essa ideia, vence um torneio, e a partir daí, o que era algo isolado se torna uma tendência mortífera... e é ai, que as coisas saem do controle. 

Se você joga Yu-Gi-Oh! a pelo menos uns dez anos, com toda certeza já teve ter visto, usado ou enfrentado alguém que use a carta Fusão Instantânea em seus Decks. Lançada originalmente em 2006 na coleção Cyberdark Impact essa carta foi lançada com um propósito não tão funcional para a época. Ao pagar 1000 LP, podemos Invocar por Invocação-Especial 1 Monstro de Fusão de Nível 5 ou menor do Deck Adicional. Vale lembrar que, naquele período do jogo, só existiam Monstros de Fusão no Deck Adicional, e outras Invocações posteriores ainda não haviam sido inseridas no jogo. Outro fato a ser considerado é que, naquela época muito poucos monstros de Fusão com nível baixo possuiam efeitos, e o único realmente relevante estava banido. Então a Instant Fusion não achou espaço em muitos Decks da época, que sequer realmente necessitavam utilizar o Deck Adicional. Contudo, com a chegada dos Monstros Sincro, em meados de 2008 deram uma nova utilidade para essa carta, que por ser genérica demais, acabou fazendo parte de muitos Decks da época, funcionando como um auxiliador para as Synchro Plays. Um ótimo exemplo disso é o Dragão da Rosa Negra, um poderoso Monstro de Sincro de Nível 7, que quando Invocado destrói todas as cartas no campo. Com o Dragão do Escombro em campo, e Invocando qualquer Fusão de Nível 3 pelo efeito da Instant Fusion, você poderia Invocar não só o Black Rose, mas inúmeros outros Sincros extremamente poderosos. E isso se tornou tendência com o passar do tempo.

Mas, foi com a chegada dos Xyz e do Entidade Anciã Norden que a Instant Fusion literalmente entrou em qualquer Deck do jogo, já que ela servia como um caminho fácil para Invocar Sincros e Xyz e o Norden servia como peça chave para os combos, já que ao ser Invocado poderia trazer um monstro de Nível 4 ou menor do Cemitério para o campo. Por ser uma Fusão de Nível 4 era um alvo certo para a Instant Fusion e por conta disso todos os Decks utilizavam essa engine em seu potencial máximo, até que o Noden acabou sendo banido por conta do seu abuso. A situação começava a sair do controle. No final da era ARC-V, com a chegada da coleção Maximum Crisis a Instant Fusion também se tornou buscável, graças aos efeitos combinados de Predaplanta Escorpião Ophrys e Predaplanta Cobra Darlingtoinia. Com a chegada dos Links, a Instant Fusion ganhou outra nova utilidade. Invocar por Invocação-Especial o Restrição dos Mil Olhos, um monstro de Nível 1 que pode "roubar" um monstro do oponente quando Invocado. Uma jogada que se tornou presente em praticamente todos os Decks do formato. E foi exatamente por conta de ser extremamente genérica, a Instant Fusion acabou sendo limitada, e há grande possibilidade de que seja banida. Esse é um dos muitos exemplos de cartas que foram criadas com um propósito e em uma época do jogo distinta, e acabaram sendo bem-exploradas (ou mal, a depender da sua opinião) em outras épocas do jogo.

Outra situação parecida, e muito mais atual é o uso indevido do Crystron Halqifibrax fora do seu Arquétipo original, os Crystrons. Ao ser Invocado por Invocação-Link, o Crystron Halquifibrax nos permite Invocar um Regulador de Nível 3 ou menor do Deck para uma das zonas a qual ele aponta. Dentro do Deck para o qual ele foi formulado isso funciona como uma luva, e nos permite continuar com as Synchro Plays do Deck. No entanto, fora dele a carta por incrível que pareça se torna ainda mais forte e problemática exatamente por ser genérica demais. Decks como Adamancipator e Eldlich Synchro, que provavelmente serão os Meta Decks do formato conseguem se aproveitar do seu efeito. Decks de Link Spam genéricos também se aproveitam do Halquifibrax para fazerem seus famosos combos de 1 carta. que se iniciam através dele, e da Invocação-Especial do Besta Fantasma Mecha O-Leão para Invocar Tokens, que podem ser usados como matéria Sincro ou Link. A Engine de Deskbot, apesar de ainda não tão famosa e consistente também necessita do uso do Halquifibrax. Vale lembrar também do uso do Linkruz que ao utilizar o Halquifibrax como matéria, Invoca até 2 Tokens para o campo, que serão usados para auxiliar na Invocação-Sincro. Sem dúvidas uma carta que está com os seus dias contados, e que por ser genérica demais, assim como as outras que aqui estão sendo citadas, podem acabar encontrando uma vaga no hall da fama... digo, das cartas banidas.

