Boletim dos Artesãos - Banimentos e a Estréia de M20

Escrito por artesaosdomagic
Publicado em 15/07/2019
140 Visualizações, 0 Comentários.

Olá e sejam bem-vindos a mais um Boletim dos Artesãos, que entrega a você o que de mais importante ocorreu no mundo de Magic: the Gathering na última semana. E nessa edição temos muitos formatos se adaptando a um novo paradigma seja por banimentos ou pelo lançamento da coleção mais recente, a Coleção Básica de 2020, então vamos logo saber o que aconteceu.

Banimentos no Modern

Na segunda-feira passada ocorreu mais um Anúncio de Banidas & Restritas, e foi um dos mais aguardados dos últimos tempos já que o Hogaak BridgeVine não saía da boca do povo, você até pôde ler um pouco sobre o deck aqui mesmo em boletins anteriores. Além disso esse é o anúncio que precede o Campeonato Mítico IV, físico, cujo formato será justamente o Modern, onde o deck dominava.

Bom, a expectativa de fato se cumpriu e uma das peças chaves do deck, que inclusive está evidenciada no próprio nome dele, foi banida do Modern, a Ponte das Profundezas. A justificativa não poderia ser mais clara: o Hogaak BridgeVine era um deck que vencia muito, mais de 60% de suas partidas no Magic Online, muito rápido e com poucas partidas desfavoráveis, o que foi confirmado pelos dados da Wizards. Além disso, seu crescimento em popularidade, pegando um pouco do medo do Dredge, obrigava os oponentes a carregar pacotes imensos de cartas anti-cemitério, às vezes até mesmo no deck principal.

Carta Ponte das Profundezas

A Wizards conta que várias cartas foram consideradas para o banimento além da Ponte, como o Altar of Dementia  e o próprio Hogaak, Arisen Necropolis, mas que a Ponte era a carta mais provável de se ver numa posição problemática novamente. Por não custar mana e simplesmente precisar de ser enviada ao cemitério para começar a criação de Zumbis, a carta seria uma preocupação a cada lançamento que tivesse sinergia com o cemitério, eventualmente se tornando poderosa de novo.

Sem os Zumbis providos pela ponte para convocar Hogaak o deck vê seu combo para “millar” seu oponente, isto é, colocar todas as cartas do grimório em seu cemitério, muito enfraquecido, talvez até fraco demais para o formato. O deck já existia antes há algum tempo, até mesmo versões antes da Ponte ser descoberta, mas vai precisar ser retrabalhado para que mantenha sua posição no topo do formato.

Banimentos no Commander

Também na segunda-feira passada tivemos também um Anúncio de Banidas, assim como uma atualização no Documento de Filosofia do Commander e, pegando muitos de surpresa, tivemos uma mudança na Lista de Banidas e Restritas do formato, com Motor do Paradoxo e Iona, Escudo de Emeria, banidos e Servo do Pintor desbanido. A última mudança desse tipo havia acontecido há um bom tempo, em 2017, quando Leovold, Emissary of Trest foi banido e Protean Hulk desbanido.

O Commander é primariamente um formato casual e multi-jogadores reconhecido e sancionado pela Wizards, mas comandado por um grupo independente chamado de Comitê de Regras, que decide, entre outras coisas, as cartas que serão banidas no formato. De uma forma geral as cartas que o comitê vê como uma ameaça à experiência positiva de Commander que eles vizualizam são banidas. E para esclarecer qual é a visão desse grupo para o formato, de tempos em tempos o Documento de Filosofia do Commander é atualizado.

No Documento o Comitê reforça a natureza casual do Commander, já na primeira frase: “Commander é um formato para a diversão”. Nele os jogadores se unem numa forma de contrato social em que a experiência de todos é considerada nas jogadas feitas e na forma em que se constrói o deck. Também é reforçado que a Lista de Banidas do formato não busca regular as variantes competitivas nem o nível de força das cartas e decks, e sim, visa a experiência geral do formato. Ele finaliza dizendo que o formato pode ser quebrado, com jogadas abusivas, mas eles acreditam que o jogo é mais divertido se isso não acontece.

