Banco Imobili... Pauper

Escrito por Buffix
Publicado em 12/06/2019
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"Oi meu nome é Buffix, tenho vinte anos e um milhão quarenta e duas mil cartas acumuladas no meu quarto"

Bom dia novamente.

Falamos algumas semanas atrás (desculpem a demora, sacomé, faculdade) sobre os bans de Gush, Daze e Gitaxian Probe no pauper e você pode checar o artigo aqui. E como prometido, gostaria de escrever um pouco sobre como um ban impacta o bolso dos jogadores e como lidar com isso. Uma das coisas que comentei semana passada foi que, ao contrário de jogos onlines como Hearthstone, é muito mais difícil mudar um jogo de cartas físico. Dentro de Hearthstone você utiliza "pó arcano" (E sim, existem já infinitas piadas sobre sistema) para criar cards novos e adicionar a sua coleção, assim como temos as Wildcards no Magic Arena. Se por exemplo uma carta é "nerfada" em um jogo online, a empresa se vê na obrigação de alguma forma ressarcir os jogadores que trabalharam duro para terem aquelas cartas. Então em Hearthstone, no caso de cartas épicas e lendárias nerfadas é permitido durante um curto período de tempo desfazer suas cartas pelo custo integral do "pó arcano".

No caso de um jogo de cartas físico, creio que seja impossível ter alguma coisa similar. E até certo ponto isso traz pontos positivos e negativos. Do ponto de vista negativo, um banimento pode afetar o custo de uma ou mais cartas dentro de um formato como já iremos falar sobre. Do ponto de vista positivo isso que permite Magic ser um Trading Card Game. Imagine poder rasgar cartas 320 comuns para conseguir um Teferi, Hero of Dominaria. Seria um sonho, certo? Mas ao mesmo tempo que seria maravilhoso, isso tiraria um pouco da diversão de pré-releases e drafts em conseguir "aquela mítica da coleção", o prêmio de loteria. Qual graça teria se fosse tão simples adquirir cartas de coleções antigas como Elfos de Llanowar BB ou até mesmo cartas da reserved list se todo mundo as tivesse também? Como uma Black Lotus de Alfa seria tão icônica se não existissem somente 11,000 delas no mundo inteiro? Ser um jogo de cartas físico e possuir flutuações na valor de diferentes papelões é também o que dá identidade a muita dessas cartas. Todos nós conhecemos aquele cara da loja que tem o set de Volcanic Island ou um The Tabernacle at Pendrell Vale e obviamente os chamamos de:

Agora vamos falar sobre os pontos negativos. No outro artigo disse que algumas cartas também foram banidas durante minha trajetória como jogador iniciado em Ixalan. Observem os gráficos tirados da LigaMagic:

Ah, Ferocidonte Enfurecido, que falta que você não faz ao T2. O ferocidonte foi um exemplo de como uma carta pode afetar um formato em tão pouco tempo, inibindo estratégias que jogavam contra o vermelho (ganho de vida e extensão de criaturas). Quem comprou a carta beirando os quinze reais em Novembro de 2017 teve um prejuízo de doze reais para os dias de hoje por carta. Sem falar que se trata de uma carta printada em uma edição de formato rotativo.

O artefato que se tornou um dos melhores decks do Modern: Krark-Clan Ironworks teve seu valor cortado pela metade de Janeiro para Maio deste ano. A impotência de se jogar contra KCI era por não possuir "silverbullets" efetivos com o intuito de interagir com o combo e formas muito eficientes de quebrar hates do sideboard: Explosivos Fabricados, Negate, Nature's Claim

Bem e as cartas do pauper? Até o momento de escrita desse artigo, GushDaze e Gitaxian Probe não sofreram alterações drásticas de preço. Acredito que o principal motivo por trás disso é o fato do pauper não ser um formato sancionado competitivamente pela WoTC e, portanto, não gera tanto valor de mercado como o modern ou T2. Deathrite Shaman que foi banido no Legacy teve uma desvalorização de cerca de sete reais no total. E então vem a pergunta de 1 milhão de reais: "Mas e os decks? Agora sem Gush e Daze não dá pra jogar com os mesmos decks no pauper". Você não poderia estar mais errado do que eu quando decidi fazer Letras, pequeno gafanhoto. Deixe-me mostrar uma coisa:

Esses foram os três primeiros colocados do último Pauper Challenge realizado em 10/06/2019. Podemos perceber pelas decklists desse Pauper Challenge que várias listas já estão se adaptando para o formato com Modern Horizons com o uso de cartas como Faerie Seer, Winding Way, Arcum's Astrolabe e Defile. Como falamos semana passada, o novo substituto de Gush foi Accumulated Knowledge encontrado em 3 decks do top 8 com 4 cópias cada (fato divertido: Accumulated Knowledge conta na sua resolução as cópias em TODOS os cemitérios. Só deixando essa dica). Isso demonstra como financialmente o pauper resiste mesmo com o ban de diversas cartas que eram consideradas "essenciais" para as estratégias.

Sim, a reinvenção desses decks não irá cobrir o prejuízo dos banimentos. Mas até nos formatos eternos como Pauper e Legacy os decks precisam se reinventar de tempos em tempos. Senão é melhor jogar truco. Ou commander (rs). Ah, e decks como Tron e Boros Monarca apareceram de forma consistente no top 8 do Pauper Challenge 27/05/2019, mas podemos perceber que eles não estão se tornando "a única forma de jogar pauper", ainda mais que o deck que apareceu com mais frequência em Maio foi o BW Pestilence, mas vamos falar sobre isso outro dia.

(Nota do autor: de algum jeito milagroso de Buda Shakyamuni um maluco fez sexto lugar com um Boros Weenie Tron. *suspiro* que mundo maravilhoso)

Enfim obrigado novamente pela leitura e até a próxima!

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