Well... well... well... Falar do Dragun of the Red-Eyes é algo extremamente chato. Uma carta que nasceu para fazer parte de um Deck específico e com Matérias de Fusão nada genéricas acabou se tornando uma engine poderosa de todos os Decks Meta do OCG, e o mesmo deve acontecer quando ele chegar por aqui. Para ser Invocado, é necessário utilizar 1 Mago Negro e 1 Dragão Negro de Olhos Vermelhos ou 1 Monstro Dragão de Efeito como matérias de Fusão. Ou seja, naturalmente seria muito difícil trazê-lo para o campo, já que faz parte de dois Arquétipos até então desconexos. Ainda assim, valeria muito a pena pelo seu custo benefício. Nenhum jogador pode escolhê-lo ou destruí-lo com efeitos de cartas e, durante a sua Fase Principal, você pode destruir um monstro do oponente (sem dar alvo) e causar dano a ele igual ao ATK original desse monstro. Você pode ativar esse efeito até o número de Monstros Normais que usou como matéria, ou seja, pode destruir até 2 monstros no campo e causar uma grande quantidade de dano. Além disso, uma vez por turno, quando uma carta ou efeito é ativado, você pode descartar 1 carta para negar a ativação e destruir, e essa carta ganhará 1000 de ATK (acumulativo). Difícil, mas vale a pena né?

Bom... talvez não seja tão difícil assim, e é ai que entra a parte chata da história. Graças a Predaplanta Anaconda Verte Invocar o Dragun se tornou brincadeira de criança. Graças ao seu efeito, pagando 2000 LP podemos enviar um Card de Magia "Fusão" ou "Polimerização" do Deck para o Cemitério e ativar o efeito da Verte Anaconda como se fosse o da carta enviada para o Cemitério quando a mesma seria ativada. Dentro do próprio Deck, ela funciona como uma luva, mandando as diferentes Magias "Fusão" ou "Polimerização" que o Deck possui para o Cemitério, auxiliando na Invocação dos seus principais Monstros de Fusão. No entanto, ao enviar a Fusão dos Olhos Vermelhos para o Cemitério, é possível Invocar o Dragun usando matérias direto do Deck. E, por ser uma engine que ocupa muito pouco espaço (somente com 1 carta de cada no Main Deck, e 2 específicas no Extra Deck) somado ao fato da Verte ser um monstro genérico (Matérias: 2 Monstros de Efeito), basicamente QUALQUER Deck do jogo pode colocar em campo um monstro que nega efeitos e destrói até duas cartas por turno. Em relação de coexistência, uma não pode existir sem a outra, mas para o bem do jogo as duas não podem conviver juntas. Basicamente, será necessário banir ou uma, ou outra.... ou em casos mais extremos e injustos, a Red-Eyes Fusion terá que ser sacrificada, matando junto com ela um Deck inteiro.

No final das contas, seja hoje, amanhã ou daqui a dez anos, os chamados "combos degenerados" ou as mini-engines funcionais sempre farão parte do jogo. Seja por que algumas cartas são genéricas demais, seja por conta de algum efeito que compensa tanto ao ponto de vários jogadores acharem um jeito de usá-lo ou por cartas mal-formuladas pela Konami. O jogo está em uma linha muito tênue entre o equilibrio e a perda total de controle, e assim como aconteceu com PePe, Dragon Ruler ou Zoodiac, em algum momento algum Deck ou engine especifica podem dar um certo trabalho para a Konami e dor de cabeça para os jogadores. Mas, ainda assim, Yu-Gi-Oh! é um jogo que vale muito a pena por conta da sua grande diversidade e criatividade. 

Até a próxima! 

Att, Cyberse Team BR

Comentários

Tofu comentou em 20/05/2020 10:14:20

A cada nova coleção lançada minhas duvidas de que a galera da konami fuma uma da boa antes de criar novas cartas se confirma.

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