Quanto aos banimentos, o Paradox Engine é uma carta que pode ser incrívelmente quebrada mesmo em decks que não se dedicam a ele, tendo um potencial imenso para gerar combos e recursos imensuráveis a partir de um campo que, a priori, seria inofensivo. O custo de inserí-lo no deck é basicamente nulo, já que ele usa de cartas que você é naturalmente incentivado a jogar, e ele pode ser jogado em qualquer combinação de cores, por ser um artefato incolor. Por isso Motor do Paradoxo foi banido. 

Iona, Shield of Emeria , é uma carta que gera uma experiência negativa assim que entra em campo de batalha essencialmente proibindo os oponentes de usarem seus decks, especialmente se eles forem mono-coloridos, sem o benefício de uma aplicação positiva no jogo, isso é tudo que ela faz. Seu custo de mana elevado não é um empecilho nem ajuda a balancear seu uso, já que sabemos a facilidade que é reanimá-la para o campo de batalha.

O desbanimento de Painters Servant  se deu, pois o comitê avalia agora que há mais formas de usar a carta de uma maneira criativa e divertidas do que de maneiras abusivas.

Motor do Paradoxo e Iona banidos, Servo do Pintor desbanido

A Estréia de M20

E a Coleção Básica de 2020 foi oficialmente lançada e já tivemos alguns eventos para testar este novo formato tanto no Arena quanto no físico. A expectativa é que a coleção consiga fazer boas alterações no cenário do Metagame que até agora era controlado por planinautas, se não em decks, pelo menos em cartas chaves.

No entanto, se olharmos apenas o vencedor do Fandom Legends, torneio semanal que acontece na Twitch pelo Magic Arena, ficaríamos bastante decepcionados. Brian Braun-Duin foi o campeão com o deck Esper Hero, deck já bem conhecido que foca no Hero of Precinct One  e cartas multi-coloridas na forma de remoções e planeswalkers. As únicas cartas da nova coleção usadas por Braun-Duin foram duas cópias Temple of Silence em sua base de mana.

Já seu oponente na final, Javier Dominguez, mergulhou de cabeça em M20 e estava jogando com um Temur Elementais, que foi basicamente criado só com cartas novas. A peça chave do deck é Risen Reef  que, com os outros elementais do deck acaba gerando uma vantagem de cartas imensa além de um ramp incrível, o que justifica os 24 terrenos do deck. Depois o deck pode fechar o jogo com um Omnath, Locus of the Roil , que pode entrar antes, fortalecendo os elementais, ou depois, dando dano direto, ou um poderoso planeswalker como Chandra, Awakened Inferno  e Nissa, Força Vital .

 

O deck também apareceu no Star City Games Open de Worcester, ficando em terceiro lugar. A prata e o ouro ficaram com outros decks conhecidos, mas estes não ficaram intocados como o Esper Hero. O Mono-Blue Aggro de Ross Meriam adotou o Spectral Sailor  como mais um de seus Flying Men  e também um uso para os terrenos no fim do jogo. Do sideboard pode sair também Cerulean Drake , para ajudar em partidas contra os decks vermelhos.

O Drake, no entanto não foi o suficiente, já o Mono-Red Aggro foi o grande vencedor do torneio, pilotado por Aaron Barich. Ela leva em seu deck de novidade Ember Hauler  como mais uma ameaça que entra cedo e pode ser sacrificada por dano direto. Além disso temos em seu deck Chandra's Spitfire  que pode gerar quantidades imensas de dano mesmo em um campo vazio. Do sideboard temos Fry , que pode lidar com aqueles planeswalkers irritantes do oponente, e Chandra, Acólita da Chama .

E assim terminamos mais um Boletim dos Artesãos. Os formatos já começam a se ajustar às mudanças e poderemos ver um novo Metagame surgindo a partir delas. O que você achou do banimento no Modern? E no Commander? E acha que esse novo deck de elementais de M20 chega longe no Standard? 

Sinta-se livre para nos contar usando a seção de comentários. Você também pode nos alcançar por nossa página no Facebook ou Twitter. Obrigado pela leitura.

Thiago Santos dos Artesãos do Magic

Comentários